sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O presépio da Estrela

Os festejos de Natal assinalando o nascimento de Jesus iniciaram-se apenas por volta do ano 340. Até aí a festa não constava no calendário cristão, mas já existiam há mais de um milénio umas festividades pagãs que foram passando de cultura em cultura e de religião em religião e que, perdendo-se na noite dos tempos comemoravam a chegada do solstício de Inverno. No império romano tinham o nome de saturnálias e desenrolavam-nas em honra do deus Saturno, havendo relatos de ser já uma época de festejos e troca de presentes. E foi na tentativa de cristianizar essas festas de forte enraizamento popular que a igreja fez coincidir a data com o nascimento de Cristo. E quanto ao presépio, um dos símbolos mais chegados a esta data? Conta-se que foi S. Francisco de Assis quem teve a ideia de montar uma representação ao vivo, numa mata, com uma imagem do Menino Jesus, da Virgem e de S. José, a que juntou um burro e uma vaca, ao vivo, celebrando nesse cenário uma missa de Natal, em 1223. No século XVI, o Renascimento recuperou esse quadro e a imaginação popular foi acrescentando outros elementos. Há notícia da existência de dois ou três presépios em Portugal já no século XVI, mas apenas se divulgaram em força no século XVIII. Bom e o que é que Lisboa tem a ver com tudo isto? Muito. Aquele que é considerado o mais belo presépio português está na Basílica da Estrela, executado na oficina de Mestre Machado de Castro, por volta de 1782. Já foram cerca de 600 figuras de terracota pintada. Hoje são à roda de 400, umas perdidas, outras partidas e várias roubadas. Esta obra tem ainda a particularidade de representar, pela primeira vez entre nós, os Reis Magos substituindo os pastores como os portadores dos presentes para o Menino Jesus. por António Mendes Nunes, Publicado em 23 de Dezembro de 2009 no jornal i

3 comentários:

Natércia Martins disse...

É sempre uma boa escrita estas crónicas que nos deixas.
Boas melhoras. Um abraço

Sérgio Lopes disse...

Boa António!

Nem toda a gente sabe que o Natal tem uma génese pagã. É sempre um imenso prazer ler as tuas crónicas, dado os temas que sabes escolher e o teu estilo literário.

Melhoras e grande abraço.

Antonio Garcez disse...

Caro A.M.Nunes
É com enorme prazer que voltamos a ler as tuas crónicas. Todos nós esperamos que não voltes a "ausentar-te". Desejo-te uma rápida recuperação
Um abraço