domingo, 28 de março de 2010

Crónica de António Mendes Nunes (para nós o 14)


Do Jornal I                                                   


A Real Barraca

por António Mendes Nunes, Publicado em 24 de Março de 2010   

D. JOÃO V quis construir um palácio à imagem de Versalhes, fora de portas e com um parque enorme, onde se pudesse caçar. Em 1726 comprou três quintas no Restelo: a de Baixo, onde está hoje o Palácio de Belém, o Jardim do Ultramar e os bairros novos do Restelo; a Quinta do Meio, que ia mais ou menos até onde hoje está o muro do Jardim Botânico da Ajuda; e a Quinta de Cima, que ocupa o espaço do Palácio da Ajuda, o Jardim Botânico, o cemitério e o local onde foi construído o bairro do Alto da Ajuda.









O primeiro palácio a surgir, razoavelmente modesto, pouco mais do que um acrescento na casa de campo do conde de Aveiras, D. João da Silva Tello de Meneses (a quem D. João V comprara a propriedade), foi o de Belém.

Foi posteriormente construído um outro, na Quinta de Cima (comprada ao Conde de Óbidos), onde hoje estão instalações da PSP e que com a cerca e os jardins ocupava sensivelmente o espaço hoje delimitado pela Travessa da Memória, Rua do General João Almeida e Rua João de Castilho. Com o Terramoto de 1755 e a destruição do Paço da Ribeira, no Terreiro do Paço, D. José acolheu-se com a corte e a criadagem ao alto da Ajuda, onde os estragos haviam sido de pouca monta, passando a morar aí, numa construção de madeira que passou à história com o nome de Real Barraca, ricamente decorada com tapetes e pinturas, mas uma barraca. O rei, traumatizado com o Terramoto, jurou que nunca mais haveria de dormir sob tecto de estuque. Jurou e cumpriu, tendo aí morrido em 1777. 

Editor de opinião

Escreve à quarta-feira

5 comentários:

Natércia Martins disse...

Estavas a fazer falta.
Estou em S. Pedro do Sul, nas termas.

Antonio Garcez disse...

A Natércia é que tem razão, estavas a fazer-nos falta a nós e as termas estavam a fazer-lhe falta a ela. Os ossitos já não são os mesmos!

Sérgio Lopes disse...

Satisfeitas estão as necessidades da Natércia e do António G, a que me associo. Estas crónicas do António MN são sempre bem-vindas e delas muito se aprende. A idade da aprendizagem, quanto a mim, só expira connosco...

Um grande abraço ao António MN e que as musas jornalisticas não deixem de inspirá-lo para nosso gáudio intelectual.

Antonio Garcez disse...

Já agora quero perguntar ao SERGIO porque não consigo enviar-lhe mails
há uma semana para cá, são todos "devolvidos".
Deves ter a caixa do correio cheia.
Boa Páscoa e um abraço

Sérgio Lopes disse...

Olha, António G, gostaria de poder dizer-te porque te são devolvidos os e-mails que me mandas, mas não sei. Há mais gente a queixar-se. O facto é que estou a receber e-mails teus, ainda que o sistema te diga que não. O mesmo acontece com os outros que se queixam. Tanto quanto apurei, o Windows Live Mail criou uma caixa de correio para o meu endereço sergio.lopesxxi@gmail.com onde acumula os mails que me são mandados para este endereço e eu nem sempre consigo aceder-lhe para os apagar. A última vez que consegui tinha lá quase 2 milhares! Vou ver se este fim-de-semana resolvo o problema, desactivando a caixa de correio Windows Live Mail, se disso for capaz.

Boa Páscoa.