terça-feira, 8 de julho de 2014

Trazido da Rádio Condestável com a devida vénia

CERNACHE DO BONJARDIM – Encontro de gentes do IVS marcado com inauguração de monumento - 08-Jul-2014
Três pilares sustentam um livro aberto representando todos os funcionários, professores e alunos que já passaram pelo Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim. O monumento de homenagem a estes foi inaugurado no passado sábado, por ocasião da realização do primeiro convívio de todos os que passaram por aquela escola desde 1950. Entre abraços de reencontro e salvas de saudade, ficou vincada a marca de uma escola, “baluarte da educação e da cultura em toda a região e país”, que continua a formar valores e revê com orgulho o seu passado, como fez questão de realçar Carlos Miranda, atual Diretor Pedagógico. “Queremos que os alunos de hoje tenham nos de antigamente um exemplo e uma referência”, salientou.


A saudade pelos que já partiram foi deixada pela aluna nº8, Cesaltina Leitão e a homenagem a Libânio Vaz Serra por ter edificado tal casa “formação de homens e mulheres” foi referida pelo aluno nº445, de nome João Nunes. Este fez questão de recolocar na ordem do dia a ideia da Fundação Libânio Vaz Serra e lançar a possibilidade de em Cernache passar a existir uma incubadora de empresas.  


Sem alunos não há escola e para este ex-aluno, agora na faculdade, “é preocupante ouvir falar de alargamento de escolas, quando no IVS ainda há espaço para receber mais alunos”.


Presente nesta sessão esteve também Cláudia André, vereadora da educação na autarquia da Sertã. Esta veio a Cernache reiterar o “orgulho que o concelho tem nesta escola”, relembrando também a visão do seu fundador e os cargos importantes que ali começaram a ser formados.


A certeza de que dali saíram grandes homens e mulheres foi atestada pelo presidente da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais, Diamantino Calado Pina. “Todos os que daqui saíram vingaram na vida e são uma referência”, sublinhou o autarca. 


A ideia de reunir e homenagear partiu, há uns tempos, de Carlos Miranda mas a concretização do "sonho" coube Filomena Bernardo, secretária da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais. 



Neste dia ficou igualmente assente que o primeiro fim-de-semana de julho passaria a ser como o deste ano, no sentido de fazer um convívio cada vez maior. Marcam presença neste encontro cerca de 90 pessoas.  

Nota de rodapé: O blogue Instituto Vaz Serra - Antigos Alunos tem uma dívida de gratidão para com Filomena Bernardo, secretária da União de Freguesias de Cernache do Bonjardim, Nesperal e Palhais por ter fomentado a inauguração do nosso Monumento. Bem hajas!


Fotos do almoço/convívio de 5 de Julho de 2014

Em representação dos antigos alunos, Cesaltina Leitão aluna nº 8
Monumento em homenagem aos Antigos Alunos, Professores e Funcionários
Placa alusiva ao monumento

Luis Galinha e Sérgio Lopes junto ao recém inaugurado monumento

Em primeiro plano Sérgio Lopes, Mimi Vaz Serra, Drª Maria José Vaz (de saia branca)
Em primeiro plano Sérgio Lopes, Mimi Vaz Serra, Maria do Céu Guerra (atrás entre os dois), Drª Maria José Vaz e Cesaltina Leitão

Paula Soveral e Sérgio Lopes

À esq. Sérgio Lopes e Silvina Antunes

Madalena Vaz Serra que parece dizer "e eu?"

Da esq. Madalena Vaz Serra, Mena Bernardo, Mimi Vaz Serra (de pé) e Sérgio Lopes
Nota de rodapé: Serão oportunamente publicadas mais fotos.




Almoço/convívio dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários

Almoço/convívio dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários do Instituto Vaz Serra - 5 de Julho de 2014

Realizou-se no passado Sábado o almoço/convívio dos Antigos Alunos, Professores e Funcionários do IVS, tendo na altura sido inaugurado um monumento em sua homenagem. Do evento publicamos o seguinte vídeo cedido por Armando Eiras, que muito agradecemos



segunda-feira, 2 de julho de 2012

                                Mais uma "BOA RECORDAÇÃO " que foi para o meu "BAÚ"

domingo, 31 de julho de 2011

A velha caixa

Tenho uma caixa de papelão muito velha, atada com um cordel velho como a caixa, pousada numa prateleira. O nó do cordel, bem apertado, não se deixa desatar. Puído, mas seguro.

Nunca ninguém se atreveu a ver o que tem lá dentro.

Quando a minha avó ainda era viva, não deixava que eu ou o meu irmão lhe tocássemos. Dizia que tinha lá dentro um segredo.. Pois! Um segredo !

Que raio teria a caixa lá dentro ?

Um dia, numa tarde quente de verão, a casa parecia sem ninguém. Vazia. Todos tinham ido à sua vida.

A criada, única pessoa, por perto, naquela tarde, fazia o seu trabalho, arrumando a roupa passada a ferro, lisinha e cheirosa , porque a água límpida do tanque fizera o seu papel e o estendal no corredor das roseiras, túlipas e buganvilias fizeram o resto, transmitindo o seu cheiro à roupa, mesmo sendo o ferro aceso com carvão que cheirava mal.

E a caixa na prateleira !

Uma dessas tardes, o meu irmão e eu decidimos que iríamos ver o que continha a caixa de tão precioso.

Um de nós subiu a uma cadeira, tirámos a caixa com muito cuidado, sentámo.nos no chão ainda hesitantes, mas decididos. Iríamos ver o que estava lá dentro. A caixa era muito leve. Poderíamos afirmar que não continha nada. Mas devia ter.Teria ? Abrimos ? Não abrimos ? Porquê tanta preocupação com uma caixa velha ? Tantas perguntas sem resposta.

Nisto e como por magia, apareceu a minha avó. Mesmo no momento certo. Passou-- nos uma descompostura lal, tão violenta, aguçou-nos ainda mais a curiosidade mas nunca mais tocámos na caixa, nem olhámos para a prateleira, tal o medo que nos pregou.

A avó, passados uns anos faleceu E a caixa lá em cima .

Mudou tudo na casa, menos a tal caixa, muda, quieta, intocável, na velha prateleira, no mesmo sítio.

Agora era a minha mãe que não deixava que se abrisse.

Crescemos e o tempo foi passando.

As férias, os amigos, as aulas, os verões, os invernos, o frio, o calor, as noites de lua cheia, as noites escuras como bréu, os meus namorados, as namoradas do meu irmão, as mortes, os casamentos, os baptizados, tudo se foi sucedendo.

Passaram anos. A velha caixa também mudou de casa. Está ali, juntinho a um relógio de sala que veio com ela de casa dos meus pais.

Sem nunca ninguém ter tido a coragem de a abrir.

O que tem lá dentro ? Não sei !

Talvez nunca ninguém venha a saber porque a caixa vai passando de geração em geração e como se de magia se tratasse, vai ficando com o nó feito de cordel, mas que ninguém se atreveu a desatar.

Natércia Martins

Junho de 2011-07-18

sábado, 2 de julho de 2011

Em pé: Victor, Rocha, Galinha, Almeida, Chico, José Pais, Alvaro.
Em baixo: Duarte, Saul, Isaac, Salvado e Parente
GDVSERNCHE anos 60/61.
Estou a reunir fotos do Sernache dessa epoca para um livro sobre o clube, agradeço historias e fotos dessa epoca.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estória de Caça

 Conto da autoria do antigo aluno João Facha

Eram mais ou menos 5 da manhã e, nós lá íamos…….

A promessa que já levava alguns meses a ser cumprida, estava agora em marcha.

Íamos aos patos!

Com lama!

Com mosquitos!
 
Com frio!

Sem o pequeno-almoço do costume, mas, lá íamos!

O carro, coitado dele, lá ia chiando a cada buraco, seria estrada, não parecia mesmo, mas sempre íamos em frente.

Cá por dentro ia rindo, o Manel (primo) agarrado ao volante ia “fintando” as covas.

O Rui, a seu lado olhava, segundo a segundo o relógio e só dizia, “Bolas, é tarde!!!  A estas horas já todos os patos estão no Mar!
A meu lado o Pai sorria, com calma, feliz com o ambiente e, com o facto de eu ir ali, encostada ao seu ombro, de olhos fechados como que a dormir com os anjos.

Facto é que, afinal todas as promessas de me levar aos patos estavam em marcha, cumpriam-se.

Na véspera achei graça…. Tantos cuidados…. O farnel, o fogareiro, o sumo, o banco, as botas, até o creme anti-mosquito e, foi por pouco que a espingarda não ficou no seu armário, tal era a preocupação para que nada “ME” faltasse.

Mesmo agora, de olhos fechados, encostada a esta mesa que viu e sentiu já tanta coisa, não consigo (nem quero) esquecer nenhum momento!!!!

Ana! Ana! Acorda filha, chegámos! Ouvi meia estremunhada.
Cá fora era a grande bagunça!

Madrugada alta, frio, pouco vento, mas uma aragem que fazia alguns arrepios, e me fazia lembrar o doce aconchego do “edredon”.

Negaças, botas, camisolas, casacos, gorros, bolsas de espingardas e, palavras soltas, “vento”, “Gordo”, “horas”, “café” e patos, “colhereiros”, “marrecos”,”reais” tudo seguido, no meio indescritível da arrumação à “Homem”, ou seja: tudo ao molho, e Fé em Deus!!!

Dei por mim com uma sanduíche de presunto numa mão, um copo de café pingado na outra, e um saco aos pés!

“Come depressa e não te afastes, é escuro, não te aleijes…. Estás a gostar?.....

Agora, só agora, dei por isso, e já lá vão uns tempos, de facto, estava a gostar…!
 
Eu fico na minha “murraça” adiantou o Rui, tenho fé que ainda tenha ficado para trás alguma ‘marreca’!

O Manel seguiu pela vereda mas sempre disse, “vão vocês lá para baixo, é mais fácil para a miúda, e há menos mosquitos, eu vou para o ‘esteiro’”.

Ainda não tínhamos arrumado as coisas, e dois tiros quase seguidos foram disparados pelo Rui.

Depois, foi a vez do Manel que saudou o nascer do dia com três tiros rápidos. E, nós só mosquitos…

Mais tiros do Rui e um pato todo ‘embrulhado’ caiu na margem… logo depois outro, e nós mais mosquitos, só mosquitos! 

São agora nove e meia da manhã e o meu pai calmamente diz: “mais meia hora e, ala que se faz tarde!...”

Foi a frase mágica, olhei para ele e ao baixar os olhos para a água vi-os, eram três, vinham rente à superfície e direitos a nós…”Pai, olha à direita”, rápido saíram dois tiros e, ainda, um terceiro. Já em pé e a correr vi que dois patos já nós tínhamos!

Por minutos voltou a calma, mas logo depois um grande bando vinha na mesma rota, nova chamada de atenção ao meu pai, mas ele já os vira e da espingarda que eu tantas vezes vi em repouso, saíram três tiros…, rápidos… seguidos, e que derrubaram três ‘marrecos’.

Depois deste alvoroço seguiu-se outra acalmia, o Sol entretanto já nascido, estava alto embora o frio ainda fosse muito.

A caçada, a tal caçada prometida tinha acontecido, agora era o regresso, primeiro ao carro onde os resultados foram largamente comentados.
Eu toda contente, mostrava ao Manel os ‘nossos’ troféus, e arreliava-o pois ele só tinha um, e era mais pequeno. O Rui, com dois patos, alinhava na brincadeira, e voltava a barafustar com as horas, desta vez era o almoço que foi comido num restaurante à beira da estrada.

Nestas coisas, o regresso nunca tem história e, se este teve, eu não a posso contar porque, agora sim, aproveitei o balanço do carro e o ombro do meu pai e dormi todo o caminho.

Agora, que estão postas no papel estas linhas, e que já cheira a primavera, dou por mim a pensar: 

-- Quando é que começa a nova época de caça?

-- Serão saudades?

Convites, esses já tenho!!!