quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Notícias fresquinhas

"LISBOA É UMA CIDADE em que cada vez é mais difícil sair à noite sem que se seja incomodado. Aliás, os ladrões já atacam os pacatos transeuntes em plena luz do dia sem que a justiça consiga travar os seus desacatos e insolências. Ainda ontem, terça-feira, 12 de Janeiro, já noite cerrada, dois ladrões tocaram à porta do secretário da paróquia de S. Nicolau e quando este, confiando numa falsa certidão de um médico, lhes abriu a porta, estes encostaram-lhe duas pistolas ao peito, amordaçaram-no e ensacaram tudo o que puderam." Qualquer tablóide poderia ter escrito, ontem, qualquer coisa assim, mas estas notícias são de 12 de Janeiro de 1740, de há 270 anos, portanto. O "Folheto de Lisboa", uma publicação semanal manuscrita que se publicou em 1740, redigida pelo padre Luiz Montez Mattozo, clérigo em Santarém, dá-nos o retrato de uma cidade violenta, contando desacatos provocados por gatunos, mas também por pessoas da melhor sociedade. É assim que ficamos a saber que dois juízes desembargadores, numa quinta-feira, 11 de Agosto, se pegaram violentamente dentro do tribunal e enquanto um brandia um punhal o outro atirou-lhe com um tinteiro à cabeça. Mas a notícia mais curiosa é de 25 de Julho, que transcrevemos com a grafia actualizada: "Neste dia travando-se de razões duas mulheres vendedeiras de pão no Terreiro [do Paço], foi tal o excesso da decomposição de uma mais gorda e prezada de valente, que pegando da rasoira, levantou as saias à sua contrária e lha meteu nas partes pudendas." Por António Mendes Nunes, Editor de opinião do Jornal i, Escreve à quarta-feira

2 comentários:

AntonioMN disse...

Descobri na Biblioteca Nacional uma série de obras digitalizadas muito interessantes dos séculos XVI, XVII e XVIII, uma época que me interessa especialmente, porque estou a investigar algumas coisas sobre esse período neste momento. Uma delas é este jornal que refiro na notícia, uma folha semanal que nos dá um retrato de como era o Portugal de 1740. Vou continuar a tratar deste tema nas crónicas seguintes
Abraço a todos

Sérgio Lopes disse...

Força António!