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sexta-feira, 19 de março de 2010

Viação Sernache

Já que estamos a falar de futebol, da grande equipa de novatos que foi o Viação Sernache durante a Taça Amizade e no período que se seguiu até à 2ª Divisão Nacional, vou recordar aqui o nosso companheiro Ernesto Figueiredo.

Mas, primeiro, tenho de contar este episódio que nunca esqueci. No dia em que abandonei Cernache definitivamente o Ernesto (como era conhecido em Cernache) foi despedir-se de mi à camioneta e disse-me que ia para o Sporting. Fiquei surpreendido e disse a seguinte alarvidade ao Ernesto: Ó pá, tu na 2ª Divisão vais ser um grande jogador, mas no Sporting...”

Pois devia ter mordido a língua, porque perdi uma grande oportunidade de ficar calado. Estava há uns anos na faculdade de ciências económicas da Cidade do Cabo, sem notícias do futebol português, quando passa pelo porto da cidade o paquete Pátria. Convido uns colegas para irmos beber umas Sagres num do bares do Pátria. Chegados lá, ao sentar-me vejo na mesa ao lado um jornal português (creio que o Diário de Notícias), pego-lhe e na primeira página leio “ Figueiredo convocado para a Selecção Nacional”. Fiquei emocionado e orgulhoso de ter jogado com ele no Viação Sernache. Todavia, folheando o mesmo jornal, também dei de caras com a notícia da morte em combate do Pedrito Matos Neves. Ele há coincidências!

Mas vamos ao Ernesto pós-Cernache:
Ernesto Figueiredo

São 16 os jogadores que, desde a fundação do Sporting Clube de Portugal, marcaram mais de 100 golos em jogos oficiais do Clube. Durante os próximos 16 dias, o site oficial do Sporting, através da reedição de um trabalho publicado no jornal Sporting, dá-lhe a conhecer o nome destes 16 goleadores.

Destes predestinados, com faro apurado para o golo, há nomes e números que se destacam. Se, por um lado, nas décadas de 30 e 40, existiu um senhor chamado Peyroteo – que marcou mais de meio milhar de golos de «leão» ao peito – houve também outro artilheiro, Yazalde, que foi o primeiro jogador «leonino» a receber a «Bota de Ouro» europeia, com um total de 46 golos, marca que ainda hoje perdura no futebol nacional e é a terceira melhor de sempre da Europa.

Neste top 100, relembre um pouco da história de Peyroteo, Manuel Fernandes, Manuel Vasques, Manuel Soeiro, Rui Jordão, Adolfo Mourão, João Martins, Jesus Correia, Albano, João Cruz, Ernesto Figueiredo, João Lourenço, Hector Yazalde, Pedro Pireza, José Travassos e Liedson.

11.º – FIGUEIREDO, 147 GOLOS, ENTRE 1960 E 1968

Ficou conhecido como o «Altafini de Cernache», numa alusão ao goleador do Milão que marcou dois golos ao Benfica na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, em 1963. Proeza que Ernesto Figueiredo repetiu uma semana depois, em jogo a contar para as meias-finais da Taça de Portugal.

Ingressou no Sporting CP na época de 1960/61 e estreou-se pela equipa principal no dia 17 de Setembro de 1960, num encontro em Alvalade, frente ao Lusitânia de Évora, que os «leões» venceram, por 4-2 e em que eram orientados pelo argentino Alfredo Gonzalez. O seu nome fica invariavelmente ligado à conquista da Taça das Taças (1963/64), por ter marcado dois golos, na final com o MTK. Na época de 1965/66, sagrou-se o melhor marcador do campeonato nacional, ao apontar 25 golos. Ao fim de oito anos ao serviço dos «leões», terminou a sua carreira no Clube.

Ernesto Figueiredo

Data de nascimento: 6 de Julho de 1973

Local de nascimento: Tomar

Treinador: Alfredo Gonzalez«

Títulos conquistados: 1 Taça das Taças (1963/64); 2 Campeonatos Nacionais (1961/62 e 1965/66); 1 Taça de Portugal (1962/63) Internacionalizações: 6

Há tanta coisa, tantas memórias alicerçadas no IVS, no Viação Sernache e em Cernache do Bonjardim que são motivo de orgulho e de tanta, tanta saudade. Ao Ernesto, que nunca mais vi (a não ser nas suas tardes de glória na TV) a minha homenagem.

quinta-feira, 18 de março de 2010

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Autorização de Namoro - Formulário

Com o surgimento de um pequeno louco querendo namorar a minha filha, tirei da gaveta o seguinte formulário, que agora disponibilizo para todos que tenham ou venham a ter uma filha. Já se passaram dois meses e o pretendente ainda não voltou para me entregar o formulário preenchido.

FORMULÁRIO PARA AUTORIZAÇÃO DE NAMORO COM MINHA FILHA Nota Importante: Este formulário deverá vir devidamente acompanhado de: * Declaração completa de bens * Histórico Escolar * Histórico Profissional * Árvore Genealógica completa * Ficha Criminal * Exame de Saúde completo e atualizado. --------------------------------------------------------------- Dados Pessoais: Nome___________________ Data de Nascimento __/__/__ Altura_____ Peso_____ Q.I.____ Média Escolar____ Prontuário: RG__________________ CPF_________________ Escoteiro? Medalhas? Atividades Esportivas? ( )Sim ( )Não Quais________________________________________ Endereço Residencial (Completo) __________________________________________________ Você tem 1 (UM) Pai e 1 (UMA) Mãe?____________ Se Não, Explique:_______________________________ Há quantos anos seus pais são casados?________________ Se menos que sua idade, Explique:_______________________ Acessórios esquisitos: Usa piercings na orelha, nariz ou boca? ( )sim ( )não No umbigo e outras partes do corpo?...( )sim ( )não Tem tatuagem?.........................................( )sim ( )não Onde?___________________ ( SE VOCÊ RESPONDEU POSITIVAMENTE A QUALQUER ITEM ACIMA, PODE PARAR DE PREENCHER ESTE FORMULÁRIO) Interpretação de texto Usando 50 palavras ou menos, descreva o que significa chegar TARDE para você: ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ Usando 50 palavras ou menos, descreva o que significa NÃO BULINAR MINHA FILHA: ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ Usando 50 palavras ou menos, descreva o que significa ABSTINÊNCIA, na sua opinião: ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ Outros: Igreja que você freqüenta:__________________________ Com que freqüência?_____________________________ Preencha os espaços abaixo. Todas as respostas serão confidenciais: Se eu for atingido por uma bala, eu detestaria ser atingido no:______________________________ Se eu levar uma surra, não quero que me quebrem o seguinte osso: ____________________________ Lugar de mulher é:______________________________ Escreva algo que você não espera ter que responder neste formulário: _____________________________ Qual a primeira coisa que você nota em uma mulher?_________________________________________ (Nota: Se a resposta começar pelas letras P, B ou C, favor abandonar imediatamente este formulário e sair correndo, de cabeça baixa ) O que você quer ser 'SE' crescer? _____________________________ EU, ABAIXO ASSINADO, Assinatura____________________ (o estúpido) As letras pequenas abaixo são mera formalidade, nem precisa ler!!! A) Eu, o namorado, doravante denominado 'estúpido' declaro ainda que este documento tem poder de 'procuração' seja para que assunto for. B) Desisto de qualquer direito, mesmo sobre minha integridade física, ossos, órgãos, dentes, durante todo o tempo de vigência do namoro 'mais nove meses' pertencendo ao Pai da Namorada os poderes de decisão, inclusive de vida ou de morte. C) Ao pai da namorada não questionarei a autoridade ou ordens, deverei agir com obediência cega a toda e qualquer ordem ou vontade que me for imposta, a mínima que seja. D) Admito toda e qualquer culpa que me for imputada sem questionar. Sem direito a teste de DNA. E) Reconheço a legitimidade de 'Pagamento de pensão' durante o período que a 'namorada' se mantiver solteira a título de indenização moral caso este não resulte em um honroso matrimônio. Obrigado pelo seu interesse. Favor aguardar de 2 a 3 meses para seleção. Se aprovado, você receberá uma notificação por escrito. Não chame, ligue ou escreva. Aguarde minha chamada. Se você não for aprovado e dependendo das circunstâncias, você será notificado, pessoalmente, pela Polícia Militar!!!!!!! Atenciosamente, PAI 2 vezes campeão Paulista de tiro - modalidade saque-rápido Campeão brasileiro de tiro ao alvo - modalidade Moore System 3 vezes campeão Paulista de judô Campeão Paulista de vale-tudo 2002 Campeão brasileiro de vale-tudo 2003 Combate com facas. Adestrador de Cães de ataque. Livros Publicados: 'Táticas de Combate - Silenciamento de Sentinelas' e 'Matando com as mãos'.

Dia de Acção de Graças nos EUA

Anjel para Shabbat Pensamentos para o Dia de Acção de Graças 2009 pelo rabino Marc D. Anjel

O presidente George Washington proclamou a quinta-feira 26 de novembro de 1789 como um Dia Nacional de Acção de Graças a Deus “por virtude da sua benção e protecção dos povos deste país precedendo a sua transformação numa Nação; pelo Seu sinal e a miríade de mercês, e as interposições favoráveis da Sua Providência no decurso e na conclusão da guerra que antecedeu; pela transbordante tranquilidade da união, e pela abundância com que nos presenteou desde então; pela maneira pacífica e racional nos permitiu estabelecer as constituições e o governo para a nossa segurança e felicidade, e particularmente o estabelecimento da Constituição Nacional ora proclamada; pela liberdade civil e religiosa com que nós fomos abençoados, e pelos os meios que nós temos de adquirir e de difundir o conhecimento útil; e, resumindo, por todos os grandes e muitos favores que nos foram conferidos.” As comunidades judaicas desse tempo nos Estados Unidos exultaram no papel que jogaram em estabelecer este país novo. Já em 1784, os líderes da Assembleia Shearith Israel em New York City (fundada em 1654) dirigiram uma carta ao Governador George Clinton em nome “da antiga Assembleia de Israelitas” na qual diziam: “Embora a sociedade que a nós pertencemos seja muito pequena, quando comparado com outras sociedades religiosas, contudo nós lisonjeamo-nos que nenhuma outra manifestou maior apegamento à causa sagrada da América na passada guerra com a Grâ-Bretanha….E agora olhamos esperançosos o futuro e os dias felizes que se seguem sob uma constituição moldada sabiamente de modo a preservar as bênçãos inestimáveis da liberdade civil e religiosa.”

Um país novo tinha nascido, e os judeus tinham participado na sua formação. Eram cidadãos iguais nos Estados Unidos. Isto não era a verdade dos judeus em nenhum país na Europa ou no mundo muçulmano. Os judeus americanos foram os primeiros na história da Diáspora a ser cidadãos em em pé de igualdade com seus concidadãos não-Judaicos, e a ter participado verdadeiramente participado na luta pela independência de uma nova nação.

Quando o presidente Washington proclamou o Dia de Acção de Graças, os judeus observaram esse dia com orgulho e alegria . Na Shearith Israel em New York, o Rev. Gershom Mendes Seixas organizou um serviço apropriado da oração, e fez um sermão em que convidou judeus “para apoiar esse governo que é fundado sob os princípios mais fundamentais e estritos de liberdade e de justiça igual para todos.” Em anos subsequentes, os Dias de Acção de Graças passaram a ser comemorados de igual modo em Shearith Israel e nas outras assembleias judaicas da época. Estes dias foram invariavelmente proclamados em nome do povo americano, e deviam ser observados por cada cidadão de acordo com sua própria fé. Em 1817, o Estado de Nova Iorque oficializou o feriado do Dia de Acção de Graças. Shearith Israel celebrou serviços religiosos em cada ano subseqüente--excepto em 1849 e 1854. Naqueles dois anos, o governador do estado proclamou que o dia era dedicado especificamente a cada “cidadão cristão”, em vez de aos americanos de todas as fés. À excepção destes dois anos, o Dia de Acção de Graças foi sempre dedicado a todos os americanos, cada um de acordo com sua própria fé.

Ouve-se às vezes em círculos judaicos ortodoxos que o Dia de Acção de Graças é “um feriado não-Judaico” e não deve ser observado por judeus religiosos. Esta visão é historicamente errada e moralmente duvidosa. O Dia da Acção de Graças é um feriado nacional americano para todos os residentes dos Estados Unidos, de todas as religiões. Os judeus participam na Acção de Graças desde o início da história dos Estados Unidos. Este feriado nacional pertence tanto aos judeus como a todos os americanos. É completamente apropriado que os judeus se juntam aos seus concidadãos americanos na observação de um Dia de Acção de Graças ao Todo Poderoso por todas as bênçãos que teve por bem dar a este país. Os judeus, em particular, têm muitas razões para agradecer a Deus por todas as oportunidades e as liberdades que lhes foram concedidas nos Estados Unidos.

Na sua famosa carta à comunidade judaica de Newport em 1790, o presidente Washington escreveu: “Possam os filhos de Abraão que habitam esta terra continuar a merecer e a apreciar a benevolência dos seus concidadãos--enquanto cada se sentar em segurança na segurança sob sua própria videira e figueira e não houver ninguém para incutir-lhes o medo.” Estas são palavras que expressam o espírito americano no seu melhor, pelas quais devemos estar gratos.

Feliz Dia de Acção de Graças.
Fonte: saudades-sefarad • Portuguese-Jewish history, culture, genealogy. & Anusim. A forum for discussion and debate - http://groups.yahoo.com/group/saudades-sefarad/message/41550 e http://www.saudades.org/ (SAUDADES - os próximos 500 anos)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A fé de um genuino cowboy garoto!

Do Nuno Bonneville recevi este vídeo extraordinariamente comovente que quero partilhar convosco.
A fé de um genuino cowboy garoto!
O telefonema do garoto Logan, depois de perder uma bezerra durante o parto. Tem legendas em português do Brasil. Recomendo oiçam do princípio ao fim.

Ann Frank faria hoje 80 anos

Do blogue Antigos Alunos - Externato Ramalho Ortigão recebi a notificação desta efeméride que, pela importância e significado que tem e também por ter marcado as nossas vidas nos anos 50, decido publicar com a devida vénia ao blogue irmão:

O DIÁRIO DE ANNE FRANK (São Caixinha)

"ESTOU TÃO FELIZ POR TE TER TRAZIDO COMIGO!"
12 de Junho de 2009 Se Anne Frank fosse viva, completaria hoje 80 anos. Infelizmente faleceu aos 15 anos de idade, de tifo e subnutrição, no campo de Bergen-Belsen, nos finais da Segunda Guerra Mundial. Fazia parte de uma família judaico/alemã, que em 1933 se tinha refugiado na Holanda fugindo às perseguisões nazis. Não tiveram dificuldade em estabelecer-se em Amsterdão, onde o pai constituiu com sucesso algumas empresas, enquanto Anne e a sua irmã Margo frequentavam uma escola de ensino holandesa. A família Frank sentiu-se segura na Holanda, até esta ser invadida pelas tropas Alemãs a 10 de Maio de 1940. Também aqui foi então imposto o “Entjuding” de Hitler, significando que os Judeus deviam usar uma estrela, não podiam possuír empresas, e os seus filhos podiam apenas frequentar escolas Judaicas. Como prenda dos 13 anos Anne recebeu um diário onde, com enorme entusiasmo, imediatamente começou a escrever. 12 de junho de 1942 “Eu espero que a ti tudo te possa confiar, como nunca a ninguém pude fazer, e espero que tu para mim possas vir a ser um grande apoio” Poucos dias depois decidiu dirigir as folhas do seu diário a uma amiga imaginária a quem deu o nome de Kitty. Dentro em breve Otto Frank (o pai de Anne), sentiria a urgência de encontrar um esconderijo para a família e, em segredo, com a ajuda de alguns amigos (V.Kugler, J.Kleiman, Bep e Miep Gies, que mais tarde, arriscando a vida, lhes forneceriam alimentos, notícias e livros) organizou a mudança para um anexo desabitado, situado nas traseiras do edifício onde ainda funcionava a empresa que lhe tinha pertencido. Outro casal, os van Pels com o seu filho Peter (por quem Anne se viria a apaixonar) e Fritz Pfeffer, vieram pouco depois juntar-se-lhes, partilhando assim durante 2 anos a pequena habitação. As cartas que Anne escreve no diário referem-se exclusivamente a este período. O seu extraordinário espírito de observação permite-lhe analisar o comportamento dos companheiros do anexo, e com a mesma precisão, o seu próprio. “Querida Kitty: Quando agora me ponho a pensar na minha vida de 1942, tudo me parece tão irreal. Essa vida era vivida por uma outra Anne, diferente desta que é agora, mais ajuizada (...) Talvez queiras perguntar-me como conseguia eu que todos gostassem de mim. O Peter diz que era “carisma” mas isso não é bem assim. Os professores achavam as minhas respostas astutas, as minhas observações humorísticas , a minha cara sorridente e o meu olhar crítico, divertido e engraçado. Não era mais que isso; uma terrível brincalhona, alegre e divertida. Mas tinha também algumas boas qualidades que me davam a garantia de não cair em desgraça: era trabalhadora, honesta e sincera. ” Denotando uma maturidade precose e possuidora de um invulgar espírito de observação, Anne escreve frequentemente sobre os sacrifícios da vida do dia a dia, o isolamento, a esperança e o medo. Querida Kitty: (...) Hoje à tardinha, quando a Elli estava aqui, tocaram a campaínha permanentemente e com força. Fiquei logo pálida, tive dores de barriga, palpitações e muito medo. De noite deitada na cama tenho visões terriveis. Vejo-me na prisão, sózinha, sem o meu pai e a minha mãe. Por vezes ando a vaguear por qualquer parte, não sei onde, ou vejo o anexo a arder, ou eles vêm, de noite, para nos buscar. Sinto tudo isto como se fosse realidade e a ideia de que me vai acontecer alguma catástrofe não me larga. Na primavera de 1944 Anne ouviu o Ministro da Educação, Bolkenstein, na Rádio Orange, falando do exílio. Ele dizia que, depois da Guerra, todos os testemunhos do sofrimento do povo Holandês durante a ocupação Alemã, deveriam ser coleccionados e tornados públicos. Considerando esta hipótese, Anne decidiu que depois da Guerra publicaria um livro. O seu diário servir-lhe-ia de base. Foi este livro que li quando tinha aproximadamente 15 anos, e que me impressionou até aos dias de hoje. A atracção foi instantânea. Era uma estória real, retratando insólitas circunstâncias de uma guerra que me era alheia, mas onde se tratavam também abertamente questões de adolescência, glórias e fraquezas, com as quais eu me identificava. Folhas de um diário que, como um espelho, me permitiam ver-me a mim própria! Pareceu-me até, de início que, também eu habitava uma espécie de anexo, onde igualmente me faltava a liberdade. Em 1976 ao chegar á Holanda, e receando que a minha estadia pudesse ser apenas temporária, quis de imediato visitar o anexo. Foi uma insólita experiência. Reconheci os postais ilustrados que Anne colara nas paredes do seu quarto, ingénuo testemunho da sua presença, e surpreendi-me com o tamanho das divisões, que supunha maiores. Mas o mais notável era o cerrado silêncio que invadia tudo. Foi a casa mais vazia onde alguma vez estive. Encontrava-me entre as paredes que a protegeram e de onde, impiedosamente, foi arrancada e transportada para Westerbork, para Auschwitz, para Bergen-Belsen. Ali escreveu a última folha do diário, mas a sua estória continuou por tortuosas paragens. Uma inquietante tristeza apoderou-se de mim. O que é que se teria passado verdadeiramente nos campos de concentração? A lealdade que lhe devia, obrigou-me a que a acompanhasse nessa última viagem. Li sobre Auschwitz...sobre o horror daqueles dias, entorpecida de assombro. Que tremenda catástrofe para a humanidade! Em retrospectiva, este período marcou o final da minha adolescência. Os meus sonhos de menina tornaram-se súbitamente insignificantes, perante as dimensões das questões que então se me punham. Era preciso reorganizar valores e criar novas directivas. E assim foi. Nunca se chegou a apurar quem denunciou os habitantes do anexo. Anne Frank e os restantes habitantes, foram deportados para Auschwitz-Birkenau no último transporte que saíu de Westerbork a 3 de Setembro de 1944. Anne viveu ainda cerca de 7 meses em campos de concentração. Faleceu duas semanas antes de Bergen-Belsen ter sido libertado pelas tropas Inglesas. Otto Frank foi o único sobrevivente dos habitantes do anexo. Faleceu a 19 de Agosto de 1980. Miep Gies foi quem tomou a iniciativa de salvaguardar o diário. Quis o acaso que tivesse o privilégio de a conhecer, ao ser distinguida com a Ordem de Mérito Alemã em 1994. Completou este ano a 15 de Fevereiro, 100 anos de idade. "Never a day goes by that I do not think of what happened then." (Fragmento do seu site) O Diário de Anne Frank tornou-se um dos símbolos do Holocausto. Fire and Ice Some say the world will end in fire, Some say in ice. From what I tasted of desire I hold with those who favour fire. But if it had to perish twice, I think I know enough of hate To say that for destruction ice Is also great And would suffice. Robert Lee Frost 1874-1963
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C O M E N T Á R I O S
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Isabel Esse disse... O Holocausto e a crueldade que o envolveu estão para além da nossa capacidade de compreensão.Se pensarmos que se passou há relativamente pouco tempo e que envolveu crianças e meninas como Anne Frank torna-se ainda mais assustador e inexplicável.
Bem escolhido este dia para este post e bem feita a ligação que a autora faz entre o livro e as suas consequências nela,um bom momento desta série.Isabel
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farofia disse... Junto-me à São Caixinha para celebrar o Happy Birthday de Anne Frank, inspiradora de gerações de jovens leitoras do seu «Diário».
Obrigada, São, pela oportunidade que me dá de lembrar um dos livros da minha vida. Também ‘fui Anne Frank’ :) quando sonhei dizer como ela:
«Sinto-me cada vez mais independente dos meus pais. Embora seja muito nova ainda, sei, no entanto, que tenho mais coragem de viver e um sentido de justiça mais apurado, mais seguro do que a minha mãe. Sei o que quero, tenho uma finalidade, uma opinião, tenho fé e amor. Deixem-me ser eu mesma e estarei satisfeita. Tenho consciência de ser mulher, uma mulher com força interior e com muita coragem.
Se Deus me deixar viver, hei-de ir mais longe de que a mãe. Não quero ficar insignificante. Quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade.O que sei é que a coragem e a alegria são os factores mais importantes na vida!»
(copio o texto em português de

Nota de rodapé: Esta era uma história terrível, ainda muito fresca quando cheguei ao IVS em 1952. Pergunto-me como é possível que o ódio aos Judeus leve gente a negar a existência do Holocausto? Junto-me ao Blogue Antigos Alunos - Externato Ramalho Ortigão nesta homenagem a Ann Frank, de facto um grandesímbolo da barbárie de Hitler e digo uma presse para que nunca mais aconteça. Por isso apoio inequivocamente os meus avós que souberam dar uma pátria - ISRAEL - aos Judeus europeus sobreviventes da Segunda Grande Guerra. Nunca é demais relembrar a exposição feita por por AndreiGomyko, representado a URSS (antes desta virar o bico ao prego), à Assembleia-Geral das Nações Unidas em 14 de Maio de 1947 que viraram a votação a favor de Israel:
Excerto

Ao discutir a questão da missão da comissão nomeada para preparar as propostas sobre a Palestina, somos obrigados a pesar outro aspecto importante desta questão. Como sabemos, as aspirações de uma parte considerável do povo Judaico estão ligadas ao problema da Palestina e à sua futura administração. Este facto não precisa ser provado. Não pode surpreender-nos, portanto, que grande atenção tenha sido prestada a este aspecto da questão, tanto na Assembleia-Geral, como nas reuniões da Primeira Comissão. O interesse despertado por este aspecto é compreensível e completamente justificado.

Durante a última Guerra, o Povo Judaico passou por uma dor sem par e excepcional sofrimento. Se nenhum exagero, não se encontram palavras para descrever esta dor e sofrimento. É difícil expressá-los por meio de estatísticas a seco perante a agressão fascista sobre as vítimas Judaicas. Os Judeus nos territórios onde as hostes hitlerianas impuseram o seu reino foram sujeitas a uma quase completa alienação física. O número total dos membros da população Judaica que pereceu às mãos dos seus carrascos nazis é estimado em aproximadamente seis milhões. Apenas um milhão e meio de Judeus sobreviveu à guerra na Europa Ocidental.

Mas estas estatísticas, pese embora darem uma ideia do número de vítimas entre a população Judaica, não dão nenhuma ideia das dificuldades em que grande número de Judeus se encontraram depois da Guerra.
Um infindável número de sobreviventes Judeus na Europa foi despojado dos seus países, casas e meios de subsistência. Centenas de milhar de Judeus deambulam por vários países da Europa em busca de meios de subsistência e de abrigo. Grande número de Judeus estão acampamentos para desalojados e ainda passam enormes privações. A nossa atenção para essas privações foi-nos alertada pela Agência Judaica, que ouvimos durante a reunião da Primeira Comissão.

É muito pertinente perguntar se as Nações Unidas, face à situação difícil em que se encontram centenas de milhar de sobreviventes da população Judaica, pode deixar de mostrar interesse por essa terrível situação dessa gente, arrancada dos seus países e despojada das suas casas. As Nações Unidas não podem e não devem olhar esta situação com indiferença, dado que essa atitude é incompatível com os altos princípios proclamados na sua Carta, os quais garantem a defesa dos direitos humanos, sem olhar à da raça, religião ou sexo. É altura de ajudar-se esta gente, não por palavras, mas por obras. É essencial que se mostre preocupação pelas necessidades urgentes de um povo que foi submetido a grande sofrimento como resultado da Guerra iniciada pela Alemanha hitleriana. Esta é uma obrigação das Nações Unidas.
Estas são as considerações que a Delegação Soviética pensou ser necessário expressar nesta fase inicial em que se está a considerar o problema da Palestina.

Fonte: retirado do arquivo online da ONU - http://domino.un.org/UNISPAL.NSF/0/d41260f1132ad6be052566190059e5f0?OpenDocument

Nunca é demais relembrar que a Resolução da ONU No. 181 de 28 de Novembro de 1947 (fonte http://www.libanoshow.com/home/oriente_medio/onu.htm#181) criava 2 estados, um Árabe, outro Judaico, e a Cidade Internacional de Jesusalém, sendo portanto falso o que hoje se diz que a ONU só previu o Estado Judaico. É bom relembrar também que a Resolução da ONU não deslocava ninguém do lugar onde já estava radicado, atribuindo a mesma nacionalidade a todos os que viviam no que iria ser o Estado Árabe (em 1947: 725.000 árabes e 10.000 judeus), no que iria ser o Estado Judaico (em 1947: 698.00 judeus e 408.000 árabes) e no que iria ser a Cidade Internacional (em 1947: 105.000 árabes e 100.000 judeus), todos com direitos iguais e as minorias respeitadas. Os judeus aceitaram a proposta da ONU e os árabes não aceitaram, partindo para a guerra de 1948/49.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Para Quem É o Blogue?

Para quem é o nosso blogue?

Tendo surgido dúvidas sobre o objectivo do Blogue Instituto Vaz Serra - Antigos Alunos, chamo a atenção para o texto que aparece à direita, imediatamente abaixo do cabeçalho e que aqui transcrevo:

bem-vindos ao blogue

do instituto vaz serra – antigos alunos

Recebemos de braços abertos Antigos Alunos e Professores, de todas as gerações. Venham partilhar connosco as vossas recordações, as vossas fotos ou vídeos, a vossa vida pós-IVS. A participação requer inscrição que podem obter enviando um e-mail para ex.alunos.ivs@gmail.com

A todos um caloroso abraço.

Nunca é demais esclarecer que o blogue é para TODAS AS GERAÇÕES de antigos alunos e professores, incluindo os antigos alunos e professores do actual Instituto Vaz Serra que quiserem dar-nos a honra de juntar-se aos antigos alunos e professores do velho Instituto Vaz Serra. Nem doutra maneira poderia ser, um

a vez que as gerações mais antigas, como a do Parentes Esteves, Lami Baptista, Fabre dos Reis, Carrasco Marques e a minha já viram partir muitos dos seus antigos companheiros, além de eles próprios terem entrado no crepúsculo da vida.

A sobrevivência deste blogue depende, portanto, das gerações mais novas e a elas pertence o blogue e a responsabilidade de mantê-lo vivo.

Uma boa parte do registo fotográfico no arquivo do blogue

já é posterior a 1960. Alguns exemplos:

Anúncio e Imposição da Faixada à Vencedora do Miss IVS 1960

As duas fotos seguintes são de 1960

domingo, 7 de junho de 2009

Continuação Pintor Neves e Sousa

A última fotografia com o grande amigo e pintor Albano Neves e Sousa no seu estúdio em Salvador da Bahia
Da esquerda: Albano Neves e Sousa, minha mulher Fátima Bibi, mulher do Albano Luisa Neves e Sousa (minha amiga desde a infância em Luanda), eu e o quadro que tinha acabado de pintar e comprei para a minha colecção.
Mais obras do Albano da minha colecção
Nevoeiro Moçâmedes
Embondeiros  (árvore centenária, típica de Angola)

Pintor Neves e Sousa

Auto-caricatura com dedicatória
Mais quadros do Neves e Sousa da minha colecção
      
     Mulher do Huambo                                     Queimada durante o dia
Paisagem Moçamedes
 
                                          Moça Huíla              Mulher de Cabinda
Princesa Mukubal
Figura etnográfica angolana
Figura Etnográfica Angolana

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Grande Pintor Albano Neves e Sousa

Eu na ocasião em que me ofereceram um cachorro "salsicha" em Salvador da Bahia, visto pelo grande pintor angolano e meu grande amigo, já falecido, Albano Neves e Sousa. À direita a auto-caricatura do saudoso Albano, com que ele assinava as caricaturas.
Outra caricatura do Albano sobre um prato a brincar comigo, por ocasião da minha saída dp Brasil.  O Albano era um caricaturista que nunca parava.  Depois de um jantar fazia caricaturas num prato ou num guardanapo.
Dedicatória no livro (em cima) que marcou a inauguração da Galeria Neves e Sousa na Livraria-Galeria Verney, em Oeiras, em 11-12-2008.
Da minha colecção mais caricaturas humorísticas do Albano
 
Também da minha colecção, alguns dos quadros de Neves e Sousa, todos temas angolanos ou doutras ex-colónias
Pastores Macubais à fogueira
                                                                 Garota caboverdiana
Floresta do Maiombe, Cabinda
 
Viúva de Luanda
 
Viúva de Luanda - Pormenor com lágrimas nos olhos
                                                                  
                                                                       
Rapariga Angolana
                                               A famosa "Queimada" de Neves e Sousa

sábado, 30 de maio de 2009

Depois da Cataplana

A Natércia acha que não tenho razões de queixa...
Ontem, depois de almoçar a gostosa Cataplana no Sol-Mar e de me deliciar com um Syrha 2005 de Palmela, fui ao Wallgreens (uma drogaria que vende quase tudo).   Ia a sair do parque de estacionamenteo, já na faixa de rodagem, eram 16.35, quando a senhora Kimberley de marcha-atrás bate no meu Nissan Quest e faz isto:
 
Achas que eu não tenho razão de queixa, Natércia? Sua amiga da onça!  O Seguro da senhora já me contactou, vai mandar avaliar o estrago e mandar consertar, mas eu vou ficar sem a Nissan dois ou três dias...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Almoço de hoje

Pois hoje fui a Newark almoçar no Sol-Mar e bati-me com esta  Cataplana (clicar na foto da Cataplana para ver o restaurante) e até pedi a receita.  Bati-me ainda com este     da Casa Ermelinda Freitas, de Palmela

Receita para 4 pessoas

Ingredientes 

400 g de tamboril

400 g de amêijoas

8 Camarões médios com o lombo descascado e tripa limpa

1 Lagosta com 600/800 g

2 tiras de pimento verde e pimento vermelho

1 tomate maduro (ou tomate em lata)

3 Cebolas grandes

3 Dentes de alho e coentros

Azeite

Margarina

Vinho branco

Gin

Bacon fatiado

Sal

Piripiri

 

Preparação

 

Tempere o tamboril e os camarões com sal.

Unte toda a cataplana com margarina, depois, coloque um fio de azeite no fundo da mesma, corte 3 cebolas em rodelas bem fininhas e coloque na cataplana.

Corte o tomate aos bocadinhos, aproveitando o sumo do mesmo para a cataplana, coloque o bacon, corte os alhos, tempere tudo com piri-piri e sal, 2 colheres de margarina, 4 fatias fininhas de cada pimento verde e pimento vermelho. Regue com vinho branco e um pouco de gin, tape e deixe cozer o refogado. Entretanto, num recipiente com água, sal e piri-piri, coloque o mesmo ao lume e deixe levantar fervura. Coloque em seguida a lagosta e deixe-a cozer menos do que o habitual (10/15minutos).

Retire-a depois e corte-a aos bocados.

Entretanto, vá vigiando o refogado da cataplana, não deixando secar o mesmo, colocando mais margarina e vinho branco.

Após 15/20 minutos a refogar, com a cebola bem mole, coloque na cataplana o tamboril, os camarões e a Lagosta e mexa tudo, voltando a tapar a cataplana.

8 a 10 minutos depois, coloque as Ameijoas com os coentros, borrife tudo com Gin, tape a cataplana e espere até as amêijoas abrirem com o vapor. Leve para a mesa e sirva. 

Observações 

Deve-se acompanhar a cataplana com batata às rodelas cozinhada dentro da própria cataplana ou com arroz branco de qualidade, bastante solto