sábado, 28 de fevereiro de 2009

Instalações do IVS nos seus Tempos de Glória

É! Até me dão arrepios de saudades! Passei aí dos tempos mais felizes e despreocupados da minha vida. Quando cheguei, a cena do sarrabulho passou-se nesse prédio de paredes larguíssimas aí à direita, o antigo internato. Vi construir lentamente o externato novo, para onde passámos todos. Depois quando veio o Veiga de Macedo, voltei ao externato antigo, onde ficávamos só eu e ele. Mas nesse prédio é que as galinhas, patos e perus do Prior eram preparados e comidos, sem o guarda nocturno João dar por isso ou fingir que não dava, o mais provável.
Há mais um pormenor que o Acácio e o Zé ainda não contaram ou já se não dava no tempo deles. Passavam por essa rua abaixo, em direcção à fonte ali ao fundo à direita, as raparigas jovens da terra que não frequentavam o IVS, alguidar ou cântaro à cabeça, para se abastecerem de água e lavar roupa. Durante os recreios, os mais grandalhões amontoavam-se de modo às raparigas terem de passar entre eles. Aquilo é que era apalpanço de um lado ao outro. E ai também se combinavam os pares para os bailes populares. Não à memória de alguma se ter ido queixar dos apalpanços. Suponho eu que nem davam por isso...

8 comentários:

Natércia Martins disse...

E vocês dizem que não ! Olhem o pópó do Mendes Nunes estacionado junto à grade. Ficava sempre ali durante anos a fio.

Natércia Martins disse...

Agora lembrei-me da fonte. Lembram-se que as mulheres iam para lá lavar a roupa e cantavam muito Por vezes as aulas paravam para as ouvir cantar. O Dr Albertino Vieira e o irmao Dr Manuel Vieira adoravam ouvi-las cantar.
Essa história dos apalpões ue não imaginava. Quem mais apalpou ou foi apalpada, melhor ficou !!!! Emais não digo !!!!!He1 He! He!

Sérgio Lopes disse...

Escapou-me! É mesmo o popó do Ten. Mendes Nunes!

Já não sei quem foi meu professor, se o Albertino, se o Manuel Vieira, mas eram duas figuras. Pelo menos um deles tinha-se formado na Selbourne (é assim que se escreve?). A fobia dele era que nós não pronunciássemos "como" como "cumo". E nós pronunciávamos "como" só para o ouvir. O facto é que fiquei a pronunciar "cumo" ahahahahah!

Natércia Martins disse...

O Dr Albertino Vieira foi meu professor de Francês Nunca percebi nada de Francês, pelo menos explicado por ele
O irmão Dr Manuel Vieira era de Português Esse, sim Muito pequenito, muito " maugito" mas um belíssimo professor. Foi com ele que aprendi a escrever um pouco do que hoje sei

Sérgio Lopes disse...

A Natércia vem confirmar o que tenho afirmado: o IVS foi a melhor instituição de ensino dos anos 50!

Eu, que conheço instituições de ensino nos países ricos, por que as frequentei e nelas eduquei e vi formadas 3 filhas (uma ainda vai no 10º ano) e um filho, encontrei meios de volume imensamente superior, instalações state of art, mas docente do calibre e com a vocação para ensinar como os que tivemos não encontrei melhor.

Engraçado que a Natércia nos diga que o português que sabe, aprendeu-o com o Dr. Manuel Vieira. Aquela história do “cumo”, lembraste Natércia, queria dizer exactamente isso; ainda hoje pronuncio “cumo". O Dr. Vieira ia mais longe, dizia-nos que não era apenas com as lições dele que íamos aprender português, que o segredo era ler muito, ler muito para além do exigido pela escola. Não ler é uma enorme pecha cultural dos portugueses, de um país no qual o jornal mais lido é “A Bola”! Nos anos 50 havia professores que transmitiam aos seus alunos o gosto pela leitura.

Repito com orgulho, os alicerces da minha formação foram construídos por gente como o Gil Marçal, Mendes Nunes, Manuel Vieira e outros. Foi graças a eles, com a formação levei na bagagem do IVS, que cheguei onde cheguei, bati-me em igualdade de circunstâncias e venci em mercados de trabalho de países mais avançados, e ombreei com quem ombreei. Bem Hajam!

Ainda por falar na educação em Portugal, tenho para mim que uma das razões do atraso do nosso país é a noção que as pessoas têm de que se sai das universidades com uma profissão, o que é perpetuado pela cultura do canudo e pela agregação ao nome do indivíduo de um título académico; quando a verdade é que das escolas se sai com a ferramenta que nos permite arrumar as ideias, buscar mais conhecimento e aprender uma profissão com mais facilidade e em bases mais sólidas. Nem o médico, esse verdadeiramente doutorado (PHD), sai médico da faculdade médico, ainda vai passar uns anos a aprender na prática como interno.

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Natércia Martins disse...

Tens razão Sérgio.
Ler não é coisa que os nossos jovens de hoje gostem de fazer. Não é o caso de dois dos meus filhos Sempre leram muito, talvez pelo exemplo que tinham em casa O filho do meio é artista ( escultor desempregado)anda mais pelo computador.
Nos meus ultimos anos de ensino verificava que as crianças não tinham imaginação para escrever uma composição Faltava o suporte da leitura que a TV ou mesmo o computador veio roubar.Está lá tudo feito.

Sérgio Lopes disse...

E agora estamos a assistir a um fenómeno cujas consequências são imprevisíveis. Os garotos até 18 anos, nem sequer já se telefonam, enviam texto uns aos outros numa linguagem quase universal. Noto que embora em línguas diferentes as minhas netas em Portugal e a minha filha nos EUA usam uma codificação semelhante para determinados sons. Daqui a 20 anos as línguas faladas e escritas hoje serão muito diferentes. É inevitável.

Não sei se se passa o mesmo em Portugal. Nos EUA os garotos usam o termo "like" fora de contexto, um pouco parecido com o nosso hábito de adicionar "pois" a tudo depois do 25 de Abril. Numa frase de 20 palavras "like" é ouvida 10 vezes!

Será que estaremos a caminhar para uma língua universal?

A Revolução Digital vai ter muito mais impacto estrutural no mundo que a Revolução Industrial teve. Hoje já não é preciso voar milhares de quilómetros para uma conferência, os jornais e livros impressos estão a morrer. Já é possível dar aulas virtuais, o que pode ser o fim da carreira docente como a conhecemos, uma vez que assim que os políticos perceberem que um único professor de uma determinada matéria, a determinado nível, pode ensinar milhões de alunos em cada uma das línguas, portanto a nível mundial, acabou-se a escola tradicional.

No mundo dos negócios a Revolução Digital ainda vai no adro e já conhecemos alguns gigantes "infomediários" e "metamediários". Os "infomediários", tais como o Google e Yahoo, os motores de busca mais utilizados, funcionam como corretores, ou o que se chamava anteiormente intermediários, no mundo dos negócios. Ambos oferecem serviços grátis ao Zé Povinho, como a nós, mas cobram às empresas por listagens de "sale leads" e publicidade "pop-up" e oferencem serviços bem pagos de SEO (Seach Engine Optimization), isto é, optimizar web sites para sintonizá-los com a primeira página de referência dos motores de busca. Os "metamediários" são empresas com web sites rebustos e gigantes que oferecem espaço digitalizado ao consumidor para colocação e venda Online de multiprodutos, multivendedores e mutiserviços em troca de comissões sobre as vendas. A maior livraria do mundo (Amazone), a maior leiloeira do mundo (eBay) e a maior agência de turismo do mundo (Expedia) já são Online. Nos EUA e na Europa crescem os negócios online Nos EUA a receita anual dop e-commerce atingiu os 285 mil milhões de dólares (55 mil milões acima da produção total de Portugal - PIB - de cerca de 230 mil milhões de dólares).

E vocês só usam o computador para mandar e-mails e ver pornografia! ahahahaha

Pena que não seja usada só para o bem da humanidade.

Sérgio Lopes disse...

Esqueci-me de referir que nos EUA também se fica a dever à NET uma outra categoria de empresário, o vigarista. Em 2008 as fraudes online atingiram 4 mil milhões de dólares ou 1.4% do total das vendas e-commerce. Não é nada, quase não se notou!