quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Floresta Egípcia



ESPECIALISTA HISTÓRIAS LISBOA

A Floresta Egípcia

por António Mendes Nunes, Publicado em 07 de Abril de 2010  

A Floresta Egípcia era um espaço, a meio caminho entre feira popular e recinto de espectáculos, que existiu, na segunda metade do século xix, nas traseiras do Palácio Alagoas (n.os161 a 195 da Rua da Escola Politécnica). Prolongava-se para as traseiras numa extensão que incluía parte das actuais ruas Pedro de Freitas Branco e Tenente Raul Cascais. Talvez chegasse muito perto da Rua de S. Bento.

Imaginado pelo pirotécnico italiano José Osti, era famoso pelos seus lagos, palmeiras, espectáculos de fogo-de-artifício e pelo teatro, que dava comédias, a partir das oito da noite, nos dias de semana, e das quatro da tarde aos domingos. Os lisboetas adoravam pavonear-se por ali, a beber capilés e outros refrescos, tentando um namorico ou passeando com a família atrás.

O sucesso da Floresta Egípcia e de José Osti terá ficado a dever-se aos seus conhecimentos de química, que lhe permitiam fabricar os seus fogos-de-artifício com mais cores e tons mais deslumbrantes do que até então eram conhecidos.

Para a história terá ficado a notícia de um acidente simultaneamente ridículo e trágico. Uma caixa de fósforos ter-se-á incendiado no bolso das calças de um moço. Um amigo que o acompanhava não foi de modas e ati- rou-o para dentro de um dos lagos. O fogo apagou-se mas o infeliz morreu afogado.

A Floresta Egípcia acabou em falência, como os outros negócios em que José Osti se meteu, e para a posteridade só ficou a referência elogiosa que Júlio César Machado, um escritor coevo, lhe faz no romance "A Vida em Lisboa". 

Editor de opinião

3 comentários:

Natércia Martins disse...

Vamos conhecendo a história de Lisboa em pequenos episódios.
É bom e fica pra a informação de coisas que nem os Lisboetas mais informados pensariam que houve lá pela terra deles.

Sérgio Lopes disse...

Eu não conhecia de todo a história de "A Floresta Egípcia". Fiquei mais rico em conhecimento, pelo que fico grato ao nosso António MN

AntonioMN disse...

Sérgio
Obrigado por me pores a prosa direitinha e bonita. Ainda não atinei com isto...Paciencia.
Cá vou continuando com as minhas historietas até terem pachorra para as lerem.