sábado, 28 de fevereiro de 2009

Igreja de São Sebastião, Matriz de Cernache do Bonjardim

Igreja de São Sebastião, Matriz de Cernache do Bonjardim, construída no Séc. XVI, em louvor a S. Sebastião, Padroeiro da Freguesia.
Igreja renascentista com tecto tripartido, três altares de talha dourada e capela-mor com panos murários revestidos de azulejos figurativos. A talha dourada da Capela do Santíssimo foi realizada por Marcelino José Luís do Bom Jardim. A Igreja é hoje Edifício de Interesse Público.
Já não me lembro do nome do pároco, mas a imagem dele está gravada na minha memória. Era a figura típica do padre de aldeia e nem sei se era de Cernache.
Os meus pais não eram católicos praticantes, eram critpo-judeus (marranos), razão por que foi nesta igreja que fui apresentado aos rituais litúrgicos, ajudei à missa algumas vezes e numa dessas vezes deitei vinho em vez de água para as mãos do padre. Talvez por isso o padre não tenha feito grandes esforços no sentido de fidelizar-me como ajudante de missa e daí a minha curta carreira nesse “complicado” métier. Também talvez por isso, mais tarde, eu passasse a ir ao que chamávamos em código o “santo sacrifício da saída da missa”, que consistia em estar à porta por volta da bênção, quando saíam os primeiros fiéis - e respectivas filhas - para que julgassem que nós tínhamos sido os primeiros a sair da missa. Foi também neste igreja que fiz tardiamente a Segunda Comunhão e fui Crismado por um Bispo vindo de Castelo Branco, salvo o erro. São eventos que marcam toda uma vida e eu não sou excepção. No meu caso particular, excepção feita aos meus primeiros anos de vida em Luanda, foi Cernache o lugar onde passei mais tempo ininterrupto até reformar-me e assentar nesta cidadezinha americana onde estou há tanto tempo, quanto o que passei em Cernache. Foi no IVS e em Cernache que passei os anos que mais marcam a vida de um adolescente. O que explica esta grande saudade, a emoção em reencontrar-vos, e o sentir que aí estão de facto as minhas raízes mais profundas.
Não sou praticante, regressei à condição de cripto-judeu, mas o contacto breve com uma religião mal não me fez. Ab imo pectore
Em tempo: Estão a ver ali atrás à direita o café do Cipriano, onde disputávamos (não raras vezes com uns sopapos) a única mesa de bilhar e jogávamos aos dados (costume angolano) para ver quem pagava a bica?

3 comentários:

AntonioMN disse...

Meu caro Sérgio
É uma "foto" bem tirada de Cernache. O Pivetas já morreu há muitos anos, mas ficaram os filhos, o Gil (alfaiate) e o Aires(sapateiro), este último igualzinho ao pai. Têm lojas pegadas na rua principal e nas raras vezes que lá vou é visita obrigatória, como obrigatório é ir beber um copo com eles.
O Biscaia vejo-o, de vez em quando, em ralis de carros antigos, de ambos somos fãns.
Quanto ao padre de que falas, se tinha óculos, uns óculos muito redondinhos, à Papa Pio XII era o padre Rocha, que foi substituído, aí pelos anos 57 ou 58 pelo padre José Alves. Um e outro eram da Beira Baixa, da zona da campina, junto à fronteira com Espanha.
Já agora a irmá mais nova dos Biscai era a Glória, conhecida como "Locas". Há uma história engraçada com o Campeão de Freitas e com ela, no fim de um namoro (ou de uma recusa de namoro, não me lembro), que deu origem a uma quadra de que só me lembro o final:
Por causa de uma vitória (Campeão), em que se perde a glória (Locas). Isto saiu numa revista chamada IVS de que se publicaram dois números, aí pelos anos de 55 ou 56. Tenho de as procurar no (enorme) monte de papéis que tenho para catalogar cá em casa...

Um abraço

António Mendes Nunes (Catorze)

Acácio Leite disse...

Por falar em namoro ou recusa de namoro quem é que se lembra dos nomes destes dois personagens que vou tentaqr descrever :

Ela morava na primeira casa do lado direito , quem subia pela estrada , a caminho da vila e ele usava óculos e " se bem me lembro " já tinha apanhado trinta e muitas recusas de namoro.

Quem se lembra ?

Sérgio Lopes disse...

Grande AntónioMN! Na mouche!

O nome do padre era Rocha e o da Biscaia mais nova Glória (Locas). Logo que os li saíram-me do limbo craniano. Até a quadra, essa bem enterrada, saltou para a memória activa.

E, assim, se vai escrevendo a história do IVS dos anos 50. Isto ainda pode dar num “Best Seller”, que traduzirei para inglês para lançamento neste mercado de mais de 300 milhões de consumidores. Até já tenho o título:

The 50’s
Memories of an Exclusive Boarding School

IVS Anos 50
Memórias de um Colégio Interno Exclusivo

Que tal senhor escritor? Guindas-te ao desafio?

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