quinta-feira, 26 de março de 2009

Uma estrela

É noite de lua cheia Verão imenso ! Olho as estrelas, o luar. Contemplo as sombras das árvores. Ouço o piar de um mocho Além o grito da raposa Um galo que canta na calada da noite. O que rompe o silêncio da noite ? Estranhos monólogos entabulados na mata ! Nasceu no céu uma estrela De onde veio ? Estranha descoberta! Nem quero saber Nem quero pensar. Para que ? Veio por ti, para ti. Poalha de oiro a envolver o mundo, Beijando pântanos e flores. Há por entre os densos ramos de verdura Mil beijos, mil perdões Tu que nunca reparaste em mim. Esta noite não estás só. Olha à tua volta! Que vês ? Não ! Não é miragem ! A estrela de mansinho desceu Beijou a tua fronte adormecida Numa estranha carícia de veludo: Porque essa estrela, sou eu !!!! Natércia Nunes Este blog é o resumo da nossa juventude, passado no Instituto, Somos todos quase da mesma idade. Quer dizer: somos todos velhos. Recordar é a coisa mais maravilhosa do mundo Recordamos com fotografias, recordamos as caras uns dos outros, recordamos os professores. Podemos também recordar alguns amores que ficaram " perdidos". Hoje, com estes versos recordo que os escrevi quando do meu 4º ou 5º ano, dediquei-os a um certo rapazinho, na altura. Hoje velho como todos nós. Nunca os leu. Se ele ler isto sabe a quem os escrevi, na época. Natércia

1 comentário:

Sérgio Lopes disse...

Lindo, profundo e tocante o teu poema, Natércia, para uma adolescente que à época teria os seus 14 ou 15 anos.

Obrigado por o teres partilhado com os colegas que aqui reunimos. A esta distância até faz bem abrir a alma, pois, inevitavelmente, nenhum de nós vai ter muito mais tempo para recordações e em breve a alma se libertará dos nossos corpos para seguir a sua viagem. Vale recordar que até já não somos muitos, uma vez que quase todos os dias nos chegam notícias dos que foram ficando pelo caminho.

E, não o esqueçamos, é também um tributo ao Dr. Manuel Vieira, o nosso professor de português que não faço ideia se estará ainda entre nós.