quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Pai Natal português nasceu em Lisboa

Numa reportagem publicada há dias no jornal i podia perceber-se que o costume de comemorar o Natal com a árvore em vez do presépio e com os presentes a serem dados pelo Pai Natal em vez de ser o Menino Jesus a fazê-lo não tem, em Portugal, mais de 50 ou 60 anos. Sendo um costume importado dos países nórdicos e anglo-saxónicos, porque é que a árvore de Natal substitui tão depressa o tradicional Presépio? Não custa adivinhar. É mais fácil de fazer, tem um efeito feérico maior e liga-se mais à época de consumismo em que a quadra se transformou. Se todos os que têm mais de 60 anos se recordam de, na sua meninice, não estar esse costume muito divulgado, diga-se que a sua chegada deu-se antes de meados do século XIX. Quem, pela primeira vez se terá vestido de Pai Natal para entregar presentes aos filhos foi Dom Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, que passou à história como D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II. Essa lembrança trouxe-a D. Fernando da sua Eslováquia natal e das cortes austríacas e alemã. Na noite de Natal, no Palácio das Necessidades, vestia um largo capote com capuz e enormes bolsos e transportava neles os brinquedos. Na colecção do Palácio da Ajuda há um desenho a água-forte, datado de 1848, executado pelo próprio D. Fernando II, em que se vê, em traje de Pai Natal, a distribuir os brinquedos pelos seus filhos D. Pedro, D. Luís, D. Maria Ana, D. João, D. Antónia, D. Fernando e D. Augusto, que parecem muito divertidos com a brincadeira. Assim se pode dizer que o Pai Natal português nasceu em Lisboa. Por António Mendes Nunes, editor de Opinião, publicado no jornal i em 30 de Dezembro de 2009

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Pedido

Sentado junto à lareira, com olhos fixos na chama, um menino de olhos esbugalhados, pensava no Natal.

Um dos irmãos ouviu na escola que o Pai Natal trazia presentes aos meninos que se portavam bem, que andava vestido de vermelho e um enorme saco às costas. As renas e o trenó paravam junto às chaminés e nunca se cansavam.

Então, ali ficou pensando que se tivesse sido bom menino, certamente teria o seu presente. Os irmãos brincavam e faziam barulho. A casa era pobre e tanto o Sol, no Verão, como o luar, em noite de lua cheia, entravam por entre as frestas das telhas.

E o menino olhava para as labaredas, no borralho, na esperança vã de um presente.

Na mesa não havia bolo-rei, rabanadas, filhós ou arroz doce.

Isso era para os ricos !

A comida era sempre pouca, e uma sardinha partida ao meio já era bom manjar.

O naco de broa comia-se devagar a “ fazer render” porque não havia mais.

E o menino olhava, olhava, e o Pai Natal que não chegava.

__ Eu quero uma bola, dizia a irmão.

__ Eu quero uma boneca, como que a dizia a irmãzita.

__ E tu ? Perguntou-lhe um dos irmãos, mas nem esperou pela resposta, correndo, como que a fugir da resposta, que nem ouviu.

E o menino ficou sentado na lareira, pensativo.

De vez em quando, vencido pelo sono, a cabecita deslizava para a frente. Mas ele teimava em ficar ali sentado. Queria ver e talvez falar com o Pai Natal.

Imaginava um homem velho, de barbas brancas, vestido de vermelho que carregava um grande saco cheio de sonhos. Sonhos de meninos ricos e pobres. Mas ele era pobre. De certeza que passava pela sua casa e nem olhava. Passaria à frente ?

A casa tinha pouca coisa. Uma mesa, bancos e a lareira, que com a chama dava calor e também luz.Algum conforto.

O pai trabalhava na fábrica. Os irmãos mais velhos iam suportando conforme podiam a falta da mãe que, com grava doença, morrera há já algum tempo.

A avó aparecia lá por casa de vez em quando. Arrumava e deixava comida feita. Ele, homem duro, trabalhador de fábrica no sector das máquinas pesadas, acarinhava como sabia e o gene humana, lhe permitia, os filhos. Casar, de novo, estava fora dos seus planos. Havia de se “ desenrascar”. E lá ia fazendo a sua vida.

Como era noite de Natal, atiçou a lareira um pouco mais com gravetos que trouxe do pinhal, propositadamente para aquela noite, ficando assim a arder pela noite dentro.

Olhou o filho sentado ao lume.

Estranhou. O menino não costumava ficar assim tão quieto.

Pegou-lhe ao colo. Um beijo, enquanto o filho lhe enlaçou o pescoço com os bracitos frágeis. Dos olhos do homem rude rolaram duas grossas lágrimas que se alojaram nas faces rosadas do filho.

__ Filho, o que foi ?

__ Gostava de ver o Pai Natal.

__ O Pai Natal só passa lá pela noite dentro. Vou por-te na cama.

__ Mas eu não quero dormir ....

__ Os teus irmãos já dormem !!

__ Não quero. Tenho que pedir uma coisa ao Pai Natal.

__ Diz-me o que queres .

O menino ficou calado. Olhou a chaminé, depois a porta e disse:

__ Eu quero a minha mãe !!!!

Natércia Martins

2009

domingo, 27 de dezembro de 2009

Boas Festas

A todos os Colegas, Professores e Amigos Um Grande Abraço de Boas Festas com votos de um Novo Ano repleto de Saúde Paz e Amor. António Fabre

Um Forte Abraço par o SAUL

Amigo Saul Esta mensagem é especial para Ti Os anos que nos separam não conseguem separar os Amigos. Gostei de saber que fazes parte parte deste grupo dos vivos. Um grande abraço Saul e votos de um bom Ano Novo António Fabre

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O presépio da Estrela

Os festejos de Natal assinalando o nascimento de Jesus iniciaram-se apenas por volta do ano 340. Até aí a festa não constava no calendário cristão, mas já existiam há mais de um milénio umas festividades pagãs que foram passando de cultura em cultura e de religião em religião e que, perdendo-se na noite dos tempos comemoravam a chegada do solstício de Inverno. No império romano tinham o nome de saturnálias e desenrolavam-nas em honra do deus Saturno, havendo relatos de ser já uma época de festejos e troca de presentes. E foi na tentativa de cristianizar essas festas de forte enraizamento popular que a igreja fez coincidir a data com o nascimento de Cristo. E quanto ao presépio, um dos símbolos mais chegados a esta data? Conta-se que foi S. Francisco de Assis quem teve a ideia de montar uma representação ao vivo, numa mata, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem e de S. José, a que juntou um burro e uma vaca, ao vivo, celebrando nesse cenário uma missa de Natal, em 1223. No século XVI, o Renascimento recuperou esse quadro e a imaginação popular foi acrescentando outros elementos. Há notícia da existência de dois ou três presépios em Portugal já no século XVI, mas apenas se divulgaram em força no século XVIII. Bom e o que é que Lisboa tem a ver com tudo isto? Muito. Aquele que é considerado o mais belo presépio português está na Basílica da Estrela, executado na oficina de Mestre Machado de Castro, por volta de 1782. Já foram cerca de 600 figuras de terracota pintada. Hoje são à roda de 400, umas perdidas, outras partidas e várias roubadas. Esta obra tem ainda a particularidade de representar, pela primeira vez entre nós, os Reis Magos substituindo os pastores como os portadores dos presentes para o Menino Jesus. por António Mendes Nunes, Publicado em 23 de Dezembro de 2009 no jornal i

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Grupo Desportivo Viação de Cernache

Nota do Sérgio: Usando do privilégio de administrador, aqui vai uma adenda à foto, recebida do António Gracez:
De pé e da direita para a esquerda:
Victor, Marques, Evaristo, ??, Chico, Artur e Brilhante.
Em baixo: 3 pés, Amâncio, Saul, ??, e Castanheira.
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Tenho passado horas dos meus serões á conversa com o Saul e a trocar fotografias do tempo em ele era jovem e jogava futebol em Cernache. Tem sido uma emoção enorme falar com ele e ve-lo através do messenger com camara de video, ele está a 6.400 kms de nós.
Vou colocar esta foto da equipa de futebol (não posso precisar o ano), eu consegui identificar quase todos os elementos e deixo aqui um desafio aos colegas para que tentem fazer essa identificação.
Esta deve ser a ultima vez que entro no blog este ano. Gostaria de deixar aqui um apelo aos nossos colegas que " espreitam " o blog. Não tenham vergonha de entrar, critiquem se for o caso, mas entrem e partilhem com todos nós tudo o que possuem relacionado com o IVS. Eu sei que, embora não entrem, ficam emocionados quando recordam a nossa passagem por aquele colégio que infelizmente já morreu, mas que está bem vivo na memória de todos nós e que, recordar os tempos em que Cernache era um alfobre de gente que ao longo da vida pôs em prática os ensinamentos adquiridos naquela escola, é dar-lhe ainda um pouco de vida.
Esta é a minha modesta mensagem de Natal. Por mim, obrigado por todas as emoções.
FELIZ NATAL

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Santa Apolónia

A estação de Santa Apolónia apenas existe desde 1865, quando o edifício foi inaugurado, nove anos depois de se ter efectuado a primeira viagem de comboio entre Lisboa e o Carregado e 20 anos depois de Costa Cabral, primeiro-ministro de D. Maria II, ter arrancado com os estudos para esse novo meio de transporte. Desde 1856 até 1865 serviu como terminal de passageiros o pequeno convento de Santa Apolónia, hoje integrado no enorme complexo, mas cujo portal da igreja ainda se pode ver na fachada virada para a Rua de Santa Apolónia. Todos aqueles terrenos ribeirinhos eram chamados "de praia". Não havia passagem para norte e Lisboa acabava ali. Lá ficava o Cais do Tojo, onde os barcos vindos da outra banda descarregavam o mato roçado nas charnecas da Aldeia Galega (hoje Montijo) e que acendia fornos e fogões das casas lisboetas. Perto desse cais do Tojo se enforcaram, durante muitos anos, os mais pobres condenados, até na hora da morte sem o direito a espectáculo mais composto, como o tinham os mais favorecidos pela sorte, que eram executados em lugares centrais, como na actual Praça da Alegria ou no Campo de Santa Clara. O caminho-de-ferro transformou toda a zona e a chamada "Praia dos Algarves" transformou-se no largo fronteiro ao edifício da estação. Durante muitos anos, a Estação de Santa Apolónia manteve-se escura, feia e fria, como no-la descreve Eça de Queirós em "A Correspondência de Fradique Mendes". Mais de cem anos depois lá a modernizaram, apresentando-se agora um pouco mais humana, mais acolhedora, mais prática. Por António Mendes Nunes,Editor de opinião. Publicado no jornal i em 09 de Dezembro de 2009

FOTO PARA TESTE

Esta aqui uma foto para teste. O vovô Saul é o que está na frente
... ao centro de paletó escuro.
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Vou meter a foice em ceara alheia: A neta do Saúl, a Débora, fez um teste bem sucedido de colagem de fotos. Depois escolheu a opção "guardar em rascunho". Não resisto, porém, a publicá-la, com a devida vénia à Débora já membro da nossa família. Sei que querem ver o Saúl. Depois a Débora aceitará o nosso convite para elaborar sobre a foto, quando e onde foi tirada e quem são os personagens. O Saúl, já sabemos, é o da frente de fato escuro. É a exibição de uma taça.
Obrigado Débora

sábado, 19 de dezembro de 2009

Missa do Galo !

Como estamos em época de Natal aqui vai mais uma historia das minhas como prenda desta época, desejando mais uma vez um Santo e Feliz Natal.

Missa do Galo

Era noite de Natal.

Sentados à mesa, na sala de jantar, jantávamos todos juntos, como sempre fazíamos nas ocasiões especiais.

Da cozinha, chegava o cheiro dos fritos, acabadinhos de fazer: filhós de abóbora, rabanadas e broínhas. Azáfama a que eu era alheia. Era muito pequena ainda, portanto dispensada de certas lides caseiras. Ajudava a partir nozes e pinhões. Não tinha ainda competência para mais.

Perto do final do jantar a minha mãe declarou:

-- A Igreja é perto. A noite está linda, vamos à missa do Galo.

Eu, nunca tinha ouvido falar na missa do Galo. Missa do Galo ? De quem seria o galo ? O nosso ? Aquele grande que de manhã nos acordava com um cocorocó afinadinho, potente? Era lindo o galo. De penas amarelas e a crista bem vermelha. Era o rei da capoeira ! As galinhas gravitavam à sua volta, esgravatando e debicando.

De vez em quando e em assomos de “ D. Juan” arrastava a asa pelo chão, e dava meia volta perto de uma galinha mais bonita.

A missa do galo tinha-me deixado a pensar.

Vestimo- nos e lá fomos a caminho da Igreja. No adro ardia um madeiro enorme que os rapazes da aldeia transportaram à tarde, no carro de bois, trazido do pinhal. A chama vermelha elevava-se ao céu em línguas de fogo e fagulhas que o vento gelado fazia saltar provocando nas pessoas que se juntavam em volta, uns risinhos e algumas exclamações, não fossem ficar com a roupa estragada com um buraco.

Olhei em volta, ainda preocupada com o galo. Não! O galo não estava ali.

Os cânticos dentro do templo e já aquecidos pela chama forte da fogueira entoavam alegres, convidativos.

Entrámos e acomodámo-nos num dos bancos lá à frente, perto do presépio.

O Menino Jesus deitado na manjedoura entre S. José e Nossa Senhora, dormia sorrindo, no aconchego do bafo da mula e da vaquinha de barro. Lá ao fundo, no campanário da igrejinha, colocada entre um ramo de azevinho e bagas vermelhas, estava um galito pequeno, pintado de cores vivas.

A missa ia continuando em ritmo normal. Eu é que curiosa, procurava insistentemente onde estaria escondido o galo.

O galo da minha avó, não era porque gritou o seu conhecido canto, como a dizer:

-- Estou aqui, estou aqui !

Olhei para baixo dos bancos. Quem o teria trazido ? Estaria escondido dentro do xaile preto das mulheres que assistiam à missa e de vez em quando o aconchegavam. Só podia ser !

Esperei a ver o que acontecia. No meio da cerimónia uma senhora levantou-se do banco e dirigiu-se ao altar. Estremeci. Levaria ela, o galo ? E para quê ? Certamente que fugiria pela coxia de pedra, aflito. Mas não ! A senhora, calmamente leu uma passagem da Biblia em voz alta e pausadamente para todos os fiéis ouvirem. Chegou, leu e foi sentar-se novamente. Espreitei para baixo do altar. Nada ! Já estava a ficar ansiosa sem saber onde estaria o galo. A missa do Galo tinha que ter um Galo. Pois claro !

Em voz baixa perguntei ao meu irmão . Este respondeu-me com encolher de ombros. Também não sabia.

E o galo que não aparecia !

Final da missa. Depois da benção iniciou-se a cerimónia de beijar o Menino, que o Sr padre foi buscar ao presépio e que entretanto acordara.

Uma a uma as pessoas em fila, beijavam o pezinho sagrado, enrolado em toalha branca com renda em volta, na mão do sacerdote.

Chegou a minha vez. Olhei espantada para o Menino que me sorriu piscando o olhito maroto, como que a gozar comigo.

A mão da minha mãe, apertou a minha levando-me novamente para o banco.

Já fora da Igreja, a fogueira ardia com esplendor , nunca se apagando mesmo durante a noite, dando também calor a quem por ali ficou.

Chegados a casa, claro, a pergunta impunha-se:

-- Ó mãe, afinal onde está o galo ? Até agora não vi nenhum ! Não é o nosso, pois não ? Porque é que fomos à missa de um galo que não vi ?

Gargalhada geral !

--A fogueira era para assar o galo ?

A gargalhada foi ainda maior.

Então a minha avó sentou-me nos seus joelhos e contou:

-- Diz uma velha lenda que Jesus nasceu pela meia noite do dia 24 para 25 de Dezembro. Por essa mesma hora, portanto, meia noite, todos os galos nos galinheiros, cantaram ao mesmo tempo, várias vezes. Daí se chamar a Missa do Galo !

Natércia Martins

2009

Mnatercia@gmail.com

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Bom, esta fotografia tem uma história. O nosso passatempo preferido (também havia poucos) era esperar pelas carreiras, principalmente as que vinham de Lisboa, e vasculhar bem todos os passageiros, principalmente quando havia garotas mais ou menos da nossa idade, ou mais velhas quando valia a pena. Esta foto representa um desses momentos e nela estou eu, o Toni Matias e outros colegas dos quais não me recordo dos nomes. Aqui fica mais uma recordação dos maravilhosos tempos do IVS.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SAUL

Olá Débora Passos. Em primeiro lugar, benvinda ao blog, calculo que também tenhas estudado no IVS. Em segundo lugar quero só fazer uma pequena rectificação, o blog não é meu, é de todos os antigos e menos antigos alunos do IVS e foi criado por alunos da década de 50 e 60, e em boa hora o criaram. Agora quero enviar, aqui do Cartaxo onde vivo há já 40 anos, um grande abraço para o Saúl que recordo com muita saudade dos tempos do Grupo Desportivo Viação de Cernache. Parece que o estou a ver, todo vaidoso, entrar para um treino no dia que estriaram os fatos de treino de flanela mandados fazer talvez numa costureira de Cernache. Nessa época ainda não havia "Adidas nem Nike" Um bom Natal para todos

domingo, 13 de dezembro de 2009

Prezada D. Natercia, Estou escrevendo este e-mail porque o consegui em um blog teu. Na verdade o meu avô que se chama José Saul (antigo funcionário da agência das Carreiras e ex-colega da gincana de automóveis no campo Nuno Alvares) é que tem reconhecido seu nome no blog do Garcez. Através do site do IVS conseguimos localizar a Natércia, o Chico Alcobia e António Garcez, Antonio Fabres dos Reis e Toni Matias. As saudades do meu avô são muitas na convivência da infância, e de vez em quando ele vai a Cernache do Bonjardim. Aguardamos contacto! Beijos -- -- .Débora Passos Simões de Almeida Tavares.
Recebi há uns dias este E-mail que coloco aqui

Courte lettre au Père Noël

Courte lettre au Père Noël

Cher Père Noël, envoie-moi un petit frère.

Réponse du père Noël : Envoie-moi ta mère...!

Boas Festas

Caras(os) Colegas e Amigas(os),

Em boa hora inaugurámos o nosso blogue. Através dele reencontraram-se pessoas que não se viam e nada sabiam umas das outras há meio século ou mais. Não se enganem, são poucos os que contribuem, mas há muitos mais ex-colegas e professores que nos lêem em silêncio. E vão aparecendo as novas gerações que darão

continuação ao nosso blogue, quando a nossa hora chegar.

Valeu a pena, mesmo se com altos e baixos.

O blogue deseja a todas(os)
e respectivos entes
queridos

Permitam uma saudação especial ao nosso querido António Mendes Nunes e a todos os que porventura se encontrem doentes, com votos de rápida e completa recuperação.

É também um momento de reflexão por aqueles que lamentavelmente já nos deixaram e recordamos com saudade.

Com um grande abraço de muita amizade e estima.

Pela Administração

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Natal Feliz Natal e que o Ano Novo chegue pleno de alegria. Muitas prendas no sapatinho. Para todos os que estão no Blog e também para os que só " passam de fugida" Um abraço de Boas Festas . Natércia

Dr. Gil Marçal

Certamente será um documento inédito para a maioria dos colegas e amigos. Hoje, ao rebuscar as minhas velharias, dei de caras com esta relíquia, há muito esquecida.
Quando em 1964, "alguém" se lembrou e deturpar a história e considerar a localidade de Flor da Rosa, no concelho do Crato, como terra natal de D. Nuno Álvares Pereira, o Dr. Gil Marçal saíu do
seu "voluntário isolacionismo", lutou com as armas que tinha, repondo a verdade e provando que efectivamente S. Nuno de Santa Maria nasceu em Cernache do Bonjardim.
Graças a ele, a estátua do mais nobre filho da sua terra está no seu devido lugar.
Bem haja Dr. Gil Marçal

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

NATAL

Com esta bonita fotografia do meu quintal durante um nevão, desejo a todos os amigos e antigos alunos do IVS, um feliz e Santo Natal, e que o ano de 2010 nos traga sòmente coisas muito boas.
UM BOM NATAL PARA TODOS

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Arnaldo

Mais tres fotos do meu album. O cão que tenho ao colo, chamava-se Arnaldo, era a mascote do
IVS. O rosto em primeiro plano é o Catalão. O que está atrás de mim, não me recordo o nome.
A outra, uma equipa de futebol do 2º ano. Essa já me recordo de quase todos os nomes: Em pé,
da esq. para a direita: Norberto, Capitão Vilas Boas, Piricas, João da Pensão, Garcez
Embaixo: Porto, Rui Coelhoso Teixeira, Victor ?, Victor Lourenço, e Nuno Alvares Pereira Mendes. Na outra foto tirada no largo do Seminário, está o Chico Alcobia, Garcez e Toni Matias,
filho do Sr. José Matias, proprietária da tal mercearia onde a cigana usou a panela sem fundo para levar as compras sem pagar.

sábado, 5 de dezembro de 2009

A Cegonha

Para os que ainda acreditam na história ...aqui vão estes postais (antigos) com os votos de BOAS -FESTAS e o ano 2010 com muita saúde para os leitores deste Nosso Blog
Zé Avelar

I V S

Das poucas fotos que tenho aqui ficam algumas. Desafio os colegas a identificarem a malta. Por falar em malta, lembram-se do hino IVS? Começa assim:- "Viva a malta do Vaz Serra, viva a malta sempre em fixe, etc......
Um abração para todos

Entrada no blog

Obrigado Sérgio e um bom fim de semana

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Justiça expedita

HISTÓRIAS DE LISBOA

Justiça Expedita

por António Mendes Nunes, Publicado em 25 de Novembro de 2009

A antiga Praça dos Remolares passou a chamar-se, depois de 1834, de Duque da Terceira, mas ninguém a conhece por outro nome que não o do sítio que lhe fica ao lado: Cais do Sodré. Em Março de 1708, D. Francisco de Sousa, proprietário no local, embarcou na outra banda, em várias fragatas, grandes quantidades de tábuas, barrotes e telhas e fê-las descarregar na praia do Cais do Sodré assim que escureceu. Várias dezenas de trabalhadores, à luz de archotes, meteram mãos à obra e deram início à construção de um bairro durante a noite. Poucos horas depois compareceu no local um funcionário judicial que, perante a falta de licença, mandou parar a obra, mas a resposta de D. Francisco de Sousa, homem rico e influente, provador dos vinhos da Casa Real, foi categórica: "A esta hora da noite não se fazem diligências..." E de manhã a rua de casas estava prontinha. Apesar de tudo, nesse tempo a justiça não era assim tão demorada a actuar como agora e logo de manhã o desembargador André Freire de Carvalho, vereador e chanceler do Senado da Câmara, acompanhado de alguns funcionários, foi ao local, tomou posse dos terrenos em nome da cidade de Lisboa e depois deixou que os populares do bairro deitassem abaixo toda a obra, levando para casa os materiais. D. Francisco de Sousa queixou- -se ao rei, que mandou abrir um inquérito, tendo o caso passado ao Tribunal da Relação, de cuja sentença não ficou memória. Vêm de longe, como se constata, as várias tropelias feitas pelos poderosos. Os métodos para as combater é que hoje são um pouco menos expeditos... Editor de opinião Escreve à quarta-feira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Verdi em Lisboa

Como saberão o nosso colega e Amigo antónio mendes nunes foi submetido a uma operação e ainda não está recuperado, razão porque me adianto a ele para publicar a sua habitual crónica:
ESPECIALISTA

Verdi em Lisboa

por António Mendes Nunes, Publicado em 02 de Dezembro de 2009 no jornal iOnline

Giuseppe Verdi poderia ter vindo para Portugal como maestro titular do Teatro Nacional de S. Carlos, corria o ano de 1838. E se tivesse vindo, teria tido a carreira fabulosa que acabou por desenvolver? Ter-lhe-ia proporcionado Lisboa inspiração que lhe permitiu escrever as óperas "Nabuco", "Aida", "Rigoletto", "O Trovador", "Traviata" e outras que o consolidaram como um dos mais famosos compositores de sempre?

O conde de Farrobo era um riquíssimo homem muito ligado às artes e à música. Tornou-se empresário do S. Carlos e resolveu contratar em Itália um director artístico. Os seus amigos do Teatro alla Scala de Milão indicaram-lhe dois candidatos, ambos jovens e promissores, um tal Verdi e um certo Frondoni. O primeiro acabara de ver a sua ópera de estreia no Scala, "Oberto", ser recebida com extrema frieza, seguindo-se um fiasco no mesmo teatro com o segundo trabalho, "Um giorno di Regno".

Farrobo decidiu-se por Frondoni, que tivera grande êxito com o bailado "Il Carrozino dà Vendere", igualmente no Scala de Milão.

Dois anos mais tarde e depois de umas farsas que não fizeram história, o Conde de Farrobo deixou o S. Carlos e Frondoni também. Dedicou-se ao ensino da dança, escreveu mais uma série de farsas sem grande colorido, escreveu o hino da Maria da Fonte e acabou a vida a fumar cachimbo e a beber copos com os amigos no Café Madrid, no Chiado.

E Verdi? Teve o seu primeiro estrondoso êxito em 1842 com Nabuco e nunca mais parou. O mundo conheceu um génio, Lisboa contentou-se com a mediocridade.

Fonte: http://www.ionline.pt/conteudo/35668-verdi-em-lisboa

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O quarto dos brinquedos

Quando vou visitar os netos, durmo no quarto dos brinquedos.

Este fim de semana, fui lá. A casa é grande, situada num lugar calmo e com sol a entrar por todas as janelas.

Quando a noite cai todos dormem

A luz do candeeiro público ilumina tenuamente o quarto.

Adormeci.

Pela madrugada acordei e olhei em volta. Que grande animação !

Pois é .....

Os brinquedos saíram de dentro do grande caixote e andavam pela casa numa tremenda “ rebaldaria”.

Por baixo da minha cama um comboio de pilhas percorria os espaços livres com as luzes a piscar. De vez em quando, o pequeno maquinista, fazia soar a sirene. Nas carruagens sentavam-se todos os animais e bonecos, em perfeita harmonia: leões, peluches, gatinhos, cães, macacos e um elefante. E riam, e riam ....

O polícia de lata ia e vinha até à porta do quarto. Lá ao fundo, um dragão desenhado no tapete, sacudia-se todo, com as cócegas que o combóiozinho, lhe provocava à sua passagem.

Sentei-me na cama. Seria possível ?

E foi, então, que ouvi um choro fininho, sentido. Levantei-me. Espreitei e no fundo de uma caixa de papelão, mesmo lá no fundo, uma bonequinha de plástico sem uma perna. Era ela que chorava .

Olhou-me. Vi os seus olhos castanhos, cheios de lágrimas, implorar que a tirasse dali.

Curvei-me sobre o caixote. Estendeu-me sobre o caixote. Estendeu-me um braço. O outro também estava partido. Aninhou-se no meu colo e olhou em volta, admirada de tanto movimento.

Contou-me que fora presente de aniversário.

Vinha embrulhada em papel prateado com um laçarote em cima. Em cima da mesa viu o bolo com as velinhas de coloridas e e todos os familiares da menina, cantar os parabéns.

Andou de automóvel e de carrinho de bébé. Vestiu casacos de lã e calças de papel.

Apaixonou-se pelo palhacito de cabelo vermelho e boca pintada.

Ele também gostava dela. Passeavam de mão dada e trocavam beijos doces. Dormiam no fundo do caixote bem juntinhos.

Contavam segredos um ao outro e riam, e riam, felizes.

Um dia aconteceu o acidente. Alguém pisou, sem querer, a pequena boneca.

Sem uma perna e um braço partido, já não era bonita e foi posta de lado. Ficou no fundo do caixote dos brinquedos.

Todas as noites ouvia a animação que se fazia cá fora mas impotente nas suas deficiências, ali ficou esquecida.

O pior é que o palhacito, sua grande paixão, também se esqueceu dela.

Olhou em volta à procura. Mais algumas lágrimas caíram dos olhitos cansados da boneca. É que o bonequinho de boca pintada e cabelo vermelho, corria de mão dada com a bailarina. Esta, dançava em pontas, nos sapatos cor de rosa e folhos verdes, mostrando duas pernas perfeitas, indiferentes a mim e à minha amiga.

O comboiozinho lá andava às voltas reluzente e de luzes a piscar com os animais e bonecos nas carruagens.

Ela não parava de chorar. No seu coraçãozito de boneca, a mágoa e a raiva de ser trocada e esquecida.

__ Pensam que não tenho sentimentos. Põe a mão aqui no meu peito, disse-me ela.

Vês como bate ? É a emoção de voltar a ver os meus amigos com quem brinquei tanta vez. O meu palhacito ! Tenho saudades da menina a quem me deram de presente. O meu palhacito !

Foi bom votar a vê-lo! Que bom ! Podia dizer-lhe tantas coisas bonitas ! Não posso. Ele nem sequer me olha ! Mas foi bom !

A manhã começou a raiar. Lentamente os brinquedos voltaram aos seus lugares dentro do caixote.

Peguei na bonequinha e com muito cuidado coloquei-a numa estante no meio dos livros.

Manhã clara ! Um a um a filha, o genro e os netos iniciaram a sua lida sem se aperceberem que na calada da noite, enquanto se dorme, naquele quarto há alegria, festas e dramas.

Eu, quando me levantei, passei pela estante dos livros, a boneca sorriu como a dizer-me:

__ Obrigada por me teres dado a oportunidade de voltar a ver o meu palhacito, mais uma vez...

Natércia Martins