quinta-feira, 13 de maio de 2010

Crónica de António Mendes Nunes, o nosso 14

ESPECIALISTA HISTÓRIAS DE LISBOA
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A verdade e a mentira
por António Mendes Nunes, Publicado em 12 de Maio de 2010
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Um fulano conta uma história a um grupo de amigos que torcem o nariz a toda aquela arenga. Já desesperado, o sujeito afirma: "É verdade, li no jornal", ou, mais actual, "Eu vi na televisão". Mas na verdade podemos acreditar em tudo o que lemos ou vemos?
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Um sujeito chamado João Ferreira, mais tarde Sola, apelido acrescentado depois de se ter tornado extremamente rico com o comércio das ditas, através de contratos e negociatas nunca bem apuradas com o governo de então, mandou construir um belo prédio no Chiado. Corria o ano de 1787 e o romancista aristocrata e poliglota inglês William Beckford disse dela, no seu livro "Diário de William Beckford em Portugal e Espanha": "Nunca vi aposentos mais horrendamente dispostos do que os que o pobre homem dos couros delineou para si. As cortinas são de cetim azul-ferrete e do mais vigoroso e enxofrado amarelo e os estuques dos tectos foram ornados com figuras alegóricas mediocremente executadas."
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Cirilo Volkmar Machado, professor de Belas-Artes em Lisboa e contemporâneo de Beckford, diz o contrário nas suas "Memórias": "Os tectos são belas obras de Francisco de Setúbal, que teve a colaboração de Domingos António de Sequeira. Tida como uma das casas mais luxuosas de Lisboa, "com alguns tectos a revelarem-se verdadeiros primores artísticos", como era descrita num artigo do "Diário de Notícias" de 16 de Novembro de 1899, acabou por arder nesse ano e terminou a discussão.
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Em quem acreditar, afinal? Pessoalmente torço pelo inglês...
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Editor de opinião

1 comentário:

Sérgio Lopes disse...

Sempre a aprender com o nosso 14.