quarta-feira, 25 de março de 2009

O Sotão do Quim (da Nazaré)

A equipe do Hóquei em Campo do IVS Em primeiro plano o Quim, o segundo será o Bolinhas mais novo (alvitra o Vitor Carrilho) o terceiro o Daniel, quarto o Acácio, quinto o Victor Rosado, o décimo Sérgio....e mais não sei

Esta é a pedido do Sérgio, para ver se para a próxima levam a tenda...... Visita feita pelo TÓ , SÉRGIO, TEIXEIRA e NOGUEIRA (Encoberto) Época Balnear de 1959
na Nazaré

10 comentários:

José Avelar disse...

Sérgio
Gostava de saber se não passaste pelas Caldas algumas férias.Foi por ver esta foto que me veio á memória umas passagens por cá...estarei enganado.

Sérgio Lopes (Aluno 192) disse...

Não, não está enganado, Zé.

Tu não pensas que eu só namorava em Cernache, pois não? Tive sempre namoradas de reserva em Luanda, Lobito, etc., e também tive umas 3 namoradas mais a sério nas Caldas e fiz o circuito das praias durante uns 3 anos.

Lembras-te de um cesteiro que tinha um irmão no seminário e uma filha que quando começou a desabrochar era um espanto? Ela e um irmão dela, aliás, bastante "prá frentexe", misturavam-se muito bem, com os meninos e meninas bem das Caldas e veraneantes. Pois, quando o seminarista nos acompanhava, as mãezinhas consideravam-no pau-de-cabeleira bastante e o grupo (Madalena Fernandes, Maria Henriqueta, Madre de Deus (um pouco mais nova), uma das irmãs Capristano da nossa idade (cujo nome não recordo agora), outras e outros (éramos uns 20 a 25 rapazes e raparigas) íamos de bicicleta para a Foz, para São Martinho ou Salir e, por vezes até para a Nazaré - que no “único meio de transporte em que a besta puxa sentada”, ainda era um esticão – e lá passávamos o dia a ver quando a onda levava o sutiã de uma das meninas; muitas vezes fomos privilegiados com o espectáculo, embora ainda esteja convencido que era um dos dedos que retirava ainda dentro de água o sutiã dos melões (e algumas eram mesmo melões que tinham, nada de ovo estrelado...). Vezes houve que acampávamos e passávamos a noite nas dunas de Salir do Porto (estão aí neste mapa, mas já muito reduzidas - http://www.visit-sao-martinho-do-porto.com/html/por-index.html). Se aquelas areias falassem! O “padreco” não falava, estava obrigado ao silêncio, por que ouvia as confissões... Nos dias mais calmos jogávamos ao ringue no parque, indo eu e o Toni Vieira Pereira parar ao “Mata” logo na primeira jogada, que no Mata é que estava o segredo, falhava-se o ringue, apanhava-se o melão mesmo na cara das mãezinhas ahahahahah. Depois, havia um estrado relativamente alto junto aos courts de ténis, com um autêntico labirinto por baixo, que era uma delícia de “passeio”... Enfim, não posso dizer que não tive uma adolescência feliz com esse grupo.

Vê lá como são as coisas! A Maria Henriqueta veio a ser, 20 e tal anos depois, minha funcionária na TAP no Rio de Janeiro. A Madalena Fernandes reencontrei-a 33 anos mais tarde, quando fui episodicamente director-geral da Air Portugal Tours em Lisboa, por que sem eu saber era uma das convidadas a um jantar oferecido pelo Toni Vieira Pereira. Todas casadas e com filhos, evidentemente. O Artur Capristano, também falecido prematuramente, reencontrei-o quando estava a colaborar na fundação, estatutos e na proposta à Edilidade do Lisbon Convention Bureau. A proposta aprovada foi da minha autoria.

Por estas e por outras é que a canção “To All The Women I Have Loved Before... Who Came In and Out my Door…” é a minha total favorita.

P.S. Quase esquecia. Lembras-te do Charuto que tinha uma loja na quelha que dava de praça do peixe ao parque? Também tinha uma filha de se lhe tirar o chapéu, Tu eras mais novo e menino bem, não te misturavas com a ralé ahahahahahahah. Mas aquela malta, Toni, Artur, etc.., só tinha um parâmetro: ou era boa ou não era... Se faltasse um dos parâmetros, entrava em vigor imediatamente o outro...

Sérgio Lopes (Aluno 192) disse...

Obrigado Quim e Zé. Para mim esta fotografia não tem preço! Chorei que nem uma criança ao revê-la, pois a minha perdeu-se. Trouxe-me memórias tão gratas, a mais importante delas a amizade, praticamente de irmãos, que se desenvolveu entre os integrantes deste grupo de rapazes. Só voltaria a ver durante o resto da minha vida o Jorge e o Prior. Com o Tó só voltaria a falar pelo telefone uma vez. Com o Jorge e com o Tó, e respectivos pais (mãe no caso do Tó), tenho dívidas de gratidão que nunca se podem pagam. Era hóspede da casa deles, durante as férias mais curtas.

Mas deixêmo-nos de pieguices. Vamos, então, à história da Nazaré!

Como sabem o Tó Farinha veio revolucionar a rotina do IVS, na medida em que é o único aluno que possui um carro seu e total liberdade para o usar, um Sinca Around, com um motor que guinchava que nem um cabrito desmamado. Foi assim que iniciámos as fugas à noite para Lisboa, de que já contem um ou outro episódio.

Um belo dia, o Jorge Nogueira (Cantiflas) teve uma ideia genial! Nem eu, nem o Prior (que não está na foto, mas foi connosco) iríamos a Luanda passar férias grandes; o Manuel Teixeira também não iria para onde costumava ir; o que íamos fazer era passar uma semana e tal à praia da Nazaré para dar caça às sopeiras espanholas que por lá abundavam no Verão. Planeámos a logística a milímetro durante semanas, poupámos as semanadas, coleccionámos mantas, panelas, tachos, pequeno fogão a gás, lâmpada Petromax, comprámos mantimentos, etc..

Chegado o dia da partida, eu era o mais “rico”, tinha amealhado a pequena fortuna para a época de 1 conto de réis. À hora aprazada lá chegou o Tó no seu barulhento Sinca, cuja traseira foi violada até dizer chega com o que lá metemos para a viagem e para acampar. Foi um sarilho para fechar a porta e ainda colocámos muita coisa dentro da cabina do carro. E lá fomos, só parando para trocar de motorista o que fazíamos com frequência para evitar que alguém adormecesse ao volante), almoçar, reabastecer de gasolina e “desabastecer” de mijo. Chegados à Nazaré, não me recordo da hora, mas sobre a tarde, ainda demos umas voltas de reconhecimento para fazermos uma listagem das coordenadas das sopeiras espanholas, até que escolhemos o sítio ideal para montar acampamento. Abre-se a bagageira e para nosso espanto, tínhamos esquecido a barraca de campanha! Era problema grave, pois entre nós não havia dinheiro para hospedagem.

Já na iminência de termos de regressar à base, o Jorge Nogueira tem outra ideia brilhante! Lembrou-se que o puto Quim vivia na Nazaré e que talvez nos pudesse desenrascar. Arrancámos na expectativa de encontrar o Quim, que não tínhamos a mínima ideia onde morava. Mas a Nazaré também não era muito grande na época e ao fim de umas voltas o Jorge põe os olhos no Quim. Sai do carro e conta ao Quim o nosso problema. O Quim era um puto desenrascado e levou-nos a sua casa. Era uma boa casa, mas naquela altura a imagem que tivemos foi a de um imenso palácio, com uma rica garagem fechada, que mais parecia uma luxuosa vivenda anexa à casa.

Conversa do Jorge com o Quim e outra ideia brilhante:

“Ó Quim será que o teu pai se importará muito que os carros dele durmam ao relento?”

Quim – “Eu vou falar com ele”, e lá desapareceu o Quim.

Passado um bocado, reaparece o Quim com o simpaticíssimo pai e depois das apresentações formais, o pai do Quim sossegou-nos: “Vou montar uns beliches na garagem e vocês podem ficar o tempo que quiserem. Terão também, acesso livre à cozinha e às casas de banho”.

Mas houve mais uma coisa que saiu do guião. As sopeiras espanholas. Foram substituídas por umas jovens alentejanas boazonas, que ali tinham ido dar à costa naquele verão. E foi um verão e peras!

Nunca esquecerei uma conversa entre o Prior e o Manuel Teixeira, deitados nos beliches montados na garagem. Com a sua alentejana na cabeça, o prior tira a cabeça para fora do beliche, olha para o Manuel Teixeira no beliche de baixo e pergunta:

“Ó Manel, casar é muito caro?”

Resposta imediata do Manel: “Não sei! Nunca casei...”

Passado um bocado, é o Jorge que me diz:

“A tua terra, referindo-se a Luanda, deve ser linda. Um dia gostaria de visitá-la!”

Respondi-lhe: “Vem quando quiseres, tens cama, comida e roupa lavada à borla”.

Nenhum de nós, então, podia imaginar que quatro anos mais tarde o Jorge lá estaria, mas em combate, e que seria ferido numa emboscada... O interessante é que o Jorge hoje não recorda a conversa.

E foi assim que os “campistas”, de repente, viraram “garagistas” e foram “agaragar” na Nazaré, em vez de “acampar”. Ficámos com uma dívida de gratidão para com o Quim para a vida, bem como para com o pai do Quim. Bem hajam!

P.S. Estamos todos no ocaso da vida, mais eu que vocês. Para mim esta ligação a um passado tão feliz é fundamental, uma vez que só tenho o presente e o passado por ter ultrapassado já o meu período de validade.

Quero, pois, envolver-vos a todos num abraço fraterno muito apertado.

Obrigado por terem vindo ao blogue fazer-me companhia, obrigado pelas recordações que desencadearam, obrigado pela amizade. Obrigado!

192

Sérgio Lopes (Aluno 192) disse...

Não sou de intrigas, mas o cidadão em 4.º lugar a contar do extermo oposto e do fulano de camisa branca com o pau em riste, parece-se bastante comigo.

Como se recordarão, esta "Equipa de Excelência" foi às Olímpiadas desse ano e ganhou a medalha de "lama" pela originalidade do equipamento ahahahahahah!

Acácio Leite disse...

EUREKA - Encontrei-me . Na foto do hoquei EU ( aluno nº25 - alcunha YUSTRICH ) estou devidamente perfilado a seguir ao Daniel , a seguir vem o Victor Rosado, depois não sei e depois o Martins que era o protector institucional do "SOFIA" . Alguém se lembra do "SOFIA" ? Estou muito emocionado pois esta foto passa a ser , para já , a minha única foto do IVS . Um abraço ao Quim .

Acácio Leite disse...

O último da fila o TOSCANO ?

Acácio Leite disse...

o 10 º da fila será o MÁRIO ERVEDOSA e a sua poupinha ?

Sérgio Lopes (Aluno 192) disse...

Acácio Leite disse...
"EUREKA - Encontrei-me."

Só esta explosão tua, Acácio, valeu o blogue! Quem diria há 50 anos, que nos encontraríamos num espaço virtual, a contra peripécias ainda vivas na memória e a trocar fotos que julgávamos nunca mais ver!

E estamos vivos!

Grande abraço aos sovreviventes e PAZ aos que nos deixaram!

P.S. Vocês já repararam como na foto o João Facha esstá "alentejanizado"? ahahahahah

José Avelar disse...

Sérgio
Quando fiz a pergunta se não tinhas passado pelas Caldas, não foi com o objectivo de ficar a conhecer o teu "rol" de namoradas...há coisas que por razões óbvias não se devem dizer e serão sempre "tabu".Não achas???
Do que descreves,há coisas que recordo e outras não.Porém julgo haver uma certa confusão, na descrição que fazes ..." a filha do cesteiro ", era filha única e o seminarista não tinha a ver com essa família(que depois foi padre, entretanto já falecido).
Quanto aos soutiens estás um pouco esquecido,pois nessa altura os maillots eram de corpo inteiro e bem apertados, que nem a vaga mais forte os fazia cair.Recordo-me que nessa altura apareceu uma moça na Foz do Arelho com um fato de banho com duas peças e o Cabo de Mar obrigou-a a por uma blusa.... bem, no tempo das nossas Mães os fatos de banho tinham mangas....
Quanto a ser "menino de bem" estamos conversados, uns andavam de bicicleta, outros de carro e motorista e outros andavam a pé....e eu andava a PÉ
Um abraço
Zé Avelar

Sérgio Lopes disse...

Meu Caro Zé,

Entendo a tua posição sobre “tabus”. Todavia, julgo, que também há “tabus” invisíveis; por exemplo, quando se lê mais – ou para além – do que se escreveu. Reli o que escrevi despreocupadamente e não vejo lá nenhuma “rol” de namoradas minhas, até por que está quase tudo na terceira pessoa do plural. Disse que tinha namoradas e tive, como todos os rapazes desse tempo tiveram; o que não disse - e tu pareces ter "lido" que disse – foi quem eram as namoradas. Aliás, naquele tempo raramente se namorava dentro do grupo, a regra era namorar no grupo oposto, enquanto as garotas do nosso grupo eram protegidas. Também não me parece crime nenhum referir as raparigas bonitas, atraentes, num determinado contexto e ambiente, aliás sãos por padrões actuais.

É natural que a minha memória não seja o que foi, afinal os 70 estão aí a bater à porta; também é verdade nunca fui muito de pormenores, sobretudo quando são implícitos. Os maillots eram uma peça única formada pelo corpo e pela parte superior que não vejo por que se não pode chamar sutiã, embora aceite perfeitamente que se lhe dê outro nome. Agora, tinham alças, uns duas separadas, outros duas atadas atrás do pescoço, a segurar essa parte superior a que chamei sutiã, digamos que por falta de imaginação. Os que se atavam atrás do pescoço eram seguros, os das alças separadas não eram assim tanto. E não era incomum uma dessas alças separadas de quando em vez descair quase para o cotovelo. Acontecia. Pouco importa, não revelei a que caiu a alça e na Foz não estávamos sozinhos, banhavam-se centenas jovens com seios.

Obrigado por desfazeres o meu equívoco quanto à paternidade do nosso bom companheiro seminarista e lamento saber que já partiu.

Apraz-me que te lembres da “filha do cesteiro”, cujo nome não recordo, daí ter usado uma figura que poderá ter parecido pejorativa, mas não foi essa a intenção. A intenção foi identificá-la. Era uma rapariga não só bonita, era educada, estudiosa e deve ter ido longe.

Somos dois, eu só andava de bicicleta quando a alugava. E ainda bem que o aluguer não era a peso... Eram cá umas chocolateiras!

Grande abraço.

192