domingo, 31 de janeiro de 2010

Gralha

Gralhas

A palavra “gralha” pode significar uma espécie de ave que faz imenso barulho mas não canta.

Chamamos “ gralha” a uma pessoa que fala muito, mas pouco se aproveita do que diz.

Pois bem, “ gralha” é o que as pessoas chamam a um erro que,por razões variadas, sai numa publicação e que passa a qualquer revisor, por mais atento que esteja.

Num dos Jornais “ Ecos do Mondego” saiu uma “ gralha”na receita da caldeirada à beira-rio, que alterou todo o sentido do texto. Dizia a receita que além do ruivo, safio, tomate,batatas, etc, etc, levava 12 Kg de berbigão ou ameijoa e 12 Kg de pão torrado. Convenhamos que seria demasiada quantidade em relação aos outros ingredientes.

Certo é que as pessoas comem bem quando em boa companhia ou local aprazível. Mas 12 Kg ........ seria demais .... Ao preço que as coisas estão ! ....

O que se escreveu era apenas 1,2 Kg de ameijoa e pão torrado.Quando da conversão de programas, os computadores suprimiram as respectivas virgulas.

As novas tecnologias são assim. Muito boas, significam progresso, mas também erram. E foi o caso. Acontece....

Passou na revisão que se fez e como o primeiro tratamento gráfico é da minha responsabilidade, daqui peço desculpa pela dita “ gralha”.

Pessoa amiga de longa data, e a quem envio, pontualmente o jornal, encontrou-me na esplanada de um café, onde calmamente bebia uma “bica”, e falámos das cheias do Mondego, dos lamigueiros que se encontram em vias de extinção como muitas outras espécies, noutros locais do planeta.

Falámos dos “ Ecos do Mondego”, como não podia deixar de ser. E, claro, falámos da “ gralha” que alterou todo o sentido da receita, mas também chegámos à conclusão que facilmente se dava pelo erro.

Falámos durante muito tempo. Desfiámos recordações, como sempre fazemos quando nos encontramos. Então contou-me que, havendo uma festa na aldeia, foi assistir a um concerto dado por uma Banda Filarmónica.

O palco enfeitado com fitinhas de papel abanavam ao vento.Ouviam-se os acordes da referida Banda numa “ arruada” visitando os mordomos, convidando a população depois do jantar.

O recinto bem composto de gente que vendia farturas, algodão doce chupa-chupas. Havia lá ao fundo a barraquinha das rifas, vulgarmente conhecidas por quermesse, onde sai sempre prémio: canecas, vasos de flores, caixinhas de madeira, etc, etc.

Os músicos apresentavam-se impecavelmente vestidos. Lá bem no meio, estava um que dava nas vistas. Impertigado, na sua farda azul, camisa branca e boné a esconder o cabelo cheio de gel. Bem arrumados no palco. Sentados em cadeiras mais ou menos cómodas começou o concerto.

O mestre deu o sinal e todos afinados tocaram músicas bem conhecidas.

O público aplaudia. O rapaz impertigado e cabelo cheio de gel ia espreitando, a ver, se alguém dava pela sua presença. É que se aprumara mais que nos outros dias. Podemos dizer que estava vaidoso, muito vaidoso, do seu saxofone, negro e botões amarelos a luzir, ainda novinho em folha. A luzir.

Mais uma música. Tudo em ordem. Um abanar de ombros ajeitando a farda e o instrumento. Mais uns acordes. O mestre confiante nos seus músicos sorria. E é aqui que se ouve um som agudo, prolongado e enquanto todos iam no dó, o rapaz ainda tocava ré.

O mestre olhou, franziu o sobrolho, coçou a cabeça e a música lá seguiu, mas aquela “ fífia”.....

O rapaz corou. Olhou à volta, coçou um olho e seguiu, mas ficou a pensar. Ele que estudara tão bem a lição, que não desafinava nunca .....

Veio mais tarde a saber, o meu amigo, que o rapazinho do saxofone preto, de tão presunçoso, não levava para os concertos, as pautas sujas ou amachucadas.

Na véspera, quando mais uma vez ensaiou, viu que as pautas não estavam impecavelmente limpas e a seu gosto.

Foi ao quiosque e fotocopiou -as. Agora estavam limpinhas .....

O que ele não viu foi que, junto a uma seminima uma mosca tinha poisado e sem cerimónias colocou ali à frente da nota musical uma “ bolinha” redonda que a fotocopiadora copiou na íntegra aumentando assim o valor da nota musical provocando a tal “ fífia”

O músico, sem se aperceber tocava o “ cócó” da mosca julgando ser um ponto posto lá no lugar certo, desafinando a música, prolongando o som por mais algum tempo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Lugar Cativo

Por volta de 1551 Lisboa tinha 100 mil habitantes, dos quais praticamente 10 mil eram escravos, na sua maioria negros vindos de Angola. À medida que iam chegando, para se ocuparem das tarefas mais mesquinhas, outros tantos portugueses miseráveis, fartos da fome e dessas tarefas mesquinhas, partiam para a Índia e para o Brasil, à procura de melhor vida, quase sempre sem grande êxito. E que faziam os escravos na capital? Apenas essas tarefas degradantes e violentas que mais ninguém queria? Não. Uma boa parte trabalhava nas casas de família como cozinheiros, na limpeza da casa, indo às compras ao mercado, a tratar dos meninos. Alguns mais sortudos acabavam por se tornar parte da família, e há muitos casos de rebentos mulatos, alguns perfilhados, enobrecidos e até tornados fidalgos, como Cristóvão Zuzarte, comandante de uma armada nos Açores.Não era invulgar os escravos, homens e mulheres, serem contemplados nos testamentos dos seus donos com heranças; por vezes até se oferecia a sua liberdade. Havia outros que, entregando-se a pequenos negócios, com a autorização dos seus proprietários, conseguiam comprá-la. No entanto, a esmagadora maioria desta gente tinha uma vida insuportável; não havia qualquer respeito por eles, nem dos mais humildes. Veja-se esta notícia do dia 29 de Julho de 1740: "Hontem hindo huma preta junto à cruz de Cataquefarás (o início da Rua de S. Paulo) com um vazo de imundicia humana a lançar na praya, se lhe meteu o fundo dentro, ficando-lhe metido atè aos hombros com cabeça, boca e olhos cheyos de imundicia, o que cauzou tanto rizo na plebe, que pareceu huma tarde de touros." . por António Mendes Nunes, Publicado em 27 de Janeiro de 2010 Editor de opinião

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Vale da Urssa

Podemos ver nesta fotografia três "figurões", alguém consegue identificá-los?
Ficamos a aguardar....

domingo, 24 de janeiro de 2010

Taj Mahal

De um e-mail recebido do nosso prof. Ferreira de Lerena surgiu-me a ideia de publicar isto:
Umas das 7 maravilhas do mundo, praticamente todos já o viram em inúmeras fotografias, mas o que poucos sabem, é a história que ao amor e representa toda a eloquência que este sentimento pode ser. Durante séculos, o Taj Mahal inspirou poetas, pintores e músicos que tentaram capturar a sua magia em palavras, cores e música. Viajantes cruzaram continentes inteiros para ver esta esplendorosa beleza, sendo poucos os que lhe ficaram indiferentes.
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Como todas as histórias, esta também começa da mesma maneira... Era uma vez um príncipe chamado Kurram que se enamorou por uma princesa aos 15 anos de idade.
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Reza a história que se cruzaram acidentalmente mas seus destinos ficaram unidos para todo o sempre. Após uma espera de 5 anos, durante os quais não se puderam ver uma única vez, a cerimónia do casamento teve lugar do ano de 1612, na qual o imperador a rebaptizou de Mumtaz Mahal ou "A eleita do palácio". O Príncipe, foi coroado em 1628 com o nome Shah Jahan, "O Rei do mundo" e governou em paz. Quis o destino que Mumtaz não fosse rainha por muito tempo. Ao dar à luz o 14º filho de Shah Jahan, morreu aos aos 39 anos em 1631. O Imperador ficou tremendamente desgostoso e inconsolável e, segundo crónicas posteriores, toda a corte chorou a morte da rainha durante 2 anos. Durante esse período, não houve musica, festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino. Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer. Não se sabe ao certo quem foi o arquitecto, mas reuniram-se em Agra as maiores riquezas do mundo.
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O mármore fino e branco das pedreiras locais, Jade e cristal da China, Turquesa do Tibet, Lapis Lazulis do Afeganistão, Ágatas do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia, Corais da Arábia Saudita, Quartzo dos Himalaias, Ambar do Oceano Índico. Surge assim o Taj Mahal.
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O seu nome é uma variação curta de Mumtaz Mahal.. o nome da mulher cuja a memória preserva. O nome "Taj", é de origem Persa, que significa Coroa. "Mahal" é arábico e significa lugar.
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Devidamente enquadrado num jardim simétrico, tipicamente muçulmano, dividido em quadrados iguais cruzado por um canal ladeado de ciprestes onde se reflecte a sua imagem mais imponente. Por dentro, o mausoléu é também impressionante e deslumbrante.
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Na penumbra, a câmara mortuária está rodeada por finas paredes de mármore incrustado com pedras preciosas que forma uma cortina de milhares de cores. A sonoridade do interior, amplo e elevado é triste e misterioso, como um eco que soa e ressoa sem nunca se deter. Sobre o edifício surge uma cúpula esplendorosa, que é a coroa do Taj Mahal. Esta é rodeada por quatro cúpulas mais pequenas, e nos extremos da plataforma sobressaem quatro torres que foram construídas com uma pequena inclinação, para que em caso de desabamento, nunca caiam sobre o edifício principal. Os arabescos exteriores são desenhos muçulmanos de pedras semi preciosas incrustadas no mármore branco, segundo uma técnica Italiana utilizada pelos artesãos hindus. Estas incrustações eram feitas com tamanha precisão que as juntas somente se distinguem à lupa.
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Uma flor de apenas sete centímetros quadrados, pode ter até 60 incrustações distintas. O rendilhado das janelas foi trabalhado a partir de blocos de mármore maciço. Diz-se que o imperador Shah Jahan queria construir também o seu próprio mausoléu. Este seria do outro lado do rio. Muito mais deslumbrante, muito mais caro, todo em mármore preto, que seria posteriormente unido com o Taj Mahal através de uma ponte de ouro. Tal empreendimento nunca chegou a ser levado a cabo. Após perder o poder, o imperador foi encarcerado no seu palácio e, a partir dos seus alojamentos, contemplou a sua grande obra até à morte. O Taj Mahal foi, por fim, o refúgio eterno de Shah Jahan e Mumtaz Mahal. Posteriormente, o imperador foi sepultado ao lado da sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o complexo do Taj Mahal. Após quase quatro séculos, milhões de visitantes continuam a reter a sua aura romântica... o Taj Mahal, será para todo o sempre um lágrima solitária no tempo.
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Brandos Costumes

Com mais de 250 mil habitantes, a maioria amontoados em casas sem condições, construídas em vielas tortuosas e sujas, a Lisboa de 1700, ainda espartilhada pela velha muralha Fernandina, era uma cidade insegura e violenta, como nos contam os relatos da época e como demos conta na crónica da semana passada. Os pedidos de ajuda eram constantes mas as respostas não pareciam ser eficazes. Luiz Montez Mattoso, na folha semanal que publicou entre 1740 e 1745 dá-nos conta que o reforço da polícia era ineficaz porque os meliantes e ladrões sabiam bem como lhe fugir e nem a dureza das penas os afastava dos seus actos. Isto, porque só uma ínfima parte dos meliantes eram apanhados, recaindo neles a fúria dos tribunais, escapando a maioria a qualquer castigo. E que castigos eram esses? A pena de morte, quase sempre. No jornal do dia 29 de Outubro de 1740 noticia-se, sem grandes pormenores, que três homens “tinham sofrido morte natural na forca da Ribeira e mais três estavam aguardando a mesma sorte, por terem furtado uns galões de ouro e prata numa loja da Rua Nova”. Castigo violento? Sim, para os nossos padrões actuais, mas brando segundo os da época. Como se pode ler em “Principais Notícias dos Desacatos” da autoria de Frei João de S. Boaventura, publicado em Lisboa em 1825, os roubos nas igrejas e, sobretudo, as profanações dos sacrários eram punidos ainda mais violentamente. E dá-nos notícias de vários casos em que os ladrões eram arrastados pelas ruas até ao local do crime, as mãos eram-lhes cortadas e queimadas à sua vista e depois eram eles próprios queimados e as cinzas lançadas ao Tejo. António Mendes Nunes - Editor de Opinião . Publicado no Jornal i, em 20 de Janeiro de 2010

Conceito de família

Penso que estamos a perder o conceito de família, o que é triste. Não resisto a partilhar com todos os nossos colegas que viveram na época em que o pai, a mãe e os irmão iam visitar o filho mais velho que estudava num colégio interno. Muito provavelmente daqui a algum tempo irão "dois" pais "ou duas" mães "fazer essa visita.
Este recorte foi-me enviado pelo Professor Ferreira Lerena, a quem agradeço a atenção que me tem dispensado, repartindo comigo assuntos espectaculares de todos os géneros.
Um grande abraço para si, Professor.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quem é ? Adivinhem !!!