terça-feira, 28 de dezembro de 2010

saudações 2010

Boas-Festas
Que 2011 veja realizados todos os teus sonhos.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Bolo Rei da Nacional

O bolo-rei é lisboeta, embora pouco a pouco se tenha tornado numa gulodice portuguesa. Nacional, diríamos melhor, porque foi na Confeitaria Nacional, ainda hoje vivíssima ali à Praça da Figueira, que ele nasceu há quase 150 anos. Mas a história deste bolo (ou algo semelhante) iniciou-se muito antes, em terras de França, reinava então Luís XIV (reinou de 1643 a 1715) e chamava-se gâteau dês rois. Tão famoso era que o pintor Jean Baptiste Greuze o imortalizou num quadro. Durante a Revolução Francesa o nome foi proibido e passou a chamar-se bolo dos sans Culottes (sem calções, a que chamaríamos hoje povo) ou bolo da boa vizinhança. Mas como é que chegou a Lisboa? Em 1829 Baltazar Roiz Castanheira, um transmontano de Vila Pouca de Aguiar, abriu a Confeitaria Nacional, que em pouco tempo se transformou numa referência em Lisboa, com os seus bolos e refrescos. O nosso confeiteiro pôde mandar o filho, Baltazar Castanheiro Júnior, a França e a outros países ver o que lá fora se fazia de melhor e foi numa dessas viagens, por volta de 1860 que ele trouxe, provavelmente do sul de França a receita e uma litografia do quadro de Greuze. Quando tomou conta da gerência da casa pela morte do pai, em 1869, contratou chefes pasteleiros em Paris e Madrid e lançou o bolo-rei, que seis gerações depois se mantém como o mais famoso de Lisboa. Tal como em França na altura da Revolução, também em Portugal, depois da queda da monarquia em 1910 lhe mudaram o nome. Os mais inflamados chamaram-lhe bolo república, outros bolo de Natal ou bolo de ano novo, mas passado pouco tempo voltou ao nome original e bolo-rei se mantém até hoje. António Mendes Nunes, jornal i, 22 de Dezembro de 2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

BOAS FESTAS

DESDE A FRIA LONDRES, DESEJO A TODOS UM NATAL EM PAZ E UM 2011 CHEIO DE SAUDE E ARMONIA

Boas Festas

Ex-colegas, caros amigos e companheiros das estradas do mundo Boas festas com tudo a que têm direito (incluindo bolo-rei que, como bem sabem, se come de boca fechada). Não desanimem com a crise, bebam-lhe (moderadamente, claro) uns copos (há sempre o pretexto de fazer um brinde) e mantenham-se informados. - Leiam o jornal i (enquanto durar tenho lá umas prosas catitas às segundas -carros e vinhos - às sextas, carros na óptica do utilizador e às quartas umas historietas de Lisboa que também podem ler aqui), um menú completo, digamos. -Inspirem-se no meu blogue do i (só rolar a página http://www.ionline.pt/ até ao fim e ver À Lei da Rolha) para procurar bons vinhos a preços muito acessíveis. Leiam o livro da minha irmã, a Natércia, acabadinho de sair numa edição da LACAM, chamado Coisas da Vida. Alguns contos até nos metem ao barulho (antigos Ivêesses). Tomem uns Cholipins, divirtam-se e tenham saúde!

Olivais Velhos

Foi fora de portas e é a zona urbana inicial dos Olivais, designada por "Olivais Velhos". Nunca foi bairro popular; é antes uma aldeia encravada numa cidade de Lisboa com a qual pouco ou nada tem a ver. Do lado do rio construíram o Parque das Nações, a sul e a norte nasceram torres desmesuradas e bairros de classe média, a oeste plantaram-lhe o aeroporto. Das explorações agrícolas e quintas de recreio, que até pouco antes de meados do século passado constituíam a maior parte da sua superfície, praticamente nada resta. Ficou uma praça, uma igreja, um coreto, um chafariz, duas ou três casas apalaçadas e ainda alguns renques de habitações mais modestas com quintal, que em nome de uma suposta modernidade algum dia também hão-de vir abaixo. Essa aldeia já foi sede de concelho (o maior de Portugal, com 22 freguesias), já pertenceu ao bairro administrativo de Alfama, viu nascer a mãe do marquês de Pombal e serviu de cenário aos amores de Carlos e Maria Eduarda, protagonistas de "Os Maias". Onde fica? Quem sobe a Avenida de Berlim vindo da Avenida Infante D. Henrique, deixando atrás das costas a Gare do Oriente, encontra à direita uma entrada manhosa que o conduz, 40 ou 50 metros adiante, ao Largo da Viscondessa dos Olivais, onde está o tal coreto e é o centro da terra. A criação da paróquia recua a 1397 e a 1852 a do concelho, que por trapaça política desapareceu em 1886. Rezava o decreto: "É transferida para a povoação de Loures a sede do concelho dos Olivais, que passará a chamar-se concelho de Loures." Deixou de existir, é verdade, mas extinto nunca foi. . Publicado no jornal i em 15 de Dezembro de 2010 .......................................................................................................................................................................... António Mendes Nunes Editor de opinião Escreve à quarta-feira

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Reescrever a História

A rua das Amoreiras, que liga o Largo do Rato à Avenida Duarte Pacheco já se chamou Rua de S. João dos Bemcasados, por aí ter existido uma ermida com essa invocação, mas não é essa a história que hoje vamos seguir. O que nos interessa é o Arco Monumental do Aqueduto das Águas Livres, que une os dois lados da rua e que tem duas lápides, uma de cada lado. Numa delas diz (transposto para a grafia actual): “Regulando D. João V, o melhor dos reis, o bem público de Portugal, foram introduzidas na cidade, por aquedutos solidíssimos que hão-de durar eternamente, e que formam um giro de nove mil passos, águas salubérrimas, fazendo-se esta obra com tolerável despesa pública e sincero aplauso de todos. Ano de 1748”. Esta inscrição, no entanto, não é a original, mandada picar em 1773 “até que se não visse”, escrita em latim, e que dizia mais ou menos o seguinte “No ano de 1748, reinando o piedoso, feliz e magnânimo rei D. João V, o Senado e povo de Lisboa, à custa do mesmo povo e com grande satisfação dele, introduziu na cidade as Águas Livres desejadas por espaço de dois séculos, e isto por meio de aturado trabalho de vinte anos a arrasar e perfurar outeiros na extensão de nove mil passos”. Quem mandou alterar a inscrição? Sebastião José de Carvalho e Melo, então já Marquês de Pombal, que na defesa dos ideais do iluminismo, não teve pejo em varrer da homenagem o desgraçado povo de Lisboa que pagou a obra com os impostos lançados sobre o azeite, o vinho e a carne que consumia na cidade e arredores. António Mendes Nunes Editor de opinião Publicado em 8-12-2010 no jornal i

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Natal 2010

PARA TODOS OS AMIGOS DO IVS VOTOS DE BOAS -FESTAS E UM ANO 20011 O MELHOR POSSÍVEL SÂO OS MEUS VOTOS J.A

sábado, 4 de dezembro de 2010

Blogue mais visualizado do que parece

Em Julho 2010 foram visualizadas 2.751 páginas do Blogue IVS. Em Setembro houve 2.241 visualizações e em Novembro 2.292 e nos primeiros 4 dias de Dezembro 199. Pena que 2% desses visualizadores não decida participar no Blogue! Fica aqui o desafio! Agradecemos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

puzzle humano

Entre finais de Julho e finais de Agosto de 1710 a sociedade lisboeta horrorizou-se com um espectáculo macabro: o aparecimento dia após dia de sacos com restos humanos. Os sacos eram deixados no sítio então chamado das Obras do Conde de Tarouca como se de um jogo se tratasse e cada bocado encaixava no anterior como se fosse um puzzle, retalhados por quem parecia ter bons conhecimentos de anatomia. Além do mais, a maneira como os despojos eram deixados não dava a ideia de uma tentativa de ocultação, mas antes de um acto de arrogância, de um jogo macabro. Um mês depois o corpo ficou completo, ou quase. Verificou-se que pertencia a uma jovem mulher, mas a quem faltava a cabeça. Dias depois a cabeça apareceu na Junqueira, juntamente com o corpo de uma criança de tenra idade. Relatos da época dizem que a vítima teria sofrido sevícias, a que hoje chamaríamos sado-masoquistas, antes da morte. Nem a recompensa de mil cruzados oferecida pelo rei D. João V, nem a exposição da cabeça da assassinada à porta da Misericórdia abriram pistas que conduzissem à identificação de assassino e assassinada. Entre o povo atribuía-se o crime a jogos de algum nobre e seus comparsas, com alguma desgraçada que lhes tivesse caído nas garras. Entre a nobreza falava-se de crime cometido por açougueiro na tentativa de eliminar mãe e filho, fruto de amores clandestinos. A verdade é que o sítio adquiriu má reputação, uma espécie de maldição que se haveria de manter por mais de um século, até à construção de um jardim, em 1855, no local que desde então se passou a chamar Praça do Príncipe Real. António Mendes Nunes

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O último enforcado

Numa manhã de Primavera, há mais de século e meio, a Rua de S. Paulo viu passar a triste procissão que conduziu à forca o último condenado à morte por crime civil em Portugal.Num prédio da esquina de S. Paulo para o Corpo Santo, Francisco de Matos Lobo matou em 1841 uma senhora francesa, Adelaide Kierot, uma sua filha, uma criada e ainda o cão da família, pelo que foi sentenciado à forca. A história é narrada por Júlio Dantas em "Lisboa dos Nossos Avós". Um ano depois, o preso, vestido com a alva e o laço da corda que o haveria de enforcar, foi obrigado a ouvir missa no oratório da cadeia do Limoeiro. Teve um ataque e acabou a missa atado a uma cadeira, para não cair. Depois, em procissão, foi transportado amarrado à mesma cadeira, aos ombros de quatro forçados das galés, pela Sé, Rua do Comércio, Arsenal e Corpo Santo até ao local do crime, seguindo pelas ruas de S. Paulo e Boavista até ao Cais do Tojo (em frente ao Largo do Conde Barão). Foi içado para o patíbulo, já a espumar sangue pela boca, num quadro horrível, mas de que a populaça não perdeu pitada.O prior que o acompanhou, crucifixo na mão que dava a beijar ao condenado, tombou lá do alto, fulminado com uma apoplexia. O padre que avançou para dar a extrema-unção ao colega também caiu desmaiado e teve de ser levado em braços. Depois de Matos Lobo já ter sido sentenciado, um dos carrascos caiu igualmente abaixo do patíbulo e partiu uma perna.Poucos anos depois a pena de morte seria banida no nosso país, um dos primeiros do mundo onde isso aconteceu. ……………………………………………………………………………………….................................................. Editor de opinião Escreve à quarta-feira

terça-feira, 23 de novembro de 2010

No seguimento das fotografias do rio Zêzere antes da barragem do Castelo de Bode, coloco mais esta, que no mínimo eu classifico como espectacular. Meu pai, natural de Rio Cimeiro, conseguia descrever como era o rio naquela zona e eu recordo-o sòmente pelos seus relatos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Certamente terá algum interesse saber a origem do nome de Cernache do Bonjardim. É o recorte de um jornal de há trinta anos e que encontrei hoje. Não sei se terá algum fundamente, mas não deixa de ser curioso.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Alecrim aos molhos

A Rua do Alecrim só aparece com este nome a partir de 1696. Antes chamava-se Rua do Conde, por terem aí propriedades os condes de Vimioso. É uma rua muito antiga, que descia, pela parte exterior, ao longo da muralha fernandina e deve ter começado como um simples trilho para serviço da lavoura, ligando a margem do Tejo ao alto dos Moinhos de Vento, sítio onde hoje corre a Rua D. Pedro V, paredes meias com o Príncipe Real.Conhece-se a origem do nome: uma pequena capela da invocação de Nossa Senhora do Alecrim que existiu na rua, perto do Largo de Camões, à esquerda de quem sobe, inaugurada em 1642 e que o terramoto de 1755 fez em cacos. Menos conhecido e mais engraçado é o modo como nasceu essa Nossa Senhora do Alecrim.Conta Júlio de Castilho na sua Lisboa Antiga (Bairro Alto, volume II) que a ermida foi fundada em 1628 por uma senhora açoriana, D. Ana de Vilhena (mulher do desembargador Álvaro Lopes Moniz), que quando veio para Lisboa trouxe uma imagem da virgem a que tinha grande devoção com a intenção de lhe erigir uma capela.Um dia, nos Olivais, de visita a uma família amiga, por ocasião de uma qualquer festa de rua, viu o seu filho, um garoto de seis ou sete anos, pedir esmolas e dádivas para Nossa Senhora do Alecrim, em jeito de brincadeira. Essa invocação era completamente desconhecida até ali e nunca se soube onde o garoto foi buscar a ideia. Certo é que a mãe não teve mais dúvidas e Ermida de Nossa Senhora do Alecrim ficou. A capela foi-se há muito tempo, mas o nome chegou aos nossos dias. . por António Mendes Nunes, Publicado em 17 de Novembro de 2010 Editor de opinião Escreve à quarta-feira

domingo, 14 de novembro de 2010

Lá ao fundo a construção da actual ponte do Vale da Ursa sobre o rio Zêzere, em primeiro plano a ponte que hoje se encontra submersa. A data desta fotografia, talvez 1940.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Contrato de trabalho

Em Portugal, durante o Estado Novo, isto é, entre o final dos anos de 1920 e 1974 não se podia protestar, fazer greve e muitas coisas mais. A polícia política tratava rapidamente do assunto e como também não havia contratos de trabalho e direito a férias, quando o empregado chatiava e o patrão queria, era o "passa pela caixa, recebe o dia de hoje e adeus". Mas havia formas subtis de tentar dar a volta a isso e alguns galegos, a grande força de trabalho em Lisboa, sabiam-no.Vinham desde finais do século XVIII procurando em Portugal o que a Galiza lhes não dava e ocupavam-se no que os portugueses não queriam fazer. Os mais vivaços trabalhavam nos restaurantes, casas de pasto e tabernas, normalmente como cozinheiros, peritos em fazer petiscos, mormente as célebres iscas, segundo os autores da época, pitéu de comer e chorar por mais. O seu segredo, para além do tempero, era o corte do fígado, finissimo, e o facto de deixarem acumular no fundo da frigideira uma leve camada de carbono (na altura não existia revestimento de teflon), que não deixava pegar os fritos e dava um toque inimitável à lambeta. Iam de visita à terra de 4 em 4 ou de 5 em 5 anos, não tendo garantia de emprego quando regressassem. Antes de partir raspavam cuidadosamente as frigideiras, deixando-as a brilhar, para o substituto não sobressair. Os clientes suspiravam pelo ausente e o patrão também, incomodado com as queixas da freguesia. Quando voltava, o petisqueiro era imediatamente readmitido, graças ao truque da frigideira limpa, afinal o seu verdadeiro contrato de trabalho. . Editor de opinião Escreve à quarta-feira

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Caros amigos, esta é a rua Nuno Alvares em Cernache, há muitos anos atrás.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O meu pai . O Ten. Mendes Nunes e o meu afilhado que me forneceu algumas fotografias, inclusive esta.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nesta foto enviada pelo meu afilhado encontra-se o Zé Largo. De óculos escuros na fila de trás do lado direito.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

terça-feira, 26 de outubro de 2010

alunos do IVS em passeio por Braga. Alunos recentes de há cerca de 20 anos. Espero que se conheçam e entrem no Blog que também é deles.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A ladra da feira

Já aqui escrevi que a Feira da Ladra teria tido início junto ao Convento de S. Bento (actual Assembleia da República), quando ao mercado que os frades faziam com produtos das suas hortas se começaram a juntar populares que vendiam trastes velhos, sobretudo roupas e sapatos. Agora estou convencido que não terá sido bem assim. Essa feira terá dado origem, a pouco e pouco e centenas de anos mais tarde, isso sim, aos muitos antiquários da zona. A origem da Feira da Ladra é muito mais antiga, como Augusto Vieira da Silva nos conta no III volume da sua obra “Dispersos”, editada em 1954. Terá começado, talvez mesmo antes da fundação da nacionalidade, no tempo dos mouros, junto ao Castelo, perdurando ainda aí o nome de Largo do Chão da Feira. Depois ter-se-á mudado para o Rossio por volta de 1430, lá permanecendo até ao terramoto de 1755. Em 1809 mudou para a Praça da Alegria, e depois para o Campo de Santana, transferindo-se para o Campo de Santa Clara em 1881, onde ainda hoje tem lugar. E de onde lhe vem o nome? Alguns autores dizem que ladra é corruptela popular de lada, margem (do rio), como então se dizia, o que não parece verosímil, porque a feira nunca funcionou ao pé do Tejo. Outros, autores, mais modernos afirmam que ladra é corruptela de lázaro, ou ladro, isto é, miserável, reforçando essa tese com o facto de ter havido em Paris uma feira a que chamavam Sainte Ladre, corruptela de Saint-Lazare. Augusto Vieira da Silva, mais terra-a-terra, afirma o nome deverá vir de uma vendedeira que lá tivesse uma banca e, que com razão ou sem ela, tivesse mesmo a alcunha de ladra. António Mendes Nunes - Editor de Opinião - Publicado em 20 de Outubro de 2010 no Jornal i

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Domingos Ardisson

Todas as terras têm excêntricos. Lisboa tem tido muitos, mas nem todos com classe para ficarem na história da cidade. Domingos Ardisson teve-a.A sua origem é obscura, mas aparece-me um David Ardisson fundador da fábrica do Almonda e criador da marca Renova, em 1818. Este Domingos, nascido por 1810, deve ser da família, mas nunca se dedicou a negócios. Passou pela Guarda Nacional, foi graduado em alferes e depois em capitão, de que recebia uma pensão (por amizade de algum político), que não lhe chegava para a vida que levava, de frequentador do S. Carlos, onde se passeava com à-vontade pelos camarins das artistas, mas também dos melhores salões de Lisboa. Morreu já passado dos 70 e no leito de morte, no Hospital Militar da Estrela contava aos amigos que tinha medo que ninguém fosse ao seu enterro. Porquê? A resposta é simples: para levar a vida folgazã tinha por hábito perguntar aos amigos de posses: "Vais ao meu enterro?" Com a resposta positiva, Domingos avançava: "Olha que vais gastar pelo menos 1200 réis no aluguer do trem. Se me deres mil réis agora ficamos quites. Muitos, achando graça davam-lhe o dinheiro. Uma ocasião, Domingos foi assaltado no 3.o andar da Travessa de S. Mamede, onde vivia. Apanhou o ladrão, encostou-lhe uma pistola à cabeça e perguntou: "Quanto tens nos bolsos?" O ladrão respondeu a medo: "Tudo o que tenho de meu são 680 réis." "Serve", disse-lhe Domingos, acrescentando: "Volta quando quiseres!" No dia seguinte Domingos Ardisson dizia, muito alegre, que ia tirar licença no Governo Civil para continuar a explorar a sua nova indústria.

ponto

Editor de opiniãoEscreve à quarta-feira

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Alunos do IVS de há cerca de 20 anos, num passeio à Ericeira. Vejam a diferença das fotos do nosso tempo. Já lá vai meio século.

domingo, 10 de outubro de 2010

Como os tempos mudam !!!!! Esta foto foi-me cedida por um afilhado que fui visitar a Castelo Branco, onde mora. Foi tirada no dia do passeio de alunos do Instituto Vaz Serra, de passagem pela Praia das Maçãs. A fotografia deve ter cerca de 20 anos. Sentado à frente e o 1º junto ao banco está o Presidente da Câmara Municipal de Pedrógão grande ( aluno na altura, presumo ) Agradeço ao Tó, meu afilhado que me emprestou esta e outras fotos, que entretanto colocarei no Blog.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A trapalhada do 5 de Outubro

Por António Mendes Nunes, Publicado em 06 de Outubro de 2010 no jornal i A implantação da República teve aspectos de caricatura que nos lembram as rábulas do Raul Solnado na Guerra de 1908. É interessante ler na História de Portugal de José Mattoso, o VI volume, da autoria de Rui Ramos, que cita abundantes depoimentos publicados nos jornais da época. Sem faltar ao respeito à História nem à memória dos que morreram e se bateram pelos seus ideais (que os houve de ambos os lados) houve trapalhada da grande. Do lado dos monárquicos, as chefias militares estavam ocupadas com as jantaradas que assinalavam a visita do presidente eleito do Brasil, marechal Hermes da Fonseca, chegado a Lisboa no dia 1 de Outubro. Do lado republicano a desorganização na preparação do golpe foi total e as mais distintas figuras ou foram marginalizados pelos operacionais, ou ficaram no conforto das suas casas. Foi o encarregado de negócios da Alemanha, que estava hospedado no Hotel Palace, nos Restauradores (entre os fogos dos dois principais contendores) que acabou, involuntariamente, com os combates. Telefonou para o Quartel-General, pedindo um cessar-fogo para que os civis estrangeiros pudessem ser evacuados para local seguro. Hasteou-se a bandeira branca que indicava as tréguas e o cidadão alemão subiu a Avenida empunhando um lençol atado no pau de uma vassoura, fazendo as vezes de bandeira branca para negociar com Machado dos Santos, que comandava as tropas na Rotunda. Ao verem isso, os monárquicos desmoralizaram e deram-se como derrotados, enquanto os revoltosos pensando que os outros haviam capitulado, acabaram por vir Avenida abaixo abraçar os seus opositores de uma hora atrás!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O verdadeiro Leão da Estrela

Por António Mendes Nunes ***
Se julga que o Leão da Estrela é apenas o filme rodado em 1947 por Artur Duarte, em que Anastácio (interpretado por António Silva), sportinguista de gema, vai ao Porto, de visita ao seu amigo Barata, para ver um F. C. Porto-Sporting, engana-se. Não, o primeiro leão da Estrela foi um animal a sério, um felino de grande juba que Inácio José de Paiva Raposo trouxe de África e doou a Lisboa em 1869. A câmara municipal mandou construir uma jaula e pôs o bicho em exposição no Jardim da Estrela, tendo ficado guardado numas instalações provisórias no Campo Pequeno enquanto a obra se fazia. A imprensa da época conta que o transporte do leão para a Estrela, a pau e corda, ao lombo de doze galegos foi o primeiro espectáculo para os basbaques.
***
A 6 de Maio de 1869, o "Jornal do Comércio" contava que nunca o jardim tinha sido tão concorrido, com o Zé Povinho não só a ver o leão, mas também a atormentá-lo, atirando-lhe paus e pedras e provocando-o com guarda-chuvas e bengalas. A polícia teve de intervir para descanso do bicho.Passados três anos o leão deu em entristecer e deixou de caminhar. João Pedro Correia, veterinário, descobriu a causa da doença: por falta de exercício as unhas tinham crescido tanto que se cravaram na almofada das patas, provocando-lhe enormes dores. Na época ainda não se usavam os dardos anestesiantes, pelo que foi preciso agarrar o leão com uma corda para que um enfermeiro do hospital veterinário e o respectivo conservador conseguissem cortar-lhe as unhas. Isto só foi conseguido após muitas tentativas falhadas, conta o "Jornal da Noite" de 16 de Março de 1872.
***
Editor de opinião
Escreve à quarta-feira

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Bichos na cidade por António Mendes Nunes

Bichos na cidade

por António Mendes Nunes, Publicado em 22 de Setembro de 2010
COM A EPOPEIA dos Descobrimentos, a partir do século xv, Lisboa tornou-se ponto de chegada de coisas exóticas que a Europa olhava com espanto e cobiça. Entre essas novidades havia gentes de vestimentas e costumes estranhos e bichos grandes, feras que os escritores antigos haviam tornado lendas. Elefantes, onças, rinocerontes, leões, avestruzes e vários outros eram mostrados ao povo, que ficava abismado com o poder do seu soberano.
***
Conta-se que terá sido D. Dinis o primeiro a exibir um animal feroz, um urso, no seu Paço de Frielas (hoje vagas ruínas no concelho de Loures). Pensa-se que D. João II já teria dois leões no paço da Alcáçova, no Castelo de S. Jorge (origem da Casa dos Leões, hoje restaurante), mas foi com D. Manuel que essa magnificência foi levada ao extremo. A "Crónica do Felicíssimo Rei Dom Manuel" (Damião de Góis, 1586) conta- -nos essas histórias fabulosas. Abrimos a boca de espanto, não só pela descrição das cobras de mais de 25 metros (40 côvados), mas de elefantes que sabiam escrever e outras maravilhas. Mais verídica é a descrição de um combate que o rei Venturoso mandou organizar num pátio do seu Paço da Ribeira entre um elefante e um rinoceronte, em Fevereiro de 1517. O elefante, muito jovem, assustou-se, arrancou com a tromba as grades de uma janela e fugiu, só parando no Paço dos Estaus, no Rossio. Esse foi o rinoceronte oferecido ao Papa Leão X, em Outubro, mas a nau em que seguia naufragou em Génova e o bicho morreu afogado. Esfolaram-no e encheram a pele com palha. Foi isso que o Papa viu, mas mesmo assim, segundo Damião de Góis, com muita atenção e espanto! Editor de opinião Escreve à quarta-feira

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Esta foto tem cerca de 60 anos. No almoço em casa do António Garcês conseguimos identificar alguns dos retratados, mas como a idade não perdoa, esqueci-me dos nomes. Quem dá uma ajuda? (é óbvio que ainda reconheço o Sr. Libânio Vaz Serra e o meu Pai...)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sabem quem é esta simpatia de menina? Para mim, a melhor fotografia do dia.
Beijinho para ti
Mais um " jovem" do nosso tempo. Esteve no encontro no Cartaxo em casa do Garcês. adivinhem !!!
A boa disposição reinou como atesta esta imagem. Quem é? Quem é? Dou um docinho a quem identificar.

domingo, 12 de setembro de 2010

Aqui parece triste, mas esteve tão bem quanto qualquer um de nós. A minha pergunta: Quem é este " jovem" ?
Mais um encontro muito emotivo após cinquenta e tal anos do nosso querido I V S. Não vou identificar os "meninos" e "meninas". Deixo essa tarefa a todos os visitantes do blog. Um grande abraço para todos e muito obrigado pela vossa visita.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Hoje apresento-vos o programa da Festa dos Finalistas do ano lectivo de 1962-1963, que teve lugar no dia 24 de Novembro de 1962.

Dia difícil de esquecer, em especial, para os finalistas desse ano.

Como podeis constatar, a nossa Festa não terá sido (de certeza) inferior a outras realizadas em estabelecimentos congéneres.

Existia, na altura, uma certa competição neste tipo de eventos, e, tanto quanto me recordo, o nosso Instituto Vaz Serra esteve sempre entre os primeiros.

Mas vamos ao programa.

Às dez horas da manhã foi rezada Missa no Seminário das Missões.

À tarde, após a entrega dos prémios conquistados nas diversas provas desportivas, seguiu-se um encontro de futebol entre a equipa dos finalistas e o Centro Liceal e Técnico da Sertã, estabelecimento que dava os primeiros passos na área da educação.

O resultado desse encontro, foi um claro 10-1 a favor da equipa de finalistas que alinhou de início com:

Paulo Farinha, Hélder Serrano, Cavaleiro, Bastos dos Santos, Pinho Flor, Peres, Teixeira, Simões, Vicente, Salvado e Fernando Lopes.

Marcaram: Pinho Flor (1), Teixeira (3), Simões (1), Vicente (2), Salvado (1) e Fernando Lopes (2).

Finalmente, chegava a noite, e a excitação crescia, pois o programa era aliciante.

Principiou com um sarau de variedades, apresentado por Carlos Cruz, que encetava a sua vida profissional em Portugal, e um “naipe” de artistas de se lhe “tirar o chapéu”.

Juntar João Maria Tudela, Marina Neves e os “Conchas”, em Cernache do Bonjardim, foi um arrojo da excelente “Comissão” que teve a seu cargo a organização desta “Festa de Finalistas”.

Finalmente, o baile com que terminava todos os anos este evento.

Vindo de Torres Novas, o “Conjunto Tibúrcio” tocou e encantou até às seis da manhã, para quem conseguiu dançar até essa hora.

Tudo isto se passou há quarenta e oito anos …

Um abraço amigo do

Paulo Farinha

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Festa de Finalistas do Ano Lectivo de 1962-1963

Hoje partilho convosco, uma das fotos tiradas nessa noite do século passado, precisamente no dia 24 de Novembro de 1962.

Brevemente colocarei o intenso programa desse dia inesquecível para os finalistas desse ano, adiantando que se iniciou com uma missa solene no Seminário das Missões, passando por uma excelente tarde desportiva e terminando à noite com um sarau e o respectivo baile de finalistas.

Na foto acima, temos da esquerda para a direita: Fernando Lopes, José Luís Flor, Maraia de Fátima Sequeira, Fernado Araújo, Maria do Céu Lopes, José Vicente, Alzira Moreira, José Luís Martins, João Cordeiro Simões, José Paulo Farinha, António Cavaleiro Teles, José Bastos dos Santos e Tavares Paixão.

É óbvio que faltam nesta foto imensos colegas.

Valendo-me da minha memória, recordo: Esmeralda Nunes, Porfírio Paiva, Dantas, Armando Coelho, Neves Francisco, Helder Serrano, Carlos Salvado, Peres, Aires, Teixeira, Bell Ferreira, António Jorge Pimentel, Torres Ferreira e o Delfim Guimarães.

Estou convicto que me faltam ainda três ou quatro colegas, pois éramos cerca de trinta os finalistas desse ano.

Desculpem-me os que não mencionei, mas era interessante os “lesados” recriminarem esse esquecimento.

Um abraço para estes sexagenários e para todos que nos visitam.

Paulo Farinha

Estatísticas do Blogue

Publico hoje as estatísticas da visualização do blogue. O blogue é muito mais visto do que é aparente:
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77
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35
Visualizações de páginas no último mês
1 896
Histórico total de visualizações de páginas
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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Recordar

É assim, amigos, procurando bem sempre vamos encontrando mais uma recordação do nosso IVS. A fotografia já não está nas condições ideais, já lá vão muitos anos, mas dá para reconhecer estes meninos. Da esquerda para a direita: Norberto Crisóstomo, António Antunes, Francisco Alcobia, ???, e António Garcez. Por razões de saude, um especial abraço para o Norberto e vão aparecendo por aqui que serão muito bem vindos.
Abração para todos

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O nosso Joaquim Cabrita Neto

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Regional

Presidente da República Cavaco Silva galardoou algarvios no Dia de Portugal (com fotos)

Joaquim Cabrita Neto (ex-aluno IVS) Comendador da Ordem de Mérito
Quatro algarvios e uma instituição da região foram galardoados pelo Presidente da República Cavaco Silva com diferentes ordens na Sessão Solene do Dia de Portugal, que decorreu no Teatro das Figuras, em Faro.
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Joaquim Cabrita Neto, Adriano Pimpão, Celestino Monteiro, João Pires e a Fundação Irene Rolo foram distinguidos pelas suas ações em prol da nação.

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O ex-Governador Civil de Faro Cabrita Neto, que desempenhou igualmente funções como deputado e foi um ativo líder da Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve é, desde a passada semana, Comendador da Ordem de Mérito, uma distinção que se destina a galardoar atos meritórios ou que revelem «desinteresse e abnegação em favor da coletividade».

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Por ter dedicado boa parte da sua vida a salvar a dos outros, o nadador-salvador Celestino Monteiro foi distinguido como Oficial da Ordem do Mérito.

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Este veterano salvou uma das vítimas da queda de parte de uma falésia na Praia Maria Luísa, em Albufeira, evitando que a tragédia fosse maior.

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Já a Fundação Irene Rolo é, desde a passada semana, membro-honorário desta ordem.

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Pelos serviços prestados a Portugal, dentro e fora de portas, Adriano Pimpão, ex-reitor da Universidade do Algarve e atual presidente do Banco Alimentar Contra a Fome do Algarve, é agora Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique.

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João Pires, empresário da construção civil, foi o outro algarvio que recebeu uma distinção no passado dia 10 de Junho, a de Comendador da Ordem do Mérito Agrícola, Comercial e Industrial – Classe do Mérito Industrial.

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Nota de rodapé: Extraordinário como as feições de Cabrito Neto continuam com os mesmos contornos. Reconhecê-lo-ia em qualquer lado. Daqui vai o meu abraço ao Cabrita Neto.

Café Académico

Ontem, 22 de Agosto de 2010, passei por Cernache e fui matar saudades dos locais da minha infância e parte da juventude. O Café Académico está encerrado há já alguns anos mas a curiosidade foi demais e fui espreitar através dos vidros da porta. O interior está exactamente igual ao que era há 50 e tal anos atrás. O aparelho de televisão, as mesas, as cadeiras são as mesmas, aquela figura de um estudante de capa e batina ainda está no mesmo local, enfim, tudo está como naquele tempo, até me pareceu "ver" o pessoal de farda amarela andando de um lado para o outro. Acreditem que senti alguma emoção.

Mudanças no blogue

Terão todos reparado que houve mudanças no blogue, nomeadamente quanto ao visual, mas não só. A autora é a Débora, neta do Saúl, que acaba de nos demonstrar a sua habilidade gráfica. A Débora chamou-me construtivamente a atenção para a inércia do blogue e fez-me uma proposta concreta já com os esboços anexos. E eu lancei-lhe o repto, que ela aceitou e fez boa a sua proposta.
Parabéns, Débora! Já ninguém pode duvidar que és uma das nossas, tal como o é o teu vovô Saúl a quem, por teu intermédio, também lancei um deasfio para que participasse no blogue e aí está ele em força.
Parabéns, Saúl!
Aos dois o meu reconhecimento e o meu abraço,
Sérgio

Recordações

Não sendo um ex-aluno do IVS, mas sendo um Cernachense de coração e depois do convite da minha neta Débora para colaborar no blog deste memorável Instituto e sendo possuidor de muitas recordações em fotos, heis me presente com duas fotos que certamente alegrarão e com muita saudade do impulsionador desta obra (IVS), o Sr. Comendador Libânio da Mata Vaz Serra e dos seus filhos saudosos Fernando Vaz Serra e Manuel Vaz Serra. Na nossa subida de divisão, os jogadores foram convidados a visitar o Sr. Libânio, onde o interlocutor foi o jogador e aluno do IVS, o Parente (como na foto acima).

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O prometido é devido.
Inicío a minha participação no nosso "blog", com duas fotos, tiradas no mesmo dia, dos saudosos anos 60.
Na primeira foto temos a equipa campeã do torneio "inter-turmas" do nosso IVS, no ano lectivo 1961-1962.
Da esquerda para a direita, temos em primeiro plano: Bruno, Vicente, Torres, Simões e Fernando Lopes.
Em segundo plano, pela mesma ordem: Araújo, Paulo Farinha, Flor Marques (capitão), Cavaleiro, Martins, Bastos dos Santos, Helder Serrano, Porfírio Paiva e Wolfang "Alemão" (massagista).
Neste torneio, a equipa conquistou quatro vitórias, tendo somente conhecido uma derrota (2-1) com a equipa do 5º. ano, na primeira fase.
Obteve 10 golos, marcados por Vicente (6), Bruno (3) e Simões (1) e sofreu 5 golos.
Desta equipa foram totalistas, além de mim: Cavaleiro, Flor Marques, Bruno, Vicente, Fernando Lopes, Simões.
A segunda foto, assinala o momento do pontapé de saída do jogo da festa de entrega do troféu e das respectivas faixas de campeão.
Como se pode constatar, o pontapé de saída nessa partida, arbitrada pelo amigo de todos nós, o inolvidável José Oliveira, foi dado pela querida e inesquecível colega Alzira Moreira (Ziza), estando o Vicente, o Torres e o Simões prontos para iniciar a festa de consagração.
Recordo com saudade os que já partiram e gostaria de poder estar com os que já não revejo há, pelo menos, quarenta e tal anos.
Sugiro que um dia destes um reencontro no nosso IVS, até porque o actual Director, o Dr. Carlos Miranda, que em imaginação e liderança tem um pouco do nosso saudoso Dr. Gil Marçal, decerto se sentiria honrado em nos receber.
Pensem nisso e até à próxima.
Um abraço para todos do
Paulo Farinha

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Almoço no Luso 1954

Do nosso amigo Prof. Ferreira de Lerena recebi o seguinte mail. Obrigado prof., claro que tem muito interesse e fica registado para a posteridade no blogue. Grande abraço.
Da esq.: Prefeito Porfírio Paiva, Dr. Gil Marçal, Prof. Ferreira de Lerena
De cócoras: ? e Parente Esteves
From: António
Date: 08/16/10 21:28:23
Subject: IVS.
Caros Amidos António Garcez e Sérgio Lopes.
Hoje, ao procurar umas fotos de estimação, depsrou-se-me mais uma do nosso IVS, de 1954, por ocasião do já falado passei a Figueira da Foz. Já estávamos com uns "copiitos" a mais, pois no autocarro até à Figueira, depois do almoço em Coimbra, o Dr. Gil encarregou o Parente Esteves de oferecer brandy aos homens. Chegada a minha vez, como me recusava a beber todo o conteúdo do cálice, grita o Gil Marçal do seu lugar:– "Ó Parente, o sr Ferreira que beba tudo e mete-lhe pela goela abaixo outro copo". E assim cheguei à Figueira bastante zonzo. Mas vejam a figura do Dr. Queiroz, sentado à direita. Parece pior do que eu.
Da esquerda para a direita podem ver-se:-
– juntoi ao muro:- prefeito Paiva, Dr. Gil Marçal, eu, Profesor Queiroz
– de cócoras - Professor Campos e aluno Parente Esteves.
Não sei se vos recorda os bons velhos tempos (em que eu era novo...) e se tem algum mérito.
Um abraço.
Lerena.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Tromba d’ Eiró

Entrei, de mão dada com a minha tia Laura. Sentei-me lá ao fundo numa cadeira velha. Os pés pendurados porque não chegavam ao chão. As cadeiras eram todas velhas, assim como a barbearia e o seu dono: O tromba d’Eiró.

Nós íamos cortar o cabelo num dos barbeiros da terra. Cabeleireiras, só alguns anos mais tarde. Muito mais tarde...

O tromba d’Eiró, além de velho, era também manco.

A tesoura estalava por cima do pente na cabeça dos clientes.

Dava tesouradas no ar, onde não havia cabelo. Nunca entendi porque razão fazia aquilo. Seria moda ?

A alcunha não sei quem o inventou. Toda a gente o chamava Tromba d’Eiró. Cabeça pequena, no alto do pescoço semelhante a um galo de “ pescoço pelado”, cabelos brancos e muito magro.

Já naqueles tempos, quando eu era pequena, seria nos tempos de agora, uma barbearia unisexo, uma vez que cortava cabelos a homens e mulheres.

A minha tia também se sentou e enquanto lia uma revista, a “ matar” o tempo, o barbeiro ia puxando conversa:

-- Tem chovido muito ! O tempo está mau !

A minha tia ia acenando com a cabeça sem vontade de responder. Eu não tinha voto na matéria. Encolhida na cadeira esperava pacientemente a minha vez.

A barbearia tinha um calendário sujo e com um gatinho deitado num tapete azul. Sim. A barbearia não tinha calendários com mulheres nuas. Era de respeito !

E o Tromba d’Eiró ia tesourando ora no cabelo do cliente, ora no ar.

Eu olhava, admirada com a “ mestria” do artista.

A barbearia ficava situada na rua principal, perto do mercado. Na rua, os passantes, iam olhando e um ou outro, juntamente com um comprimento, também paravam e faziam um comentário. Mas o barbeiro, entretido no corte do cabelo, não dava muita importância.

É que, enquanto nós, cachopos pequenos, não contávamos para o tempo de espera, nem para o lugar que ocupávamos, a menina Laurinha, não ! Essa era fina e havia que lhe prestar mais atenção. Já não seria muito jovem, mas era uma senhora algo bonita e com formas físicas ainda bem proporcionadas. E era a minha tia!

O barbeiro, embora velho e manco, tinha gosto apurado , em relação às suas clientes. O homem tinha bom gosto e a mulher sabia-o. Não saía da barbearia. Mas ele, esperto, mandava-a aos recados. Mandava-a à farmácia ou a qualquer sítio longe.

Enquanto ela ia e vinha com o recado cumprido, ele ia enchendo os olhos com quem lhe aparecia pela loja.

A menina Laurinha era dessas clientes que, quando precisava de cortar o cabelo, dava pretexto para a mulher do Tromba d’Eiró ter de fazer um recado bem longe.

O espelho com as bordas carcomidas pelo tempo, servia, também para reflectir a imagem dos clientes sentados junto à parede.

O balcão onde pousava a navalha, o púcaro da água, o pincel e o sabão “ pinta azul” eramos únicos utensílios usados pelo barbeiro. A tesoura continuava a dar tesouradas ora no cabelo, ora no ar. O pente também girava de um lado para o outro, ligeirinho por entre os dedos do mestre e o cabelo do freguês.

E o Tromba d’Eiró, olhando de soslaio a Laurinha, sentada na cadeira, sem lhe dar grande importância, coisa que o arreliava grandemente.

A barbearia era pequena. O espelho dava a panorâmica de um canto ao outro. O freguês finalmente acabou de ser atendido e uma nuvem de pó de talco inundou-lhe o pescoço. É que o barbeiro entusiasmado apertou com mais força a pequena bomba cheia de pó cheiroso, pensando que poucos minutos depois estaria com a menina Laurinha sob a sua tesoura.

Este pagou e foi embora. Entrei eu. Claro! Uma data de tesouradas e o cabelo lá ficou com umas pontas cortadas e outras mais ou menos. Agora vai-te embora !

Mas a menina Laurinha ! Essa, sim, era já a seguir ! Mas aí tinha que ter mais cuidado.

Colocou a toalha em volta do pescoço, devagarinho, acompanhada de uma data de salamaleques. Afinal não era todos os dias que tinha uma freguesa daquelas.

Penteou, penteou, cortou, penteou, cortou ....

Mais um jeitinho daqui, mais uma tesourada dali e o Tromba d’Eiró foi-se entusiasmando e cortando, cortando. Estava nas nuvens com a cabeça da Laurinha nas suas mãos.

Finalizado o serviço e olhando o espelho, ela soltou um grito de susto.

É que no meio do entusiasmo quase ficou sem cabelo.

Abriu muito os olhos e perguntou aflita:

-- Cortou tão curto ? E agora ?

Ao que o Tromba d’Eiró respondeu sem perder a calma:

-- Agora ? Não se preocupe. É bem de raíz, com o tempo volta a crescer !!

Natércia Martins

2010

História mais ou menos verdadeira passada em Cernache lá pelos anos 40. A barbearia do Tromba d'Eiró ficava muito perto da loja dos Pivetas.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

José Saul

Quem se recorda destas três glórias do futebol em Cernache?
Esta fotografia foi feita durante uma justíssima homenagem que decorreu em Cernache do Bonjardim.

sábado, 7 de agosto de 2010

A Costureira

Do Prof. Ferreira de Lerena, recebi este desenho que não resisto a partilhar com todos os amigos que visitam o nosso blog. Trata-se de um desenho todo ele executado no programa PAINT.
Parabéns Professor pelo seu trabalho e pela paciência também.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ESPECIALISTA - HISTÓRIAS DE LISBOA

Por obra e graça

por António Mendes Nunes, Publicado em 04 de Agosto de 2010

QUANTO CUSTOU a Basílica da Estrela? A questão arrastou-se durante quase dois séculos. Construída entre 1779 e 1789, por um voto de D. Maria I, foi muito criticada, porque nessa altura já os soberanos da Europa das Luzes não construíam templos sumptuosos, aplicando o dinheiro em obras mais produtivas, como estradas, pontes, escolas e afins. Sobre o assunto vale a pena ler "Quanto custou a Basílica da Estrela", um trabalho da autoria de Luís A. Walter de Vasconcelos, editado pela Câmara Municipal de Lisboa (1989). É um trabalho de académico escrito em linguagem muito clara e bem-disposta, que se lê de uma penada.

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Afinal parece não ter custado tanto como se especulava, porque D. Maria I soube fazer economias: o terreno era de seu marido (e tio), D. Pedro III (fazia parte da Casa do Infantado), os arquitectos eram funcionários públicos (Mateus Vicente de Oliveira e Reinaldo Manuel dos Santos) e até o principal escultor, Joaquim Machado de Castro, pertencia aos quadros do Estado. Quanto ao custo total, não terá ultrapassado os 3,5 milhões de cruzados, a preços actuais, qualquer coisa como 15 milhões de euros. E se assim foi, saiu barato!
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Quem saiu prejudicado, e muito, foram os frades da Estrelinha (mesmo em frente, onde está agora o Hospital Militar), que ficaram sem a água do poço e com a horta em fanicos, o pátio soterrado sob toneladas de pedra, necessária para a obra, com a cerca escavacada pelas bestas de carga e pelos rodados das carroças que traziam os materiais. Pediram à rainha uma indemnização pelos estragos e pelos anos de desassossego, mas nunca viram um centavo.

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Editor de opinião

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um " doce" a quem adivinhar quem são estes três " velhotes ......

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Antónia Moreno

por António Mendes Nunes, Publicado no jornal i em 28 de Julho de 2010 Antonia Gómez nasceu em Huesca, Espanha, na década de 1820. Em 1857, já como Antónia Moreno e alguma experiência como actriz, desagua em Lisboa. Instalou-se no n.o 61 da actual Rua da Misericórdia, num quarto do 1.o andar, onde funcionava um bordel de luxo. Antónia trabalhou como actriz, efectivamente, mas os seus objectivos eram outros: ganhar dinheiro, muito dinheiro. E conseguiu-o. Não teve necessidade de começar pelo princípio, como Emília Clara, a nossa biografada da semana passada. Antónia, que já tinha a lábia toda, atirou-se de cabeça e tratou de arranjar amantes ricos junto da aristocracia boémia, e sobretudo da burguesia muito endinheirada. O primeiro pato foi um sujeito de nome Vieira, armador de navios do tráfico de escravos. A Moreno apanhou-lhe tudo, incluindo uma quinta que o tanso tinha na Terrugem, no concelho de Sintra. Muitos outros se seguiram. Se é verdade que se meteu no negócio, nunca deu a cara. Com o dinheiro que foi ganhando tomou de trespasse o bordel da Rua da Misericórdia e depois comprou todo o prédio. Mandou vir de Espanha uma carrada de jovenzinhas de boa pinta, comprou mais uns prédios no Bairro Alto e instalou uma rede de "colégios" (nome que se dava aos bordéis de putas finas e novinhas) administrados por patroas da sua confiança. Por essa altura a Antónia já só andava em muito boas companhias. Em 1869 assinou o camarote n.o 47 do S. Carlos, deixado vago pela condessa de Edla (esposa morganática do rei D. Fernan- do II), que havia passado para o camarote até aí do conde de Farrobo. Fumava charutos vindos expressamente de Cuba e jantava regularmente com os rapazes dos clubes chiques de Lisboa, como aconteceu pela última vez em Junho de 1899, já muito gorda e na casa dos 70 anos, dois meses antes de morrer, vitimada por tifo. Editor de opinião

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Vista Saul

Visita do Saul

Foi com muita alegria e alguma emoção que, no passado dia 24, recebi a visita deste nosso amigo acompanhado da sua esposa. Quem não se lembra do Saul dos tempos memoráveis do Grupo Desportivo Viação de Cernache? Embora há já trinta e muitos anos no Brasil, não deixa de vir a Portugal visitar os muitos amigos que cá deixou. Tenho o previlegio de ser um deles e durante a sua visita a minha casa tivémos oportunidade de recordar factos e pessoas de alguns anos passados enquanto saboreávamos umas belíssimas sardinhas assadas regadas com bom vinho aqui do Cartaxo. Obrigado Saul pela visita e no próximo ano cá te espero.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Do Luis Filipe Galinha recebi estas documentos. Reparem que na data riscaram colégio e colocaram IVS.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

MYWAY ARTISTA - Frank Sinatra

MYWAY ARTISTA - Frank Sinatra

Fintar o destino

EMÍLIA CLARA nasceu no Minho em 1853. Aos 17 anos rumou a Lisboa e caiu na prostituição. Tinha tudo contra ela: era provinciana, analfabeta e pouco sofisticada. Apesar da imagem romântica que chegou aos nossos dias, juntando fidalgos e carroceiros, fadistas e prostitutas em tabernas e lupanares, a prostituição estava socialmente muito estratificada. O destino mais certo da Emília era entregar-se, a troco de 40 réis por cliente, numa alfurja da Mouraria, do Bairro Alto ou da Esperança, onde viviam as putas mais baratas, levar pancada do chulo e acabar na miséria. Mas Emília Clara contrariou o destino. Era inteligente, aprendeu a ler e escrever, abonecou-se e frequentou os locais certos, onde aprendeu a conversar e a desenvolver os dotes de cortesã e a cobrar mais de 2 mil réis por companhia. Aos 30 anos, já famosa e conhecida como A Lavradeira, era dona de um dos mais refinados bordéis de Lisboa, em plena Baixa, na Rua da Prata (à época a prostituição era legal). Depois teve outros, cada vez mais luxuosos, frequentados pela mais elegante, rica e distinta sociedade lisboeta. Emília tornou-se figura notada na sociedade da capital. Não falhava os desfiles de Carnaval na Avenida, primeiro em caleche e depois em automóvel, ao lado do marido, e era figura notada na procissão da Senhora da Saúde, sempre descalça e junto ao andor e ao infante D. Afonso, irmão do rei D. Carlos. Morreu em 1908, com 55 anos, de derrame cerebral. O seu caixão foi transportado para o Minho numa carruagem de comboio especial cheia de flores e, como se pode ler no “Diário de Notícias” e no “Século” de 21 de Novembro de 1908, em testamento deixou ao marido um legado avaliado em 73 contos de réis. Mais de milhão e meio de euros, ao câmbio actual. António Mendes Nunes - Editor de Opinião

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Crónicas do AntónioMN

ESPECIALISTA HISTÓRIAS DE LISBOA

Fado Anadia

por António Mendes Nunes, Publicado em 14 de Julho de 2010
José Joaquim Pereira Caldas era dono de um retiro fora de portas e tinha um criado chamado Bitoque, bronco, mas boa pessoa, que dizia aos clientes "se tem pressa vá você buscar a comida. Eu não sou seu criado, sou criado do meu patrão", como já lhe contámos na semana passada. Tem boas histórias este retiro José dos Pacatos, em meados do século xix, um pouco acima do que é hoje a Praça do Chile, na então chamada Estrada de Sacavém. José Maria Pereira Caldas era afilhado de baptismo de D. José Maria de Sá Pereira Menezes Pais do Amaral, 4.o conde da Anadia, fidalgo tido e batido nas esperas de toiros que se faziam às portas de Lisboa. Conta Tinop que o conde era "um pândego de truz, gostando de fado mas não tocando guitarra nem cantando". D. José Pais do Amaral tinha uma protegida de peso, a Cesária, fadista bem apessoada, bonita e de voz afinada. Não era sua amante, como a Severa do conde de Vimioso, era antes uma amiga que ele gostava de ouvir cantar e a quem protegia.
O 4.o conde da Anadia morreu aos 31 anos, em 1870, deixando três filhos e muita saudade nos que com ele privaram. Quatro anos depois, em 1879, o guitarrista José Maria dos Cavalinhos compôs um fado a que chamou Anadia, em sua homenagem. Cesária cantou-o e a música tornou-se um clássico. Meio século depois, uma outra fadista e fidalga, D. Maria Teresa de Noronha, haveria de voltar a interpretá-lo de forma soberba. Será que Miguel Maria de Sá Pais do Amaral, 2.o conde de Alferrarede, homem de negócios, ex-patrão da TVI e campeão de automobilismo, alguma vez ouviu o fado composto há mais de um século e dedicado à memória do seu trisavô?
Editor de opinião Escreve à quarta-feira