quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um Campo que é mesmo Grande

por António Mendes Nunes, Publicado em 11 de Novembro de 2009

Quem hoje olhar para o Campo Grande pouco mais vê que um largo espaço com vias de entrada e saída da cidade, uma parte central arborizada e, de um e outro lado, casas em acelerada renovação e novos espaços públicos, com destaque para a universidade e a Biblioteca Nacional. Evaporou-se-lhe a "alma", sabe-se lá se arrastada na pressa com que os automóveis a atravessam a caminho da Segunda Circular.
No entanto, o Campo Grande já foi um dos locais mais frequentados pelas classes dominantes. Nas suas frondosas alamedas deu alguns passeios a cavalo arainha D. Amélia. O seu cunhado, o príncipe D. Afonso (por alcunha o "Arreda"), venceu corridas de automóveis, acabava de despontar o século xx.
Era chique ir ao Campo Grande entre as 10 e as 11 horas da manhã das segundas e das quintas-feiras. Ao povo estava reservado o domingo.
Os mais novos nem imaginam que o Sporting, primeiro, e depois o Benfica, já aí tiveram os seus campos de futebol (que o segundo herdou do primeiro e o povo conhecia como o "Campo de Pau", porque as bancadas eram de madeira); que no Campo Grande aterraram aviões; que naquele terreiro se fazia uma monumental feira de gado; que aí se realizou um dos milagres da rainha Santa Isabel; e que (depois das glórias, as misérias) no local onde hoje estão os relvados da Alameda da Universidade funcionava por volta dos anos 30 uma monumental lixeira onde eram diariamente lançados os despejos de meia Lisboa.
Jornalista

2 comentários:

Natércia Martins disse...

~pois é, meu irmão. Já sentia a tua falta aqui

Sérgio Lopes disse...

Ao António, que sei foi operado, os meus votos amigos de uma rápida recuperação. Fazes muita falta!

Abração.