sexta-feira, 15 de maio de 2009

Trânsito infernal há 300 anos

Com a devida vénia ao novo jornal iOnline, transcrevo uma crónica muito interessante  e informativa do nosso companheiro e amigo António Mendes Nunes:

Trânsito infernal há 300 anos

por António Mendes Nunes, Publicado em 13 de Maio de 2009
Na Lisboa de há 300 anos o trânsito era mais caótico e perigoso que hoje. Matava-se por questões de prioridade e as multas eram pesadas. Durante séculos, o povo deslocou-se a pé e os nobres a cavalo. As ruas da capital eram estreitas, sujas, malcheirosas e lamacentas. Tanto que os de maiores posses preferiam a água à terra e iam do Terreiro do Paço a Belém de barco. Mas a vida ia-se fazendo. Em 1581 deu-se o "desastre". Filipe II de Espanha veio a Portugal e trouxe um coche, coisa nunca vista: uma caixa de madeira fechada, bastante desconfortável, em cima de quatro rodas, puxada por meia dúzia de cavalos. A novidade fez escola e não houve nobre endinheirado que não quisesse ter um.
Assim começaram os engarrafamentos e as discussões de trânsito. 
Nas apertadas vielas era costume recuar o coche do proprietário com menor posição social, mas quando se encontravam dois iguais era frequente chegarem a puxar da espada. Houve muito sangue derramado nestas discussões, até que D. Pedro II, em 1686, mandou elaborar as primeiras leis, afinal o primeiro código da estrada, colocar os primeiros sinais de trânsito em Lisboa e também alguns "polícias sinaleiros", chamados "práticos". As penas para quem não cumprisse esse código eram pesadas: degredo para o Brasil e 2 mil cruzados de multa. Na parede do prédio n.o 26 do Beco do Salvador, em Alfama, ainda está a lápide com a inscrição do direito de prioridade. Afinal o primeiro sinal de trânsito que existiu em Lisboa e em Portugal.

6 comentários:

Natércia Martins disse...

a vida da cidade hoje é bem mais complicada. Eu que até moro na aldeia, não sinto o strss do trânsito. Mas deve ser um horros, pelas filas e automóveis parados e os ponteiros do relógio a querer girar cada vez com mais velocidade.

Sérgio Lopes disse...

Ó Natércia, segundo o teu irmão há 300 anos para se andar um quarteirão um fulano tinha de disputar 2 ou 3 duelos de espada. Se perdia, não nunca chegava...

Natércia Martins disse...

Pois Isso é verdade. Mas olha que hoje não está melhor. Mesmo sem espada os duelos, trielos ou qurtelos ( não sei estas palavras existem ) por vezes também nunca se chega ao destino.

Joao Facha disse...

E agaita toda é que nem havia Metropolitano.

Sérgio Lopes disse...

Os duelos, "trielos ou quartelos" (como a Natércia pôs)agora são ao encontrão para entrar e sair do Metropolitano ahahahah

Natércia Martins disse...

Hoje só falta a espada porque a mesma violência está toda lá. Eu que nem tenho metropolitano perto, mas a estrada com todo o trânsito que se faz tem outra violência, pouco menor, ou não .....