quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Breve História do Instituto Vaz Serra

O actual edifício e “porta-bandeira” do I.V.S., ergue-se em três pisos, tem 50 anos, tendo sido construído por volta de 1958/59 com o objectivo de alojar os alunos internos do Instituto Vaz Serra, nomeadamente, os vindos das ex–colónias, onde o IVS era conhecido pela excelente formação que dava aos seus alunos.

Precedido por edifícios mais antigos, os do Colégio Vaz Serra, que viram a sua primeira pedra lançada pela mão do seu fundador - o Comendador Libânio Vaz Serra - em 19 de Julho de 1950, o edifício escolar tem vindo a ser transformado gradualmente. O Senhor Libânio Vaz Serra, ao fundar o Colégio, visou, essencialmente, implementar o ensino e dar a oportunidade de melhorar as condições de vida aos seus conterrâneos.

No início, o Colégio funcionou em duas casas antigas - internato e externato - na Quinta de Santa Cruz, com um total de 50 alunos (do sexo feminino e masculino) dos quais 28 eram internos.

O externato iniciou o seu funcionamento no ano de 1950 mas o internato novo só se concluiu por volta de 1959; todavia, havia uma residência familiar, da família Amâncio, que albergava já alguns alunos. O ginásio, o ringue e o edifício novo (actual I.V.S.) datam do mesmo período de construção.

Usar farda tornou-se norma no primeiro momento de funcionamento do Colégio, pois visava a não discriminação entre os alunos mais favorecidos e menos favorecidos. Aos alunos era ministrada instrução de armas e em dias de festa ou comemoração de eventos especiais, os alunos formavam o Batalhão do IVS e desfilavam arma ao ombro pela ruas da aldeia. A aldeia, presumível berço de D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, foi elevada a Vila em 20 de Agosto de 1955.

Após o 25 de Abril de 1975 o edifício que cumpria o objectivo de internato foi restaurado e transformado no actual edifício do I.V.S.. Este tem vindo a ser arranjado: foram construídos mais balneários e recuperados os antigos, assim como pintura exterior e algumas paredes; recentemente reformularam-se e alargaram-se algumas salas criando novos espaços (sala dos professores, sala 59 e 33, sala de Informática, laboratório de biologia, etc.). Estas obras foram custeadas pelo I.V.S..

A escola é constituída por três pisos e possui alguns recursos materiais significativos. O I. V. S. funciona em horário normal, das 9 às 17 horas, com rotatividade de turmas para almoço.Quando os professores falam da Escola aparecem no seu discurso adjectivos como dinâmica/activa/criativa. No ano lectivo de 2004/05 estavam colocados na Escola um total de 58 professores e 25 funcionários (serviços administrativos e auxiliares da educação) e um total de 588 alunos (do 2º/ 3ºCiclos e Secundário diurnos, Ensino Recorrente 3º Ciclo e Secundário).

O Instituto Vaz Serra foi um dos mais conhecidos e prestigiados Colégios particulares mistos do país. Responsável pela formação das gentes desta terra, por ele tem passado estudantes dos espaços geográficos mais recônditos do país, ex-colónias, ex-Congo Belga, África do Sul, e dele tem partido com lanhos de saudade tornando-se Doutores, Engenheiros, Médicos, Deputados, Professores, Ministros, Militares de Alta Patente, Actores de Cinema, Cineastas ... enfim... Mulheres e Homens de sucesso. É desta forma que a Águia que encima o escudo do emblema do I.V.S. cultiva a sua actualidade.

12 comentários:

Acácio Leite disse...

Do ex- Congo Bela eram 2 irmãos ( o mais novo seria o Joãozinho ? , da África do Sul era o Jonny ( porta bandeira do batalhão), tivémos um alemão Wolgand Gnad , um Inglês que morava em Colares , o Daniel (Timorense) o David ( basket) e o irmão mais novo de Moçambique , o Guerra Roque de Angola e muitos outros . Era uma mistura interessante . Para além disso tínhamos um bisneto de Eça de Queiroz , um neto de deputado ( Veiga Simão ? ) dois filhos de um ministro " Veiga de Macedo ? " o famoso Ondas Curtas e pelo menos dois monárquicos ( Sousa Coutinho)

Antigos Alunos disse...

Sergio
Gostei de ler a história do IVS,mas só há um ponto que não posso estar de acordo,pois andei lá dois anos e nunca cheguei a ver nenhuma arma... e o toque de alvorada era uma campainha que naturalmente não era suficiente e era o vigilante que ia aos quartos

Sérgio Lopes disse...

Acácio,

Bem lembrado. No concernente à mistura, aliás saudável.

O Joãozinho nada tinha a ver com os dois irmãos do ex-Congo Belga que eram o Óscar (o mais velho) e o Sérgio Pimenta. Os irmãos já lá estavam há algum tempo quando o Joãozinho chegou. Olha para a foto do Joãozinho e lembrar-te-ás dele. Deixou marca, mas saiu ainda mais marcado com o que aprendeu da malta mais graúda...

Há cada coincidência! Quando cheguei ao Rio de Janeiro em 1988, tive conhecimento de um Óscar Pimenta que trabalhava na americana Continental Airlines. Não lhe telefonei logo por que tinha acabado de chegar no meio de uma crise económica e o tempo era curto. Quando finalmente fiz a ligação era de facto o nosso Óscar, só que estava de regresso a Lisboa nesse mesmo dia e não cheguei a vê-lo.

O Veiga de Macedo foi a razão pela qual eu não fui logo instalado no internato novo. Privilegiaram-no com uma camarata no edifício velho e encarregaram-me de fazer-lhe companhia (noutra camarata, claro, nada de confusões). E foi bom, porque a limpeza era feita por uma senhora que de vez em quando trazia a filha (não estudava no IVS), a quem chamávamos de "loirinha", lembraste? Não era nada de deitar fora.

O Sousa Coutinho será este?

Rodrigo Leal De Faria De Sousa Coutinho http://www.faqs.org/patents/app/20080320445

Sérgio Lopes disse...

Caro Antigos Alunos,

Não viste armas por que deves ter vindo depois da bronca das eleições "livres" em que o Humberto Delgado participou. Por causa das eleições o Dr. Gil Marçal foi afastado e os alunos fizeram um levantamento. A primeira coisa que fizeram foi largar as fardas. Bem sei, porque fui eu, na altura Comandante do Batalhão do IVS - Att. Natércia, anota) - que nem sou revolucionário - quem liderou o levantamento. Naturalmente que as armas foram entregues à guarda da GNR, depois do incidente. Tudo por causa deste episódio:

"Numa famosa entrevista realizada pelo jornalista Mário Neves em 10 de Maio de 1958 no café Chave de Ouro, quando lhe foi perguntado que postura tomaria face ao primeiro-ministro (Presidente do Conselho dos Ministros) António de Oliveira Salazar, respondeu com a célebre frase “obviamente, demitia-o!"

Depois do levantamento a farda passou a ser facultativa, eu e outros dos mais antigos, nunca mais a vestimos. Os que iam chegando, que nada tinham a ver com o passado, vestiam-na. Aliás, vários alunos internos saíram do IVS por casa do afastamento do Dr. Marçal. O Dr. Gil Marçal era a alma do IVS que começou a morrer no dia em que ele partiu. Se bem me lembro, o Professor Mendes Nunes e o terrível Prefeito Paiva também sairam. Confirmas, Natércia?

Ó "Antigo Aluno" não vais revelar-nos a tua identidade?

Acácio Leite disse...

Antigos Alunos

Embora pareça ser prática corrente a anonimato na publicação de comentários em certos blogs acho que neste isso não deveria acontecer e que te deverias apresentar pois nisso teríamos muito prazer.
Um forte abraço ( Yustrich)

MIGUEL VAZ SERRA disse...

Caros amigos e colegas
Hoje e só hoje vi que tinham criado um blog sobre o IVS.
Eu já não vivi esse drama de Gil Marçal pois só nasci em 1961 mas ouvi muitas histórias e lembro-me do meu Avô falar nele com muito carinho e admiração.
Estive desde os meus 6 anos a 1975 no IVS. Foram os melhores anos da minha vida apesar de ser o neto do fundador e "ter que dar o exemplo" segundo a família e ser o menino do papa aos olhos de alguns professores e colegas ( tão longe da verdade ), ou seja, preso por ter cão e por não ter, assim sinto aquele tempo...
Obrigado aos que tiveram a ideia de nos pôr em contacto.
Miguel Vaz Serra

Acácio Leite disse...

Bem vindo ao nosso blogMiguel Vaz Serra . É bom termos um representante do Fundador . És filho de quem : Do José , do Eugénio ou do Fernando ?? já que não me parece que sejas do Manel

MIGUEL VAZ SERRA disse...

Olá Acácio
Sou filho do Fernando, o último de 5.O meu Pai morreu com 80 anos e já duas bisnetas que ele adorava, netas as duas da Mimi(Micas).O Eugénio morreu também e a Tomázia,todos num espaço de 6 meses. Foram tempos difíceis. A vida continua e aqui estamos. A Madalena está em Lisboa o Francisco(Xico) em Coimbra e a Mimi ainda entre Cernache e Lisboa. Eu vivi em Madrid, Londres e depois de 23 anos estou em Lisboa num projecto meio político. A mãe Ivone, ainda mexe e bem :)
Abraço

Sérgio Lopes disse...

Bem-vindo à tua casa Miguel. Tu és da família.

Tu representas um furo, no sentido de que és a geração que nos seguiu e tem também uma história enriquecedora para contar. Mais, é um Vaz Serra, uma família que nos merece muito respeito e ainda mais gratidão, nomeadamente, mas não só, o teu bisavô Libânio Vaz Serra, o fundador da excelente instituição de ensino que tivemos o privilégio de frequentar e, portanto, nosso saudoso credor. Não te conheci, evidentemente, mas conheci a família, entre os quais estarão os teus pais, tios-avós, tios e primos. A partir de 58, quando ganhei o estatuto de “grande” e fui promovido a Aluno Comandante de Batalhão fui muita vez privilegiado com convites para jantar com toda a família Vaz Serra em casa do teu bisavô, com direito ao transporte com motorista e ao Cadillac. Por essa altura, aliás em 14 de Novembro de 58, tirei a carta de condução. Foi-me várias vezes confiada a missão de levar as ainda pequeninas filhas (escapa-me o nome delas) do Fernando Vaz Serra ao dentista a Tomar, num FIAT 600 que havia no IVS, provavelmente do Fernando. Entenderás como me sentia cheio de vento! Nessa altura já eu seria o aluno mais antigo, pois estava lá desde Outubro de 1952. Recordo, pois e também com muita saudade e carinho os membros da tua família que tão bem me trataram e distinguiram.

O teu tio Manuel Vaz Serra foi meu colega e companheiro durante todo o tempo que estive no IVS e até fizemos, juntos com uma mão cheia de colegas, a proeza de assaltar a adega do teu bisavô, se bem me lembro sem sermos apanhados ou tendo o assunto sido resolvido pelo Dr. José Vaz Serra em sigilo. Nada me daria mais prazer do que conseguir o número dos telefones do Dr. José Vaz Serra e do Manuel Vaz Serra para poder falar com eles.

É mister separar as águas, isto é, as causas e as consequência do caso Gil Marçal. Quero que fique bem claro que não culpo os Vaz Serra pelo caso Gil Marçal. Era o sistema em que então vivíamos e ou se estava “dentro” do sistema ou se era expulso dele sem apelo nem agravo, referindo-me agora aos Vaz Serra.

O teu tio Manuel Vaz Serra foi meu colega e companheiro durante todo o tempo que estive no IVS e até fizemos, juntos com uma mão cheia de colegas, a proeza de assaltar a adega do teu bisavô, se bem me lembro sem sermos apanhados ou tendo o assunto sido resolvido pelo Dr. José Vaz Serra em sigilo. Nada me daria mais prazer do que conseguir o número dos telefones do Dr. José Vaz Serra e do Manuel Vaz Serra para poder falar com eles.

É mister separar as águas, isto é, as causas e as consequências do caso Gil Marçal. Quero que fique bem claro que não culpo os Vaz Serra pelo caso Gil Marçal. Era o sistema em que então vivíamos e ou se estava “dentro” do sistema ou se era expulso dele sem apelo nem agravo, referindo-me agora aos Vaz Serra.

Vejo que foste disciplinado ao ponto de seres discriminado por professores e colegas por seres um Vaz Serra. Tenho de rir-me, por que esse deveria ter sido o papel do Manuel Vaz Serra, filho do fundador do IVA, irmão do Dr. José e Eng.º Fernando, e saiu um grande maroto que lhes deve ter dado alguns desgostos, uma vez que para a malandragem estava sempre na primeira linha... Mas que foi amigo do seu amigo, foi, um grande companheiro e aguentou muito castigo, quando estava inocente para não denunciar os outros.

Posso encarregar-te de uma missão? Vê se encontras mais colegas do teu tempo e trá-los para o fórum para dar continuação à grande história do IVS que o teu bisavô fundou. Segue o convite via sistema.

Um grande abraço,

Sérgio (192)

Em tempo: Entretanto li a tua troca de mensagens como Acácio. Sendo filho do Fernando, as meninas que referi são as tuas irmãs! Este mundo está cada vez mais uma aldeia! Se estavas na Inglaterra em 1976, estivemos lá os dois, dado que fui o director-geral comercial da TAP para o Reino Unido e Irlanda de 76 a 79. Reitero o grande abraço e conto contigo.

Como é que tiveste conhecimento do Blogue?

Sérgio Lopes disse...

Atenção Miguel! Não foi possível mandar-te o convite, por que o teu e-mail não aparece. Oteu comentário diz "MIGUEL VAZ SERRA noreply-comment@blogger.com". Dá-nos o teu endereço email para "ex.alunos.ivs@gmail.com"

Obrigado.

Sérgio Lopes disse...

Ó Zé, essa foto já causou alguma emoção (ou convulsão) cá em casa. Quando a trabalhava apereceu a minha filha de 16 anos que me disse "pai quem é esse pãozinho"?

Tive de desenganá-la, dizendo-lhe que era assim como um avô e contei-lhe a história...

Sérgio Lopes disse...

Nota:

Por razões que desconheço, o meu comentário que começa por

" Sérgio Lopes disse...
Bem-vindo à tua casa Miguel. Tu és da família" repetiu parágrafos. Confio na vossa habilidade para ler como entendi escrever.

Tenho aqui um aviso de que "We found the following errors:
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