terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Memórias do Acácio

A MINHA PRIMEIRA DETENÇÃO
Os alunos do IVS , fora do âmbito escolar, tinham 3 paixões: as equipes desportivas do IVS, o Grupo Desportivo Viação de Cernache (presidido e financiado pelo Fernando Vaz Serra e hoje rebaptizado Vitória de Cernache) e a gloriosa Académica.
A grande rivalidade a nível do Cernache era com o Benfica de Castelo Branco, habitual papão da zona.
Num dia de Cernache versus Benfica, jogo decisivo para o campeonato, o árbitro (quem havia de ser) validou quase no fim do jogo um golo ao Benfica que não tinha entrado. Foi uma bola pingada sobre a baliza que o nosso guarda redes , embora tivesse os pés dentro da baliza, agarrou calmamente a bola fora da linha de golo. Para espanto de todos, mesmo dos jogadores do Benfica, o arbitro apitou e apontou para o centro do campo, validando assim o golo.
Estada instalada a confusão. O jogo acabou com a vitória do Benfica com aquele golo ROUBADO e lá foi a claque do Cernache para a Sede do Clube em frente do famoso Clube Bonjardim , onde se recolheu a equipe de arbitragem, fazer a confusão do costume e mimar o árbitro com aqueles nomes bonitos que a malta sabia tão bem usar em semelhantes ocasiões.
Choveu durante o jogo todo (morrinha) e continuava a chover. De repente sinto-me agarrado. Olho para quem me agarrava e vejo que é um GNR a dizer que eu estava preso. Pergunto-lhe porquê e ele diz-me que estava preso porque eu tinha esfaqueado os pneus do carro do árbitro. Eu disse-lhe que ele estava enganado, que não tinha feito nada disso e a malta começou a defender-me e gerou-se nova confusão. Então ele disse: “eu vi muito bem o que fizeste, foste por ali e por acolá e ainda lá está uma marca do teu pé quando saltaste o portão do Clube Bonjardim”.
Quando ele falou em marca de pé eu aliviei a pressão já que calçava , já na altura , 44 ou 45 biqueira larga e desafiei o GNR a mostrar onde estava a tal marca. Formou-se uma caravana atrás de nós, eu e o GNR, atravessámos a estrada em direcção ao Clube Bonjardim, passámos pelo portão de madeira e o GNR apontou uma marca no chão e disse-me para pôr o meu pé lá. E pus! Não é que era tal e qual o meu pé? O GNR riu-se e disse-me: “eu vi mesmo que eras tu . Estás preso”.
Eu sabia que não tinha sido eu, fiquei chateado e revoltado com a injustiça e com as consequências e só levantei a minha moral quando me comecei a aperceber que afinal eu tinha virado herói naquela história, pois a malta dava vivas ao Yustrich e todos, ou quase todos, seguiram no cortejo até á porta do posto da GNR. Mandaram chamar o Dr. José Vaz Serra, mas como era domingo ele tinha ido, como habitualmente , para a Figueira da Foz e então eu fiquei detido até às 8 ou 9 horas da noite à espera do director e a malta lá fora a fazer a confusão do costume e a dar vivas ao Yustrich, o que se calhar agravava a minha situação junto da GNR.
Quando o Dr. José chegou, olhou para mim e perguntou-me: “o que é que fizeste Hermenegildo?” (era assim que era tratado oficialmente) Eu respondi: “Sr. Dr. estão a dizer que eu esfaqueei os pneus do carro do árbitro e eu juro que não fiz nada”. “Está bem”, disse ele, e foi falar com o comandante . Passados 5 ou 10 minutos fui solto e segui em cortejo para o IVS.
Nem o Dr. José, nem ninguém mais me falou no assunto. Viemos a saber mais tarde que, como sempre, o Dr. José assumiu o pagamento do prejuízo para não prejudicar o bom nome do IVS e eu, sem nada ter feito, passei a viver com a fama de ter esfaqueado os tais pneus.
Acácio Leite

1 comentário:

Sérgio disse...

Ó Acácio, se bem me lembro, tu até eras capaz de te vingar no árbitro... Está bem, dessa vez não foste tu, foi alguém que leu o teu pensamento e até calçava o teu número ahahahahahahah!

Recordo tão bem esse episódio. O Cabo Freixo da GNR - por acaso natural de Freixo de Espada à Cinta - fartava-se de gritar "Ó rapazes, olhem que ajuntamentos são proibidos. Ainda vão todos presos!"

Grande abraço.