quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um cego que nunca existiu
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Conhece-se a origem de todos os nomes de ruas, becos, largos e sítios de Lisboa, menos do Arco do Cego. Não há documentos ou escritos que nos desvendem o mistério. Quem foi o cego que deu origem ao nome, ou se não houve cego nenhum, ninguém sabe. Sabe-se, isso sim, que desde o século 17 a designação Arco do Cego englobava uma vasta zona, com uma estrada do mesmo nome que começava mais ou menos no local onde hoje está o edifício da Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire, e terminava no Campo Pequeno, compreendendo toda a região que hoje vai da Avenida Defensores de Chaves até ao Instituto Superior Técnico e Praça de Londres.
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A origem do arco entende-se, pois por aí andavam os limites urbanos do concelho e haveria um arco com uma porta onde se pagariam os impostos da entrada de mercadorias na cidade. Do "cego" é que já é mais complicado.
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Na Lisboa antiga eram normalmente os proprietários dos sítios que lhes davam o nome e se tivesse havido um cego, por deficiência ou por alcunha, seria mencionado em algum lado, em algum documento, em alguma escritura. Mas não há nada. Assim sendo, parece- -me que o nome virá de "Arco Cego", isto é, com fraca visibilidade, apertado. E era tão apertado que um dia, no Verão de 1742, quando se planeou a ida de D. João V a águas para as Caldas da Rainha, e verificando-se que nele não passava o coche real, o arco veio abaixo? Por ironia do destino, sua majestade acabou por tomar outro caminho na saída da capital.
por António Mendes Nunes, Publicado em 29 de Julho de 2009 no jornal i

3 comentários:

AntonioMN disse...

Desisto!!!! Tentei colocar esta coisa bem editada mas sai tudo colado. Desisto, pronto, sai assim às três pancadas...

Natércia Martins disse...

Mesmo às três pancadas é bom que coles aqui o que escreves.
Escreve sempre. A "embalagem" não tem nada a ver com o "conteúdo" que é sempre bom.
A formatação aprende-se com as asneiras que vamos aprendendo

Sérgio Lopes disse...

Caro António,
Estou do lado da tua irmã. O conteúdo é que interessa e este é bom.

Tentei resolver e as setas foi o melhor que consegui. Penso haver alguma coisa errada com o Editor do blogue.

Abração,

Sérgio (IVS nº 192)