quarta-feira, 16 de junho de 2010

Crónicas do AntónioMN

ESPECIALISTA HISTÓRIAS DE LISBOA

Bairros esquecidos

por António Mendes Nunes
Quem saberá onde é o Bairro Bélgica? E o Bairro de Londres? Há 50 anos ainda eram assim conhecidos, mas depois essa memória foi-se e hoje é o nome de um obscuro construtor civil que dá o nome a toda a zona. O olisipógrafo Norberto de Araújo, na sua obra "Peregrinações em Lisboa" (1938-1939), diz-nos que os terrenos a norte da linha do caminho-de-ferro de cintura, construída em 1890, foram divididos em talhões e edificados a partir de 1930, tendo surgido para poente o Bairro da Bélgica e para nascente o Bairro Santos.
Na obra "Pelas Freguesias de Lisboa", uma edição do Pelouro da Educação da C.M.L. (2000), com textos de Carlos Consiglieri, José Manuel Vargas e Marília Abel, especifica-se um pouco mais, escrevendo-se que entre 1910 e 1940, entre a Avenida de Berna e a linha de cintura, se construiu o Bairro de Londres (Rua Tenente Espanca, Rua D. Luís de Noronha e Avenida Santos Dumond), o Bairro do Lagar Novo entre a Rua da Beneficência e a Azinhaga da Torrinha e o Bairro Neves Piedade, entre a Rua da Beneficência (lado nos números ímpares) e a estrada das Laranjeiras.
Mais tarde, em 1914, por proposta da vereação da C.M.L., o Bairro Neves Piedade (nome do construtor civil) foi substituído por Bairro da Bélgica, em homenagem ao povo daquele país pela resistência ao exército invasor alemão, no início da Grande Guerra. Quanto ao Bairro do Lagar Novo, acabou por ficar conhecido pelo nome de Bairro Santos, do seu construtor, José Joaquim dos Santos.
Editor de opinião Escreve à quarta-feira

3 comentários:

Sérgio Lopes disse...

Mais um ensinamento ministrado pelo AntónioMN.

JFM disse...

António, lembro-me bem de ti. Eras mais conhecido no IVS que o "arroz carolino"...Já partilhei alguns projectos com o dr. Carlos Consiglieri e com a mulher a Marília, que referes no teu excelente artigo e que me obsequeiam com a sua amizade. Estou com eles de amiúde.

Sérgio Lopes disse...

JFM e assim se vão agarrando os fios do passado, unindo-os ao presente. Que bom!

Obrigado por te teres juntado a nós.

Abração